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Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco | Visitamos a Toei Animation

Conversamos com o diretor e produtor da nova animação!

Cavaleiros do Zodíaco é um dos animes mais queridos pelo público brasileiro, principalmente por ter sido um grande sucesso da televisão aberta nos anos 90. Embora novos conteúdos sobre a franquia sejam lançados com frequência, como jogos, novas animações e até mesmo novos mangás, a Saga das Doze Casas continua sendo um marco.

Por isso, quando a Netflix anunciou que faria um tipo de reboot da série original, os fãs ficaram apreensivos (eu inclusa). Por um lado, o saudosismo nos impede de apreciar um novo ponto de vista sobre algo que já gostamos tanto, mas, por outro, essa releitura parece uma ótima opção para apresentar o universo que gostamos tanto para um público mais jovem. Essa é a proposta de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco, série animada em computação gráfica que estreia em 19 de julho na plataforma.

Fruto da parceria entre Netflix e Toei Animation, estúdio responsável pelo anime original, a nova versão de Cavaleiros recria a história desde o começo, mas muda a ambientação para tempos mais modernos: o trailer mais recente mostra Seiya andando de skate.

Tudo isso faz parte de um esforço para tornar a animação mais atrativa para um público mais jovem — e mais global. Mas como traduzir um clássico como Saint Seiya para uma nova geração? O diretor Yoshiharu Ashino aceitou esse enorme desafio e defendeu o uso das novas tecnologias, especialmente o CGI, para trazer mais expressividade e até mesmo um pouco de fotorrealismo para os personagens e, principalmente, para os cenários. “A atmosfera é diferente em computação gráfica, pois podemos usar mais texturas e mais dinamismo nas cenas“, defendeu o diretor.

Yoshiharu Ashino, diretor de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco

Ashino conversou com jornalistas que visitavam a sede da Toei, no Japão, no começo do ano, incluindo o NerdBunker. Na época, a primeira temporada de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco ainda estava sendo finalizada, mas tivemos a oportunidade de assistir a um trecho do primeiro episódio juntamente com Ashino, o diretor, e Yoshiyuki Ikesawa, produtor da nova versão: “Esse não é um remake qualquer“, disse, antes do vídeo começar.

Ikesawa contou que cresceu assistindo Cavaleiros e tornou-se um grande fã da franquia, e enxergou na computação gráfica uma oportunidade para mostrar ao mundo todo a história de Seiya e seus companheiros, com visual renovado e animações fluidas. Animações que, inclusive, foram feitas em parceria com um estúdio americano. Como uma forma de firmar o compromisso de entregar uma experiência global, até mesmo as vozes originais dessa nova versão do anime são americanas, sendo dubladas posteriormente para o japonês e demais idiomas.

Primeiras impressões

Assim que os acordes já tão conhecidos do que parecia ser Pegasus Fantasy começaram a tocar, foi difícil não ficar emocionada, afinal, assim como Ikesawa, eu também cresci com Cavaleiros. Porém, para minha surpresa, ao invés do clássico Pegasus Fantasy a voz cantou Pegasus Destiny, como que para me lembrar que aquilo era algo diferente do que eu já conhecia e estava acostumada.

Embora seja uma tendência atualmente, tendo em vista que outras produções como Ultraman também optaram por animação em 3D do que o tradicional 2D, foi um pouco estranho ver os personagens que conheço há tantos anos com um novo visual, mas não foi ruim — apenas uma questão de adaptação, assim como tudo o que nos foi mostrado durante a breve apresentação do novo (velho) título.

A mudança mais gritante e que levantou mais questões, como era de se esperar, foi Shaun.

Shun & Shaun

Um ponto muito comentado desde o anúncio do reboot é Shaun, nova personagem que entra no lugar de Shun, o Cavaleiro de Andrômeda.

Embora sejam teoricamente o mesmo personagem, Shaun tem sido motivo de debates internet afora desde sua revelação. Quando perguntado sobre as críticas que a equipe de produção vem enfrentando desde então, Ikesawa nos conta que a empresa sabia desde o começo que a resposta à mudança não seria das melhores, mas que quem bateu o martelo final foi a própria Toei. “Acho que essa não foi a melhor resposta, mas foi um passo“, contou, afirmando que essa diversidade é algo que a empresa quer mostrar para a nova geração.

O produtor Yoshiyuki Ikesawa

Tanto o diretor quanto o produtor afirmaram diversas vezes que o relacionamento entre os personagens não foi alterado, mesmo com a mudança. A dupla ressaltou que Masami Kurumada, criador da obra original, costuma manter o foco nos laços entre irmãos e família, e que isso não seria diferente nessa nova versão de Saint Seiya, que deve replicar as interações entre a Cavaleira de Andrômeda e seu irmão, Ikki de Fênix — ainda que Ashino tenha dado a entender que o fato de Shaun ser mulher é tratado com mais evidência nos últimos episódios da temporada.

Outra alteração diz respeito às outras personagens que aparecem ao longo da história. No anime original, as mulheres precisavam usar máscaras para esconder o rosto, mas esse não é o caso no reboot. A equipe de produção sentiu que esse tipo de abordagem não faz mais sentido nos dias atuais, e resolveu alterar: portanto, nem Shaun, nem Marin e nem Shina precisam usar máscaras na nova versão — ainda que Marin tenha “um bom motivo” para continuar usando, segundo eles. Apesar das mudanças, os temas principais e mensagens do anime continuam os mesmos do clássico.

Ainda que nossa visita tenha sido curta, entrar em um dos estúdios mais importantes do Japão, responsável por títulos como Dragon Ball, Sailor Moon e One Piece, para citar apenas alguns, foi uma experiência incrível. O estúdio começou pequeno, mas ganhou importância ao colaborar com grandes nomes como Osamu Tezuka e, em meados dos anos 80, com a Shonen Jump. O prédio que visitamos é novo, e foi construído no mesmo local em que a Toei começou, lá em 1956 — a empresa decidiu demolir o antigo e fazer um novo após os terremotos que aconteceram nos últimos anos lá pelo Japão.

Agora que o estúdio ganhou uma cara nova, chegou a hora de seus títulos se modernizarem também, e Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco parece um excelente primeiro passo nessa jornada.


A jornalista viajou para Tóquio à convite da Netflix.

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