Review | Marvel Vs. Capcom: Infinite

Escolha sua dupla e seja o mais forte de ambos os universos

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Review | Marvel Vs. Capcom: Infinite

When’s Mahvel?

“When’s Mahvel”, ou “Marvel, quando?”, a pergunta que nunca deixou a mente dos jogadores e viciados pelo universo dos jogos de luta já pode ser respondida com um sonoro: AGORA! É hora de uma nova temporada de muito hype, toques da morte e viradas emocionantes, desta vez com Marvel vs. Capcom: Infinite. Mais uma vez as duas empresas colocam seus respectivos (heróis e vilões) na mesa para deixar o jogador decidir, baseado apenas em suas habilidades de combate quem é mais forte: Ryu ou Hulk? Sem choro.

Do anúncio até o lançamento foram nove meses descobrindo o elenco final — e não tenha dúvidas quanto a isso, o resultado era muito mais criativo no imaginário coletivo. Dito isso, gostaria de me contradizer e assumir que apesar de tudo, a lista final por mais “pé no chão” que seja, funciona muito bem para a galera que já jogava e também aos que desejam se arriscar pela primeira vez. Com exceção do Arthur (nem sei por que deixaram o personagem lá).

Só isso?

MVCI chega em seu pacote premium. Lógico que frase anterior é uma ironia nela mesma, já que tudo que a Capcom fez foi lançar seu jogo como sempre fez no passado. Modo história, arcade, treinamento, missões, galeria de colecionáveis, versus local e online. Desta vez, pensando tanto no consumidor casual quanto no hardcore mais interessado em colocar suas técnicas secretas contra outras pessoas em torneios por aí.

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Dormmamu: em MVCI não adianta querer barganhar com ele

Além dos 30 personagens já confirmados, seis DLCs chegam até o final do ano: Pantera Negra, Sigma, Viúva Negra, Monster Hunter, Soldado Invernal e Venom, agora todos confirmados. Eles fazem parte do passe de personagem vendido pela empresa, mas podem ser adquiridos separadamente. Não sei se repararam, mas a conta não bate com o número igual entre os lutadores da empresas: seria um sinal de que a Capcom estaria pensando num possível futuro após o fim do contrato com a Marvel, para continuar atualizando o game com lutadores da empresa somente?

Ainda sim, nada de X-Men, que fique bem claro. É de um infortúnio terrível omitir lutadores tão incônicos do crossover entre as empresas, mas também não é nenhuma surpresa, visto tudo que anda acontecendo no mundo do cinema e do entretenimento em geral.

De volta ao que temos em mãos, já falei por aqui que todos os personagens antigos sofreram alterações em seus estilos de combate. Tudo com aquele ar fresco de jogo inédito, visual atualizado, combos e tempo de sobra para dissecá-los em horas e mais horas na sala de treinamento.

Em busca da trama perfeita

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Novo no rolê, Jedah vai dar trabalho para os heróis (e alguns vilões)

Unir o mundo dos videogames e o dos quadrinhos (e cinema) não é uma tarefa fácil. E, desta vez, a Marvel fez questão de ressaltar que trabalharia de perto na história do game — o anterior trazia apenas os tradicionais finais engraçadinhos dos jogos clássicos.

E foi para isso que a Marvel Games foi criada: trabalhar em conjunto com os muitos estúdios que atualmente cuidam de suas franquias para levar a fidelidade e coerência entre as obras dos quadrinhos e cinema também para os games, A expectativa de que a história de Marvel vs. Capcom: Infinite fosse única e espetacular foi passada aos quatro cantos do mundo, já que contaria com o expertise de contar histórias da Casa das Ideias…

O resultado como um todo? Bem, é menos do que eles dizem, mas não é uma obra ruim. O maior problema da história foi não encontrar uma boa maneira de trabalhar tantos heróis juntos de uma forma além das “power poses” e das frases de efeito. Sério, tem hora que parece piada, já que em todo diálogo as pessoas querem “dropar o mic”.

Falta aquele tipo de direção cinematográfica visto no modo história de Injustice, por exemplo. Lá, as sequências são pensadas mais como um filme, utilizando bem CG, não apenas inserindo seus personagens num dos cenários do jogo, fechando eventuais closes em seus respectivos rostos. Em escala muito menor, claro, mas é exatamente o mesmo problema encontrado na campanha de Street Fighter V.

Um dos melhores momentos da história diz respeito a separação dos personagens em equipes táticas. Os roteiristas conseguiram trabalhar as situações de forma muito mais convidativa, em vez de jogar todo mundo na Torre dos Vingadores e simular uma mini Guerra Civil com um recorte de frases de vitória de jogos e passagens dos filmes do universo cinematográfico da Marvel. Quando existiam núcleos de ação, tudo funcionava realmente como um roteiro divertido.

Os grandes vilões da trama, no entanto, estão perfeitamente encaixados no contexto e não precisam atuar forçadamente entre si. Talvez pelo fato de fazer um bom tempo que não tínhamos notícias de Sigma (e, por isso, esquecemos muito da sua personalidade), mas ele e Ultron fizeram um belo par. O resto não vou falar para não estragar a experiência, mas contribuem para o triunfo do mal.

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Eles não são um casal, mas quase rola um clima ali…

Algo escondido com carinho dentro de MVCI são as conversas especiais que acontecem de acordo com as duplas que o jogador escolhe. Strider ao enfrentar Thanos, por exemplo, diz que vai acabar com o problema de sua filha, finalmente (já que Gamora e Hiryu trabalham juntos na história principal). Hulk dá um apelido especial e carinhoso para cada um dos bonecos que ele precisa trabalhar junto ou enfrentar. E cabe a você descobrir tudo.

E preste bastante atenção nas tiradinhas muito espertas de alguns personagens durante a história. Elas são responsáveis por salvar todo o contexto, na maioria das vezes.

A princesinha da empresa está de volta

Na apresentação da demo do modo história disponível na PSN, muitos notaram a mudança no visual de alguns personagens, em especial Chun-Li. A pobrezinha estava passando por um momento muito difícil em sua vida digital. E isso repercutiu de forma muito desastrosa para o game.

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Apesar do susto na comunidade, Chun-Li saiu tão boa quanto o esperado

No entanto — e é estranho dizer isso sem parecer uma desculpa –, mas MVCI rodando na sua frente é muito mais bonito do que ele aparenta nas imagens estáticas. Animações fluidas, explosões, cenários repletos de referências, tudo destruído por algumas sequências animadas em close que não faziam justiça ao todo.

Mas fiquem tranquilos, correções foram aplicadas (na medida do possível, claro). De um modo geral, os lutadores da Marvel estão visualmente muito bacanas (tirando uma possível desproporcionalidade por parte do Capitão América) — sem muitas reclamações por parte dos fãs.

Sei que é só uma agulha no meio disso tudo, mas não gostei nada da decisão da empresa em não liberar as vozes japonesas para os personagens da Capcom dentro do game. Ou melhor, aquela opção do áudio original vista em MVC3, a qual deixava somente alguns lutadores falando em japonês – Ryu, Chun-Li, Zero, Morrigan e por aí vai. Outros, como Dante, Spencer, Vergil e Haggar no modo original vinham com suas vozes americanas que são muito boas.

Minha birra é mesmo com a voz que puseram no Strider Hiryu. Parece que ele é dublado pelo personagem fictício Chop Chop Onion, de PaRappa the Rapper. A canastrice do inglês com um sotaque oriental dos filmes clássicos de Bruce Lee fez doer meus ouvidos. O engraçado é que Ryu, de kimono, descalço e karateka, o pináculo do clichê japonês, tem um inglês perfeito. Será que é porque ele é um World Warrior?

Online, casual offline e afins

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O vilão Thanos, desta vez, não foi convidado para a festa das Joias do Infinito

Os poucos jogadores online durante os testes podem não fazer jus ao que vai acontecer de verdade daqui para frente. Se tudo continuar como o que experimentei, o online de MVCI está incrível.

Funcionando com o sistema de rollback, as partidas online não poderiam ser mais fluidas. A mesma experiência offline, agora disponível para que enfrentemos jogadores de qualquer lugar. Quer dizer, qualquer lugar do Brasil, pelo menos. Espero.

Jogar contra estrangeiros um jogo de luta que requer velocidade na tomada de decisões e movimentos precisos com o mínimo de latência possível é algo que não existe. E não é culpa dos desenvolvedores, já que estamos falando de partidas intercontinentais, com os dados viajando por milhares de quilômetros, oceanos e montanhas. Se o seu celular já perde conexão no meio da Serra do Mar, imagine um hadouken viajando daqui até os EUA. Mas claro que algo mais de boa, sem o estresse de uma competição oficial, não deve ser um problema.

Dentre os principais modos offline estão um Modo Arcade, o qual precisamos enfrentar uma lista de oponentes e, em seguida, o chefão (não acredito que estou explicando o que é um modo arcade!). Não sei vocês, mas eu sempre espero minha recompensa após derrotar o último inimigo, sem perder continues, e, infelizmente, desta vez não teremos aquelas cena engraçadas do jogo anterior. Apenas um parabéns e a chance de destravar uma cor extra para o seu boneco.

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Ninguém vence o Homem-Aranha quando a disputa é agilidade

A área dedicada ao aprendizado cumpre bem o seu papel. As explicações sobre as Jóias do Infinito, uma das novas particularidades do game são super didáticas para tirar qualquer dúvida que você possa ter.

Aprender a troca ativa entre os lutadores do seu time é essencial para entender o novo sistema de combate, e o tutorial se encarrega de deixar isso bem claro também. E as missões ensinam desde os movimentos especiais de cada boneco, como também dão uma palinha de combos fáceis e alguns bem avançados. Como disse, é o pacote completo.

Marvel vs. Capcom: Infinite ainda vai muito mais além da minha semana de aprendizado e o que minhas habilidades limitadas podem desvendar do game, mas já deu para perceber que de forma bastante diferente. Se ele será um sucesso em termos de balanceamento, diversão e vida útil, só o tempo e a comunidade poderão talhar em pedra para a eternidade. Mas o que posso adiantar é que por enquanto, MVCI cumpre, com excelência, o seu papel de divertir a galera que curte uma boa pancadaria virtual.


Marvel vs. Capcom: Infinite chega oficialmente no dia 19 de setembro para PlayStation 4, Xbox One e PC com legendas em português. Esse review foi feito com uma cópia de Playstation 4 cedida pela Capcom.