James Bond, pai do Indiana Jones e Oscar: conheça a carreira de sucesso de Sean Connery

Ator eternizou o agente 007 nos cinemas, mas também viveu outros importantes papéis

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
James Bond, pai do Indiana Jones e Oscar: conheça a carreira de sucesso de Sean Connery

Thomas Sean Connery nasceu no dia 25 de agosto de 1930, em Edimburgo, na Escócia. Ele viveu uma infância pobre e foi obrigado a começar a trabalhar muito cedo, como leiteiro. No entanto, ainda jovem, descobriu a sua paixão pelas artes ao estrelar o musical South Pacific. Ele foi revezando entre atuações e serviços prestados à Marinha, até que, em 1963, a fama finalmente chegou. Sean Connery estrelou 007 Contra o Satânico Dr. No, e, ao dizer pela primeira vez a frase icônica: “Bond, James Bond”, entrou para a história do cinema mundial ao viver o agente com permissão para matar.

O movimento “bondmania” aconteceu junto com outro grande e importante fenômeno inglês que dominou o mundo todo: os Beatles. Juntos, o quarteto de Liverpool e o agente secreto criado pelo escritor Ian Fleming entraram no imaginário popular e, mesmo depois de quase 60 anos, é praticamente impossível encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar de um ou de outro.

Diferente do que se pode imaginar, Connery não foi a primeira opção para viver 007 nos cinemas: Fleming queria que sua criação fosse vivida por Roger Moore, afinal, Sean Connery não era exatamente um ator conhecido. Mas, para desgosto do autor (e para a sorte de todos nós), Moore estava muito ocupado com outros trabalhos e não pode encabeçar o projeto, então coube a Connery dar vida ao agente pela primeira vez. Posteriormente, a vontade de Fleming foi feita e Roger Moore assumiu o papel após a saída oficial de Connery.

O ator tinha 33 anos quando estreou como o agente 007, e não era exatamente novo, principalmente para a época, mas conseguiu deixar a sua marcar na franquia. Ele viveu James Bond por sete filmes, sendo seis deles dentro da franquia oficial: 007 Contra o Satânico Dr. No (1963), Moscou Contra 007 (1964), 007 Contra Goldfinger (1965), 007 Contra A Chantagem Atômica (1966), Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967) e 007 – Os Diamantes São Eternos (1971) — ele voltou para este último depois de George Lazenby ter vivido o agente em A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969) e não ter caído nas graças do público. Depois, em 1983, Connery voltou uma última vez ao papel para 007 – Nunca Mais Outra Vez, produção que não fez parte da franquia oficial, que a esta altura era estrelada por Roger Moore.

Assim, aos 52 anos, ele se despediu do personagem e se jogou em projetos que pudessem tirar a errônea imagem de que ele seria um ator de apenas um papel.

Sean Connery como James Bond em 007 Contra o Satânico Dr. No

O longa O Nome da Rosa (1986) é um bom exemplo da versatilidade do ator que, ao interpretar William de Baskerville, deixou de lado o seu já famoso charme e mostrou que poderia muito bem viver outros tipos de personagem. No entanto, foi em 1988 que a sua atuação foi realmente reconhecida, pois o ator recebeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação de Jim Malone no filme clássico de Brian de Palma, Os Intocáveis (1987).

Já em 1989, Sean Connery esteve em outra grande franquia do cinema: ele viveu Professor Henry Jones, o pai de Indiana Jones, em Indiana Jones e a Última Cruzada, ao lado de Harrison Ford.

Primeira opção de Peter Jackson para interpretar o mago Gandalf em O Senhor dos Anéis, o ator acabou negando o papel por não ter entendido o roteiro quando o recebeu. Anos depois, elogiou a atuação de Ian McKellen como o personagem e jamais pareceu ressentido por ter negado participar da saga – mesmo que ele tenha deixado de receber US$ 450 milhões com porcentagens de bilheterias (via NME).

Harrison Ford, o Idiana Jones, ao lado de Sean Connery em Indiana Jones e a Última Cruzada

Connery também viveu outros personagens em sua carreira, como Coronel Arbuthnot em Assassinato no Expresso do Oriente (1974), Ramirez em Highlander (1986), Marko Ramius em Caçada ao Outubro Vermelho (1990), John Patrick Mason em A Rocha (1996) e Mac em Armadilha (1999).

Em 2000, Sean Connery foi condecorado com o título de Cavaleiro pela Rainha Elizabeth II, se tornando então Sir Sean Connery. Posteriormente, o escocês revelou ter sido “um dos dias de maior orgulho” de sua vida (via ABC).

O seu último papel foi o de Allan Quatermain, em A Liga Extraordinária (2003), um fracasso de bilheteria e crítica. Sempre muito vaidoso com o seu trabalho, Connery deixou claro que detestou o filme e falou publicamente sobre não ter gostado do trabalho feito pelo diretor Stephen Norrington. Desde então, o ator decidiu viver a sua aposentadoria com a esposa Micheline Roquebrune, em sua mansão, nas Bahamas.

Ele sempre tentou deixar a sua vida particular fora dos holofotes, principalmente com o passar dos anos. Deixou de dar entrevistas e de ser visto em público. O ator poderia apenas ser visto em ocasiões que envolvessem um de seus maiores hobbies: o esporte. Quando jovem, amava futebol e, com mais idade, tornou-se um jogador de golfe apaixonado. Era comum também encontrá-lo assistindo a campeonatos de tênis.

Ao longo de sua vida, o ator tentou – e conseguiu – mostrar ao público, à imprensa e a ele próprio, que o seu trabalho poderia ir muito além do agente que ele, sem saber, tinha ajudado a eternizar. Seja com frases clássicas, com Dry Martinis batidos e não mexidos, com carros e tecnologias inimagináveis, o agente 007 ainda está bastante presente na cultura pop, e a franquia é a única com 25 filmes oficiais estrelados pelo mesmo personagem.

Hoje, Daniel Craig é quem vive James Bond e o 25º longa da franquia, 007 – Sem Tempo Para Morrer, será a sua despedida do papel. Com isso, cinco atores terão interpretado o agente, e, embora todos eles tenham acrescentado algo ao personagem, algumas características continuam espelhando-se no que foi mostrado pela primeira vez em 007 Contra o Satânico Dr. No: uma mistura de carisma, charme e perigo.

Sean Connery morreu na madrugada de 30 para 31 de outubro de 2020, aos 90 anos, deixando um legado de diversos filmes de sucesso, uma carreira brilhante, e inúmeros fãs que nunca se esquecerão da primeira vez que ouviram o ator dizer: “Bond, James Bond”.

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