Star Wars Jedi: Fallen Order | Testamos e fomos surpreendidos!

O jogo superou as expectativas com boa narrativa, diversos planetas a serem explorados e bom sistema de combate

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Star Wars Jedi: Fallen Order | Testamos e fomos surpreendidos!

Sempre quando uma desenvolvedora não se preocupa em fazer muita divulgação à respeito do seu jogo que está para ser lançado, ficamos com um pé atrás. Star Wars Jedi: Fallen Order parecia sofrer desse mal, com informações escassas às vésperas do seu lançamento.

Eis que na terça-feira passada, a Eletronic Arts convidou inúmeros jornalistas (nós do Nerdbunker, inclusive) para experimentar o que eles disseram ser a experiência final de Jedi: Fallen Order. Acesso ilimitado ao game como ele será entregue ao jogador no mês de novembro. Na moralzinha, acho que a maioria naquela sala de testes foi surpreendida.

Sem spoilers — já que todos os jornalistas foram instruídos a não detalhar nada referente à trama do game –, a ideia desse texto é tentar apresentar um pouco de como Jedi: Fallen Order funciona no quesito controles, exploração e claro, diversão.

Controlando os movimentos de Cal, o protagonista, aos poucos vamos aprendendo o que significa ser um Jedi. É mais uma aventura sobre se transformar num mestre Jedi, do que efetivamente ser um (o que ao meu ver, deixa as coisas muito mais interessantes). Ao lado de BD-1, somos apresentados a uma história que não deixa a desejar aos grandes filmes da franquia, e ao seu modo, insere novos elementos ao lore expandido do universo Star Wars.

Vasta Exploração

Uma dos pontos mais importantes do game é que ele não se passa num único lugar. Cada uma das fases que experimentamos se passa em um planeta distinto. São fases longas, com visuais próprios e que entregam uma boa dose de exploração. Quando digo boa, quero dizer pelo menos uma hora de exploração básica (50% do mapa, talvez?), e sabe-se lá quantas caso o jogador busque os 100% do cenário.

Passagens secretas, itens de personalização e segredos variados aguardam os jogadores mais curiosos. Ao mesmo tempo, foi possível notar também um “quê” de Metroidvania, com uma exploração balanceada e que exige do jogador revisitar o maior número de lugares possível depois de conseguir certos poderes especiais.

Durante os testes só podíamos jogar em sua totalidade um dos planetas inéditos do game, Zeffo. Não era exatamente o começo do jogo, e podíamos ver mais dois planetas no mapa holográfico da Mantis, nave que serve como ponto seguro das aventuras de Cal e companhia: o planeta Bogano (que parecia ser o início da jornada) e Dathomir, a residência das “Sisters”, as grandes vilãs do game.

Zeffo acabou se provando desafiador o suficiente, mesmo para quem queria uma dificuldade mais elevada. Com inúmeros caminhos a serem percorridos, aprender a se locomover utilizando o “holomap” foi essencial. Os desafios do cenário exigem bons reflexos do jogador e até mesmo um pouco de imaginação. Pular em cordas, correr pelas paredes e escorregar pelo gelo fresco são apenas alguns dos obstáculos encontrados pelo jogador no decorrer da jornada. E como todo bom Metroidvania, a cada nova habilidade descoberta, novos objetivos vão aparecendo.

Os testes foram realizados num computador munido de uma Nvidia RTX, então os detalhes de iluminação estavam soberbos. Utilizar seu lightsaber como uma tocha para explorar cavernas com nenhuma iluminação era um show à parte. O jogo se preocupava em representar o ambiente nos mínimos detalhes, das lonas que balançavam ao vento dentro do hangar às queimaduras dos cortes do lightsaber ou tiros de Stormtroopers, era tudo fantástico.

Combate: a comparação inevitável

Uma das partes mais importantes de um jogo de ação como Star Wars Jedi: Fallen Order diz respeito ao seu combate. Confesso que já estava um tanto cabisbaixo, esperando por um combate genérico, que explorasse um pouco do que havia sido feito em Force Unleashed. E como foi bom estar enganado desta vez!

Jedi: Fallen Order apresenta um combate cheio de personalidade, focado e bastante criativo. Exige do jogador a habilidade extra de se preocupar também com a defesa, punindo severamente aqueles que o encarem apenas com um jogo de “apertar um só botão”. Esquivas bem posicionadas, defesa apurada, tempo de resposta coordenado e a necessidade de conhecermos cada um dos nossos inimigos, humanos ou não, deixam a gente com aquela sensação “onde já vi isso antes mesmo?”.

Some isso à necessidade de acessar pontos específicos de salvamento dentro do mapa para que Cal possa descansar, recuperar suas energias, seus itens de cura e posicionar novas habilidades na sua árvore de habilidades ao custo de resetar todos os inimigos de uma área e o que você tem? Acho que você já sabe onde quero chegar, não?

Mas não encare essas semelhanças como algo negativo, pelo contrário. Apesar das ‘coincidências’, a comparação mais apurada seria com Sekiro: Shadows Die Twice, já que ao invés de uma barra de fôlego (que não existe), temos uma barra de defesa que precisa ser gasta com a ajuda de defesas com tempo perfeito (os parries), para que seus ataques causem mais dano.

Além da defesa perfeita, a versatilidade do combate se dá através da Força. Com ela também é possível criar brechas e explorar pontos fracos de praticamente todos os inimigos do cenário, incluindo chefes de fase. Claro, a Força não é infinita e é preciso tempo para que a barra volte a encher e você possa utilizar golpes mais poderosos, mas é um recurso indispensável no combate.

Apesar da apropriação consciente de alguns elementos da From Software, o novo Star Wars brilha sozinho. A dose extra de dificuldade não está lá para frustrar ninguém, muito pelo contrário, é quase um estímulo para aperfeiçoarmos as habilidades de Cal ao máximo e aproveitar melhor o jogo. E sempre existe a possibilidade de deixarmos as coisas ainda mais interessantes, aumentando a dificuldade e encarando inimigos como a “Ninth Sister”, um dos chefes que não estava disponível na demonstração, mas podíamos encarar o desafio como um bônus (eu não consegui matá-la, mas a luta foi boa).

Além de bonito, o combate é bem divertido. Inúmeras finalizações estão à disposição de Cal desde o início. Quando quebramos a guarda do adversário é possível derrotar instantaneamente os inimigos com pouca vida. Os comandantes e alguns monstros de fase precisam de mais empenho no combate, já que eles revidam e defendem bastante.

Como disse anteriormente, não é nada sábio atacar sem se preocupar com a defesa. Alguns combates do game parecem sair diretamente de algum filme não lançado da franquia. A preocupação com a movimentação do personagem é digna de elogios. Além disso, a câmera lenta na finalização dos inimigos dá aquele draminha que tanto gostamos.

Melhorando as habilidades de Cal durante a campanha nos rende alguns novos movimentos bastante poderosos. Novos golpes são destravados à medida que você sobe de nível, e outros caminhos na sua árvore de habilidades são liberados à medida que você descobre mais sobre a Força.

Universo expandido

Star Wars: Jedi Fallen Order tem uma narrativa profunda, interligada diretamente com o universo dos filmes, misturando personagens inéditos com algumas figuras já conhecidas dos filmes. Um dos maiores exemplos é a aparição de Forest Whitaker como Saw Gerrera, líder dos Partisans.

A ideia aqui não é acabar com os segredos do jogo todos de uma vez, mesmo porque fomos proibidos de revelar detalhes da história — e nem avançamos tanto para descobrir tanta coisa assim –, mas gosto de pensar que as possibilidades são infinitas. Não só referente a personagens, como também algumas localidades. Por exemplo, logo após o término da missão no planeta Zeffo, um novo mundo se abre no mapa galático: Kashyyyk, o lar dos wookies.

Star Wars: Jedi Fallen Order superou em muito as minhas expectativas. Boa narrativa, diversos planetas a serem explorados, bom sistema de combate e a dificuldade na medida certa para aqueles que gostam de serem desafiados. Aquela sensação de jogo “bomba” que não me deixava em paz finalmente deixou de existir, e aguardo com bastante ânimo o seu lançamento. Agora difícil vai ser esperar ele sair. Chega logo, novembro!