Rua do Medo: 1978 – Parte 2 | Crítica

Segundo título da trilogia funciona muito melhor como filme de terror e aguça a curiosidade para a parte final

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Rua do Medo: 1978 – Parte 2 | Crítica

Sexta-Feira 13 (1980) foi um marco na história do cinema do terror e, ao mostrar jovens sendo massacrados durante um acampamento de verão, criou um legado no imaginário dos fãs do gênero. Este mesmo cenário é homenageado em Rua do Medo: 1978 – Parte 2, a continuação de Rua do Medo: 1994 – Parte 1, este já disponível na Netflix. Ambos foram baseados na obra de R.L. Stine e dirigidos por Leigh Janiak.

O início do segundo filme nos apresenta C. Berman (Gillian Jacobs), uma mulher sobrevivente e traumatizada com o massacre no acampamento Nightwing, em 1978, em Shadyside, a mesma cidade a qual fomos apresentadas no primeiro longa. Berman segue a sua rotina extremamente rígida, reflexos de seu trama, até ser surpreendida por Deena (Kiana Madeira), Sam (Olivia Scott Welch) e Josh (Benjamin Flores Jr.), parte do grupo de amigos que conhecemos no primeiro filme da trilogia. Os jovens vão pedir ajuda à mulher para acabar com a maldição da bruxa Sarah Fier.

A mulher misteriosa que sobreviveu aos acontecimentos de 16 anos antes começa a contar o que viveu e, desta maneira, o espectador começa a entender um pouco melhor como a maldição funciona, o porquê de todos ainda correrem perigo e como o passado continua a influenciar o presente.

Ao voltarmos à década de 1970, conhecemos a jovem Cindy Berman (Emily Rudd) e sua irmã Ziggy (Sadie Sink). Assim como um boa parte dos adolescentes da cidade, as duas estão no acampamento de verão e lidam com problemas comuns neste tipo de filme, como namorados, bullying e conflitos com os pais. No entanto, as férias se tornam um inferno quando um assassino começa a fazer vítimas no local.

Rua do Medo: 1978 – Parte 2 consegue desenvolver uma narrativa com um ritmo melhor do que o primeiro e com personagens com os quais criamos mais empatia e preocupação. A ambientação também é muito bem feita e nos remete a produções como o próprio Sexta-Feira 13 e Acampamento Sinistro (1983). A atmosfera é a mesma do famigerado Crystal Lake, onde conhecemos Jason Voorhees para primeira vez.

As atuações – superiores às do primeiro filme – também prestam homenagem aos clássicos de slasher, pois elas são típicas das produções do gênero, com bastante dramaticidade dos atores jovens. Para eles, os problemas mundanos vividos até então são os piores do mundo, mas quando o assassino em série aparece, demonstram o desespero e medo necessário para o longa fazer sentido.

O grande vilão da trilogia é o espírito de Sarah Fier, que possui o corpo de alguém e o obriga a cometer atrocidades e em Rua do Medo: 1978 – Parte 2 o escolhido é bastante convincente e o banho de sangue causado por ele é bastante gráfico e assustador. Os efeitos visuais são um ponto alto deste longa, pois não exageram no que é mostrando, tornado a produção assustadoramente realista.

Como um bom filme de terror, os clichês típicos estão presentes, como os jovens que usam drogas, os casais que morrem durante momentos íntimos e vários outros que o público já está acostumado. No entanto, colocados de maneira orgânica, como é o caso, eles funcionam como uma espécie de easter egg e reforçam positivamente a ambientação.

A música “Carry On Wayward Son”, um clássico do Kansas, eternizado pela série Supernatural, aparece duas vezes ao decorrer do longa e, para os fãs da produção estrelada pelos irmãos Winchester, passa uma mensagem sobre a trilogia Rua do Medo: é preciso quebrar a maldição – assim como Sam e Dean foram obrigados a fazer. Mesmo para aqueles que não acompanharam a série, a canção de 1976 casa muito bem com a ambientação.

O longa não é perfeito e, para os espectadores mais atentos alguns furos de roteiro e justificativas de ações dos protagonistas podem incomodar, mas esses problemas são esquecíveis para aqueles que estão interessados na resolução do mistério.

Em comparação com Rua do Medo: 1994 – Parte 1, o segundo título da trilogia funciona melhor como filme de terror, com cenas mais gráficas e menos tentativas de fazer humor. Rua do Medo: 1978 – Parte 2 aguça a curiosidade e deixa um bom gancho para a parte final da obra, Rua do Medo: 1666 – Parte 3.

Confira também a nossa crítica da primeira parte clicando aqui.

Mais notícias