State of Decay 2 | Review

Brigue pela sua vida como no mundo real

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
State of Decay 2 | Review

São tantas as referências a fins de mundo com apocalipse zumbi que em algum dia da sua vida você acaba se perguntando: “Será que eu sobreviveria a um?” State of Decay 2 dá continuidade a esse pensamento, melhora suas ferramentas e acrescenta um terror verdadeiro a cada uma das suas saídas em busca de mantimentos para o seu acampamento. Uma simples volta no quarteirão pode ser o fim de dias de sobrevivência no centro do apocalipse. Será que você aguenta?

O novo game da Undead Labs é uma aula de como gerar terror dentro de um jogo. E não estou falando de pulinhos no sofá, gritinhos e sustos artificiais. A real noção de que a sua estadia dentro do jogo é passageira, de que continues não existem e tudo que você construiu pode ser completamente destruído pelos motivos mais banais, é o que te faz respeitar o jogo sempre que você dá início a uma partida nele.

Se já conhece o primeiro jogo, vai se sentir em casa. Caso contrário, um tutorial de praticamente uma missão inteira o ensina algumas técnicas de combate, finalizações, busca por itens, construção de base, instalações médicas e até a cura para uma infecção do sangue, o primeiro passo para a transformação de uma pessoa normal, em zumbi.

Daí em diante, o controle da vida dessa comunidade digital fica em suas mãos. E é bom aprender rápido as mecânicas, porque quanto mais você demora para tomar uma decisão, mais recursos são gastos e menos felizes ficam os moradores da comunidade.

Pouco tempo para decidir suas ações geram escolhas erradas, como por exemplo, invadir um núcleo pestilento sozinho e sem as armas necessárias, esquecendo de se equipar com itens de cura e granadas de mão. Fugir de uma situação como esta é para poucos, e infelizmente não foi o caso de Tony, integrante da minha comunidade e o primeiro a morrer durante uma simples ida ao supermercado que deu errado.

Os dias passam rápido, e as noites parecem demorar uma eternidade. A sensação de completo desespero na escuridão o faz querer desistir de sair em busca de mantimentos ou para socorrer alguma pessoa menos favorecida. E um conselho amigo para você que vai começar este jogo agora, não desperdice as madrugadas porque suas reservas se esgotam absurdamente rápido e a moral do acampamento é prejudicada por isso.

Cuidar da saúde mental e do bom convívio dos moradores da sua base é fundamental. Brigas e discussões são normais nesse tipo de situação, ainda mais quando as pessoas agrupadas não se conhecem, estão juntas apenas por uma questão de facilidade e situação (fim do mundo, óbvio). E aí, satisfazer a vontade de uma pessoa ao invés do coletivo pode gerar até a expulsão da pessoa via voto comunitário.

Construindo sua nova vida

Uma das ferramentas mais interessantes de State of Decay 2 diz respeito à construção de instalações dentro da sua própria base, mediante o uso de materiais adquiridos em suas idas e vindas pelo mapa aberto do jogo. Inclusive, essas andanças pelo mapa são completamente procedurais e muito difíceis de se prever algum acontecimento. Pode dar tudo certo ou não.

A matéria-prima é muito importante para o desenvolvimento e sustentação da sua comunidade. É preciso vasculhar cada canto da cidade em busca de comida, materiais, medicamentos e munição. Não só colher, mas trazê-los de volta à sua base, saco por saco (a menos que você esteja de carro, aí é possível transportar mais de um com a ajuda do porta-malas do veículo). É mais ou menos como ser aquele peão de Warcraft que vai colher lenha para você na mata, só que aqui é você controlando o personagem o tempo inteiro.

Com materiais em mãos, realizar upgrades na sua base é essencial. Construir um centro médico é a sua primeira obrigação, já que com ele é possível tratar as mazelas dos integrantes da sua comunidade como certos traumas (que impedem a sua vida de regenerar) e as infecções de sangue, letais se não tratadas o mais rápido possível.

Pequenas hortas para o cultivo de subsistência, áreas de lazer – apesar de que uma área para o treinamento de armas de fogo talvez não seja a melhor opção por conta do barulho -, e upgrades nos galpões de armazenamento dos seus itens (porque eles se deterioram também) podem ser feitas na sua base mediante o custo do material necessário e um tempo de construção.

O relacionamento com vizinhos no apocalipse requer um cuidado extra. Visitar aquele aquele bando de desmiolados que não param de fazer festa com muito barulho, atraindo toda a zumbizada para o seu quintal é uma tarefa difícil. Um simples “parem de fazer barulho” pode ser mal interpretado e acabar em tiroteio. O que é ruim, já que lidar com humanos sem escrúpulos e munidos de armas de fogo é muito mais perigoso que zumbis lentos que podem ser evitados.

Uma conversa na boa, deixando seu orgulho de lado em busca do bom convívio é essencial. Ao se tornarem amigos, esses aliados podem lhe ajudar com inúmeras tarefas, fazendo com que seus personagens poupem munição e armas brancas (aqui todas as armas são finitas e requerem conserto, vale lembrar).

Intensivão preparatório para vencer zumbis

Um lance bem legal em State of Decay 2 é que os personagens que precisam ser escolhidos no começo, podem facilitar um pouco a experiência do jogo de acordo com seus atributos. Apesar da linha oficial de história ser a mesma para todos, existem recompensas para a finalização do jogo com classes específicas.

De volta a um dos personagens da minha aventura, Tony, que entre muitas características tinha um passado como cosplayer (aparecia na sua ficha), foi um azarado do começo ao fim. Infectado pelo sangue contaminado, sofreu por dois dias inteiros (porque eu demorei a entender o que estava acontecendo e como deveria proceder no início) até ser curado, realizou poucas missões ao lado do seu amigo Max (que é ator e dublê de perseguições automobilísticas), que nunca o deixou na mão, mesmo com as suas burradas.

Tony era uma peça fundamental do meu grupo por ser o perito em construção. Era ele quem tinha a habilidade necessária para criar diversos upgrades dentro da comunidade e evoluir com ela. Mas ele morreu, de forma banal, numa missão banal e num dia banal.

O que quero dizer é que cada personagem tem uma habilidade especial que precisa ser aprimorada. Se o seu cardio é ruim, corra bastante, acumule estrelas e evolua seu cidadão de bem. É possível fazer isso com todas as habilidades de todos os personagens, praticamente. O jogo não acaba com a sua morte, mas o progresso e as missões podem ficar um pouco mais difíceis.

Multiplayer bem-vindo

Outra grande novidade de State of Decay 2 é o acréscimo da campanha cooperativa online dentro do jogo. Ao deixar a opção ligada, pessoas podem ingressar no seu jogo e lhe ajudar com as tarefas, o que facilita bastante as horas iniciais do game.

Até quatro jogadores podem dividir a aventura de alguém e ajudá-lo a evoluir. Através da base ou dos postos avançados adquiridos na aventura em questão, você pode alterar os personagens utilizados evitando a fadiga e tudo mais.

E a melhor parte dessa interação é que não existe briga por itens. Tudo que você precisa pegar no jogo estará marcado respectivamente com a cor do seu marcador. O jogo já divide os itens para você e assim todos ficam bem.

Ao longo da partida você ganha pontos pela permanência na sessão online. Quanto maior o seu nível, melhores serão as suas recompensas. Só que apenas os donos da sessão ficam com os materiais brutos, mas você ganha muitos pontos de influência durante as sessões, o que é extremamente útil para a sua campanha.

Nem tudo são flores

Apesar de parecer funcionar absolutamente bem no Xbox One X, no Xbox One comum, as coisas vão a trancos e barrancos. Muitos bugs e glitches visuais, principalmente relacionados à falta de som em alguns momentos e ao sumiço de barras de energia e menus de interação, são um problema grave.

Durante os testes realizados na semana anterior ao lançamento do jogo, uma atualização de 6GB foi instalada no game, mas não mudou praticamente em nada a experiência. São detalhes que parecem ser de fácil ajuste, mas atrapalham bastante a diversão e às vezes um soft reset é necessário para que a situação seja corrigida. Por enquanto, tome cuidado com portas e degraus e evite ficar preso.

State of Decay 2 é uma das melhores experiências que jogos de sobrevivência com zumbis podem oferecer. A tensão da primeira vez jogando é absurdamente satisfatória e se você entrar na brincadeira e não desistir até o fatídico “game over”, você terá uma experiência incrível. Respeita as regras, respeita o jogo e boa sorte.

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