Rua do Medo: 1666 – Parte 3 | Crítica

Capítulo final da trilogia deixa o terror de lado para explicar mistérios

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Rua do Medo: 1666 – Parte 3 | Crítica

O cinema está cheio de trilogias clássicas, como De Volta Para o Futuro, O Senhor dos Anéis e O Poderoso Chefão. Além de continuarem as suas respectivas sagas, há uma característica em comum entre eles: anos de intervalo entre seus lançamentos. No entanto, com o streaming, esse tempo no meio das estreias se tornou desnecessário, como é o caso de Rua do Medo, trilogia de terror da Netflix que encerra com Rua do Medo: 1666 – Parte 3, que estreia nesta sexta.

É justamente esse intervalo curto entre os títulos da trilogia baseada na obra de R.L. Stine que faz com que o resultado da obra seja positivo. Diferente dos grandes clássicos do cinema, Rua do Medo não tem a pretensão de ficar no imaginário dos espectadores por muitos anos e, assim, angariar milhões de fãs; a franquia precisa ser assistida e conhecida, apenas isso.

Com o primeiro filme fraco, o que faz o espectador continuar a assistir é a curiosidade para entender os mistério e ver como a trama se desenrola, algo que a segunda parte faz muito bem e a terceira fecha de maneira satisfatória. A produção se aproveita da boa vontade do público e a utiliza ao seu favor, pois com apenas uma semana de diferença nas datas de lançamento, permite com que a atenção se mantenha.

Rua do Medo: 1666 – Parte 3 se inicia de onde a Parte 2 termina, com Deena (Kiana Madeira) tentando entender as origens da maldição da bruxa Sarah Fier e encerrar o ciclo. Somos transportados para 1666, em um vilarejo que se tornaria a cidade de Shadyside – a mesma dos outros dois filmes – e acompanhamos uma jovem Sarah. No entanto, é pelos olhos de Deena que assistimos a tudo, pois a bruxa deseja mostrar à jovem toda a sua história. A ambientação remete a filmes como A Bruxa (2015), com pouca luz e a população vivendo de maneira analógica.

O desenvolvimento da trama da cidade tem um ritmo rápido e amarra todas as pontas soltas que existiam até então. Com reviravoltas inteligentes, as cenas que acontecem em 1666 são um dos pontos altos da trilogia, pois além de explicar todos os mistérios, proporcionam alguns momentos dignos de uma produção de terror, com sequências aterrorizantes. Mesmo que poucas, elas são capazes de causar pesadelos naqueles mais impressionáveis.

No entanto, o terceiro filme da trilogia deixa o medo de lado e prioriza a história e seu desenvolvimento, uma escolha acertada para o último episódio da série de longas. Assim, Rua do Medo: 1666 – Parte 3 entrega muito mais uma aventura adolescente com um teor violento.

O título não trás novos atores para a saga, então todos os personagens que nos são apresentados são vividos por um elenco já conhecido, um artifício que, além de fazer bastante sentido com o que é apresentado, faz com que o público se sinta mais familiarizado e empático com eles.

A construção deste longa é diferente dos anteriores, mostrando não apenas como toda a maldição surgiu, como também mostra os desdobramentos dela em Shadyside.

No geral, Rua do Medo é um bom entretenimento para aqueles que gostam de produções com histórias de mistérios com toques de terror. Mesmo com pontos baixos, a trilogia entretém e mantém a curiosidade aguçada. O fim apresenta a possibilidade de mais filmes serem feitos e continuarem a trama, mas caso isso não se concretize, os três longas ainda são uma boa fonte de diversão.

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