Star Wars: Os Últimos Jedi | Crítica

Uma viagem emocionante àquela galáxia tão, tão distante que amamos

Marina Val Publicado por Marina Val
Star Wars: Os Últimos Jedi | Crítica

Se O Despertar da Força mexe com nossos sentimentos por evocar muitos momentos da trilogia original, Os Últimos Jedi consegue ser marcante justamente por trilhar o próprio caminho e estabelecer uma identidade própria, sem esquecer que ainda faz parte da franquia Star Wars.

Com os novos personagens devidamente apresentados no longa anterior, chegou o momento da franquia finalmente explorar mais a fundo cada um deles, mostrando uma jornada bem definida, que não é necessariamente guiada por um único herói. Então, enquanto Rey está tentando encontrar seu lugar no mundo e aprender sobre a Força e sobre uma Jedi, os guerreiros da resistência, Poe, Finn e a novata Rose, traçam planos para tentar se defender dos ataques da Primeira Ordem. Nesse ponto, o filme alterna o foco entre os personagens, fazendo uma montagem que em alguns momentos lembra O Império Contra-Ataca.

As vitórias (e também as derrotas) têm um custo. O longa faz questão de enfatizar que a cada ato heroico feito sem pensar, recursos e vidas são perdidos e que uma guerra não pode ser vencida apenas explodindo alvos, há também a necessidade de decisões estratégicas e de uma boa liderança. É bom ver o peso da guerra sendo explorado, e entender que a General Leia Organa sabe que os soldados e pilotos que nem chegam a ser nomeados têm tanta importância para a Resistência quanto aqueles mais próximos a ela.

Aliás, ver a General Leia Organa, e lembrar que Carrie Fisher, atriz que a interpreta, morreu pouco depois das filmagens, é sempre um golpe que pode levar às lágrimas. Mas em nenhum momento as aparições dela soam como um mero fan service — sempre com decisões sábias e dignas de uma estrategista experiente que acende a fagulha da esperança de uma revolução.

Enquanto os heróis da resistência são mais aprofundados neste longa, apenas Kylo Ren é explorado na Primeira Ordem. Os vilões continuam sem destaque e muitas questões continuam em aberto.

General Hux é usado apenas como alívio cômico, assim como os Porgs, personagens que foram pensados apenas para serem engraçadinhos e vender bilhões de produtos licenciados, e que (pelo menos) não são tão irritantes quanto os Gungans e mais fofos que os Ewoks.

Há uma espécie de dança entre o lado das Sombras e o da Luz, envolvendo Rey e Kylo Ren. Eles sempre aparecem espelhados, conflitados sobre o seu caminho e sua origem, e ligados de uma maneira emocional que nenhum outro filme da franquia ousou fazer. O contraste entre eles também é visualmente interessante e fica ainda mais rico nas cenas em que eles são colocados lado a lado.

O filme tem reviravoltas verdadeiramente surpreendentes. Em vários momentos ele ameaça virar uma espécie de “A Primeira Ordem Contra-Ataca”, mas o roteiro de Rian Johnson, que também dirige o longa, consegue encontrar uma saída inventiva e divertida.

A Batalha de Crait

As cenas de ação são tudo o que podíamos querer de um Star Wars, acrescentando um tempero extra de um visual exuberante. A batalha em Crait, um planeta que tem um solo feito de um mineral vermelho coberto por sal, é especialmente bela. Quando as naves voam, levantam uma névoa cor de sangue que faz parecer que o cenário inteiro está ferido por conta do embate. É um momento que dá vontade de rever muitas vezes e que é digno de emoldurar e pendurar na parede.

Os Últimos Jedi ensaia abordar temas sobre as faces do conflito que não costumamos ver no universo cinematográfico de Star Wars, no qual o “bem” e o “mal” geralmente são conceitos simplificados e bem definidos, sem muito espaço para tons de cinza. Isso aparece não só no já mencionado peso da guerra (e no que é necessário para vencê-la e suas consequências), como também quando o longa nos apresenta uma cidade inteira de figuras que enriquecem com o conflito, fornecendo armas e naves indiscriminadamente, por exemplo, ou explorando pessoas vulneráveis.

Dito isso, esses aspectos não definem a nova aventura, eles aparecem apenas como pinceladas do que temas centrais ao que está sendo contado. Como ainda estamos falando de Star Wars, uma franquia que é pensada para toda a família, a aparição de tais elementos dão mais cor a todo o universo, mas sem roubar o espaço do que realmente queremos ver.

Star Wars: Os Últimos Jedi explora melhor os personagens e, com seu visual impecável, ele é uma viagem emocionante àquela galáxia tão, tão distante que amamos e também a melhor despedida que poderíamos ter da nossa querida Carrie Fisher. Que a Força esteja com ela.