Sétimo episódio de Fundação gira em torno de planos frustrados

As especulações sobre a morte de Hari e as habilidades de Gaal, porém, se revelam corretas

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Sétimo episódio de Fundação gira em torno de planos frustrados

Mistérios e mártires bem poderia se chamar “planos frustrados” – afinal, é em torno desse tema que gira o sétimo episódio de Fundação. O capítulo começa em meio a um deles: a tentativa dos anacreonianos de usar os reféns trazidos de Terminus para tomar controle da Invictus, lendária nave de batalha imperial, até então considerada perdida.

[ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers do sétimo episódio de Fundação]

Apesar de à deriva, a embarcação ainda está operacional, o que força Phara (Kubbra Sait), sua equipe e os prisioneiros a abordá-la em pequenos grupos, separados, a fim de despistar o eficiente sistema de defesa. A estratégia dá errado: durante a aproximação, muitos anacreonianos morrem e Hugo (Daniel MacPherson) acaba se perdendo no espaço, devido a uma suposta falha em seu traje.

Todavia, o descaso com que a trama trata o desaparecimento do contrabandista leva a crer que tudo não passa de um engodo, parte de um plano de fuga – afinal, minutos antes, ele e Salvor Hardim (Leah Harvey) mencionam a possibilidade de os aparelhos de comunicação das antigas bases de mineração dos téspinos, localizadas nos asteróides ao redor, ainda estarem funcionando.

Mesmo com as baixas, o grupo consegue entrar e logo se vê diante de outro desafio: devido a uma falha, a nave salta para localizações aleatórias em intervalos regulares. Assim, se quiserem evitar o mesmo destino da tripulação original, eles precisam consertar a avaria antes do próximo salto. Salvor tenta tirar proveito da situação e dominar os captores, mas o plano dá errado e ela perde quase todos seus companheiros.

Quem também precisa encarar a derrota é Dia (Lee Pace): toda a missão diplomática em Donzela parece ter ido por água abaixo, já que o contundente discurso da Zéfira Halima (T’Nia Miller) a colocou como favorita no conclave para eleger a nova líder do Luminismo. O imperador tenta negociar com a religiosa, que se mostra inflexível em sua crítica à linhagem de clones “sem alma”.

Para desafiá-la e reafirmar sua autoridade, ele anuncia publicamente que irá caminhar pela Grande Espiral: uma peregrinação ritualística, extremamente desafiante para o corpo, devido às condições inóspitas do local. A jogada arriscada se justifica: caso sobreviva à jornada, Dia será visto pelos luministas como tendo sido favorecido pelas próprias deusas.

Enquanto isso, em Trantor, Alvorada (Cassian Bilton) aprofunda o romance com a plebeia Azura (Amy Tyger), que o presenteia com lentes para corrigir seu daltonismo. O jovem imperador recusa, afirmando que os irmãos, sempre vigilantes, irão notar e passarão a reparar em como ele difere também em certos gestos, hábitos e preferências – “defeitos” que colocam em xeque os planos da Dinastia Genética de se perpetuar no poder por meio de cópias idênticas.

Alvorada confidencia à amante a razão para o temor de que suas particularidades sejam desmascaradas: o Império mantém outros clones em suspensão, prontos para assumir seu lugar e o dos irmãos no caso da morte de algum deles. Azura propõe então que eles fujam; para isso, no entanto, será necessário que recorram a biohackers para mudar o rosto do jovem imperador e retirar de seu corpo os nanorrobôs que possibilitariam rastreá-lo. Mas a julgar por uma cena do episódio anterior, que mostrava o chefe de segurança do palácio acompanhando de perto cada passo de Alvorada, essa deve ser mais uma ideia fadada ao fracasso.

A bordo da Raven, a nave a caminho do planeta Helicon, Gaal Dornick (Lou Llobell) descobre que a projeção de Hari Seldon (Jared Harris) que apareceu repentinamente é um programa carregado com a consciência do falecido matemático. O software revela então que sua morte era parte do plano, necessária para sacramentar a confiança nas previsões da psico-história e a sobrevivência da comunidade fundada por seus seguidores.

Leitores da obra escrita por Isaac Asimov (1920-1992) certamente vão notar que, em um dos diálogos com a pupila, Hari deixa escapar uma informação importante: ele se refere àquela como “Primeira Fundação”, sugerindo a existência de uma Segunda. De fato, essa outra comunidade concebida pelo cientista é um dos temas centrais da trilogia a partir do segundo volume – e que, possivelmente, a série irá explorar no futuro.

A versão holográfica de Hari prossegue, observando que o imprevisto que tirou seu projeto dos trilhos foi a presença de Gaal na cabine do matemático no momento de sua morte. Analisando juntos os momentos-chave na trajetória da garota, os dois chegam à descoberta de que, além do talento matemático, ela é capaz de pressentir o futuro. Eis outro elemento que reforça uma provável conexão entre Gaal e Salvor, já que as visões da guardiã também indicam algum tipo de habilidade metafísica.


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