Rua do Medo: 1994 – Parte 1 | Crítica

Primeiro filme da trilogia da Netflix falha ao misturar terror, comédia e homenagens aos clássicos

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Rua do Medo: 1994 – Parte 1 | Crítica

Já faz um tempo que a mistura de comédia e terror tem conseguido o seu lugar entre os fãs, algo que foi potencializado pelas plataformas de streaming, que permitem que títulos como A Babá (2017) e Terror nos Bastidores (2015) cheguem mais facilmente ao público. O encontro dos gêneros já é ensaiado ainda há mais tempo, e a franquia Pânico, criada em 1996 por Wes Craven, dava indícios de onde chegaríamos.

Percebendo o potencial desse nicho, a Netflix se prontificou a produzir a trilogia Rua do Medo, baseada na obra de R.L. Stine e dirigida por Leigh Janiak. O primeiro longa, Rua do Medo: 1994 – Parte 1, já está disponível na plataforma e se passa em 1994, em Shadyside, uma cidade do interior dos Estados Unidos assombrada por assassinatos em série.

O filme inteiro é cheio de referências a produções de terror, Halloween (1978) e It: A Coisa (2017) por exemplo, como também a séries que envolvem o tema, o caso de Stranger Things, Goosebumps (criado também por R.L. Stine) e Clube do Terror.

Logo no início do longa fica explícito que ele será uma tentativa de homenagem aos títulos do gênero, pois a primeira sequência que acompanhamos é um tributo a Pânico: Heather, vivida por Maya Hawke, é perseguida por um assassino mascarado com uma faca depois de atender ao telefone, assim como acontece com Drew Barrymore no filme de Craven.

Os acontecimentos iniciais são o pontapé para o desenvolvimento da história do grupo de amigos formado por Deena (Kiana Madeira), Sam (Olivia Scott Welch), Josh (Benjamin Flores Jr.), Kate (Julia Rehwald) e Simon (Fred Hechinger). Uma onda de homicídios começa a assustar os moradores da cidade e todas as mortes são creditadas a uma lenda local de um bruxa chamada Sarah Fier e, por motivos sem pé nem cabeça, os jovens começam a correr perigo.

O roteiro tinha bastante potencial, pois apresenta pontos diferentes do que estamos acostumados em filmes slasher: além da identidade do assassino ser revelada logo no começo, os crimes acontecem por causas sobrenaturais. Contar mais do que isso pode estragar a experiência de assistir à Rua do Medo: 1994 – Parte 1, e ela já não oferece muitos pontos positivos, pois a mistura de subgêneros do terror, somada à tentativa exaustiva de mostrar que conhece e referencia os grandes títulos, torna a narrativa sem graça.

Os personagens são exagerados e rasos, algo normal para o tipo do filme, mas não apresentam carisma algum, apenas reforçam os clichês do gênero. As piadas são fora de tom e as tentativas de subverter a expectativa do público não dão certo, causando até mesmo uma certa dose de vergonha alheia em alguns momentos.

A estética dos anos 1990 pode agradar ao público mais saudosista, mas são uma tentativa desesperada de surfar na onda de produções como Stranger Things e conseguir audiência por meio desse sentimento de saudades de uma época. A trilha sonora também tenta ganhar o espectador baseado em músicas que são fáceis de se reconhecer, como “I’m Only Happy When It Rains”, do Garbage, e “Creep”, do Radiohead, duas faixas usadas às exaustão por produções que representam a década de 1990.

Com um humor sem graça e sustos que não funcionam, o longa se torna esquecível no momento em que os créditos finais começam. A sorte de Rua do Medo: 1994 – Parte 1 é fazer parte de uma trilogia, assim, alguns poucos mistérios remanescentes podem aguçar a curiosidade dos espectadores de seguir assistindo aos outros filmes e, caso eles sejam melhores, podem tornar a primeira parte relevante quando a obra foi analisada no geral.

Rua do Medo: 1978 – Parte 2 chega à Netflix no dia 9 de julho e Rua do Medo: 1666 – Parte 3 estreia no dia 16 do mesmo mês.

Mais notícias