Review | Pokémon Sun e Moon

Nova geração consegue trazer diversas novidades sem afetar as mecânicas familiares da franquia

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Review | Pokémon Sun e Moon

Em 2016 a Nintendo e a Game Freak celebram os 20 anos da franquia dos monstrinhos de bolso com Pokémon Sun e Moon. São duas décadas criando e estabelecendo um padrão que os fãs já conhecem de cor. Mas os novos jogos surpreendem aqueles que esperam a mesma experiência de sempre.

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Faz muito sentido, já que Alola se mostra, desde o começo, uma região com cultura e tradições próprias. Esta é a primeira vez que a franquia explora realmente as diferenças entre as localizações de cada geração, o que seria algo muito lógico no mundo real, então por que não seria igual em Pokémon? Nos faz perguntar por que demorou tanto para isso acontecer.

Um novo mundo de aventuras

A sétima geração de Pokémon é a mais diferente logo de cara. Os personagens deixam de ter um visual em SD (com corpo pequeno e cabeça grande) e adotam um estilo com proporções mais realistas. O próprio mapa de Alola foge dos padrões anteriores, deixando de lado os caminhos em linhas retas e adotando um design mais dinâmico, com curvas e ladeiras que ajudam a dar impressão de que as ilhas têm um formato mais natural do que o que costumamos ver nos outros jogos.

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Inicialmente, a história parece ser uma reprise do que vimos antes: você é um garoto ou uma garota que se muda para Alola e começa uma jornada como treinador Pokémon, no caminho encontra uma organização maligna com um plano megalomaníaco que você deve impedir. Mas é na execução que Sun e Moon se destacam do resto da franquia.

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Uma das novidades são as Ultra Beasts, criaturas misteriosas vindas de outra dimensão que podem ou não serem tipos desconhecidos de Pokémon. A história, que gira em torno delas, é cheia de suspense e consegue trazer surpresas agradáveis. É realmente interessante acompanhar os eventos e se surpreender com as revelações durante o progresso da aventura.

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Os jogos também deixam de lado os tradicionais Ginásios, o que muda bastante o fluxo do jogo. Desta vez você precisará superar provas (Trials) criadas por capitães espalhados na região e depois enfrentar o Kahuna de cada ilha, que têm papeis mais parecidos com os líderes.

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Estes desafios são diferentes e nem sempre envolvem batalhas, o que é uma mudança bastante bem-vinda. A cada momento você fará uma atividade diferente para provar seu valor. Na Trial de fogo do Kiawe, por exemplo, você precisa aprender uma coreografia e descobrir o erro na dança que os Marowak apresentam, o que gera alguns resultados bastante engraçados.

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Mesmo depois de terminar o jogo a aventura continua, como já é costume na franquia. Normalmente é aqui que as atividades se expandem. Além de ainda mais missões principais que revelam novos detalhes das Ultra Beasts, jogadores podem visitar a Battle Tree para enfrentar treinadores clássicos de gerações anteriores, criar Pokémon, completar a Pokédex, explorar as ilhas em busca de novos segredos e mais.

Ah, dá para colecionar roupas também. Aliás, a customização dos personagens nesta geração está maior do que em X e Y, sendo possível alterar camiseta, calças, sapatos, meias, cabelos, olhos, bolsas, óculos, chapéus (ou ficar sem) e acessórios. Personagens femininas também podem utilizar maquiagem. Embora muitas das opções sejam apenas estampas diferentes para o mesmo item, cada treinador consegue parecer único.

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Redescobrindo o universo de Pokémon

Embora pareça o mesmo jogo de sempre por fora, Pokémon Sun e Moon trazem muitas mecânicas novas que mudam o jeito de jogar a franquia. Por exemplo, não existem mais as HMs (Hidden Machines). Estes golpes agora são considerados técnicas comuns e não são mais necessários para explorar o mundo. Em vez disso, você terá os Ride Pokémon, montarias que substituem estas habilidades e ainda servem para viajar mais rápido.

Tauros, por exemplo, pode quebrar pedras. Stoutland pode farejar itens escondidos. Charizard o leva instantaneamente para qualquer ponto já visitado, como o antigo Fly. Ainda há outros, cada um com uma habilidade própria.

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As batalhas também estão um pouco diferentes. Pokémon selvagens podem chamar ajuda no meio da batalha, o que é uma oportunidade de encontrar novos monstros para capturá-los, mas que também pode atrapalhar seu progresso.

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Os novos monstros, as versões de Alola dos Pokémon de Kanto e os Z-Moves, golpes poderosíssimos que podem ser utilizados apenas uma vez por luta, também dão uma dinâmica nova para as batalhas, aumentando o número de estratégias que podem ser adotadas pelos treinadores.

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A geração também introduz o Poké Pelago, formado por um conjunto de ilhas, cada uma com uma atividade diferente para os monstrinhos guardados no PC. Nelas é possível, por exemplo, cultivar Berries, explorar cavernas em busca de itens e treinar os atributos de seus Pokémon.

O Festival Plaza também é outra novidade: uma praça onde é possível encontrar jogadores do mundo todo para jogar minigames, trocar e batalhar. Lá também é possível habilitar lojas especiais que oferecem serviços diferenciados dos encontrados no mapa normal, que também podem ajudar a treinar atributos com EVs, aumentar amizade de monstrinhos, conseguir itens especiais e mais.

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No entanto, o Festival Plaza pareceu uma oportunidade desperdiçada. Enquanto na geração anterior era possível ficar conectado o tempo todo para interagir com outros jogadores enquanto aproveita a aventura principal, desta vez é necessário acessar a opção e trabalhar apenas com ela. Acaba sendo um retrocesso, principalmente em um jogo com foco tão grande em comunicação pela internet.

Outro problema nos jogos é que eles são consideravelmente mais pesados do que o console aguenta. Os títulos enfrentam quedas bruscas e frequentes na taxa de quadros por segundo nos modelos antigos do Nintendo 3DS. O New 3DS, no entanto, sofre bem menos com isso. Isso não chega a atrapalhar a experiência, mas às vezes quebra o clima de uma batalha mais épica, por exemplo.

Novidades bem-vindas

Pokémon Sun e Moon estão longe de serem perfeitos. Eles jogam fora algumas melhorias das gerações passadas e que fazem falta, como um modo rápido de treinar atributos e principalmente um sistema de comunicação prático que podia ser utilizado o tempo todo.

No entanto, embora não sejam os melhores, os novos jogos trazem novidades muito bem-vindas à série. Eles são os mais ousados da franquia até hoje, quebrando diversos paradigmas estabelecidos há 20 anos, mas sem afetar a jogabilidade que os fãs já conhecem. Graças a isso, os títulos conseguem entregar uma experiência familiar e nova ao mesmo tempo.

Pokémon Sun e Moon foram lançados em 18 de novembro exclusivamente para Nintendo 3DS.