Review | Mario + Rabbids Kingdom Battle

Crossover das franquias é inusitado, mas entrega um dos melhores jogos do ano

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Review | Mario + Rabbids Kingdom Battle

Há pouco menos de um ano surgiram os primeiros rumores de que a Ubisoft faria um jogo juntando as franquias de Mario e dos Rabbids – com gênero de estratégia, ainda por cima. Naquela época, este era um conceito maluco demais e, sinceramente, não parecia ter futuro nenhum para muitos fãs no mundo, inclusive eu mesmo. Mas fico feliz, porque estávamos todos redondamente enganados.

Dizer que este crossover é inusitado não começa a descrever o quanto este título é insano, uma característica que os desenvolvedores tinham em mente o tempo todo, como o produtor Xavier Manzanares nos contou em uma entrevista. No entanto, esta união funciona surpreendentemente bem em todas as suas propostas, mostrando o carinho que os criadores tiveram para fazer desta uma experiência própria.

Rabbid Peach frequentemente rouba as cenas!
Rabbid Peach frequentemente rouba as cenas!

Caos no Reino dos Cogumelos

Explicar como estes dois mundos distintos se encontram tem tudo a ver com os coelhos malucos: a história começa com uma jovem inventora que criou um visor chamado SupaMerge capaz de fundir dois objetos. Sua casa, no entanto, é invadida pelos Rabbids e sua máquina de lavar roupas que viaja no tempo.

Sendo quem eles são, começam a mexer em tudo, incluindo no aparelho. No entanto, um deles, Spawny, se funde com o SupaMerge e acaba perdendo o controle do poder, eventualmente levando todo mundo para o Reino dos Cogumelos, que agora é tomado pelo caos e pelos Rabbids que foram corrompidos no processo.

Logo de cara já vemos o mundo de Mario de uma forma que nunca vimos antes: cheio de Rabbids fazendo sua bagunça, itens do mundo real em tamanho gigante e inimigos clássicos do encanador que com certeza não estavam prontos para esta “ameaça”.

Essa mistura dos mundos é parte importante da história e também da apresentação do jogo, que soube equilibrar muito bem os elementos de cada franquia. Qualquer fã de Mario vai reconhecer efeitos sonoros e músicas clássicas, enquanto muitas coisas acabam ganhando características que têm tudo a ver com os Rabbids.

Todos esses detalhes ficam ainda mais divertidos graças às inúmeras referências às duas franquias: um dos chefes, por exemplo, faz um número musical sobre a história de Mario, desde a primeira aparição em Donkey Kong até a participação em Mario Kart.

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Chefão Phantom mostrando seus dotes musicais antes da batalha

Não é apenas o mundo que é bem apresentado, mas também os próprios personagens. Cada um deles, mesmo sem falar nenhuma palavra, tem personalidades próprias e são animados de forma cuidadosa. Mesmo pequenos movimentos, como a forma como ficam parados esperando um comando, são cheios de detalhes que dão vida e carisma a todos.

Armados até os dentes

Para enfrentar a ameaça criada sem querer por Spawny, Mario e seus companheiros contam com diversas armas e habilidades diferentes, que utilizarão para combater inimigos e explorar quatro mundos diferentes.

Fora dos combates, os mapas são bastante lineares em geral, mas ainda existem passagens secretas para descobrir itens e diversos quebra-cabeças para resolver, mas nada excepcionalmente desafiador, infelizmente. No entanto, é na hora das batalhas que o jogo mostra o que tem de melhor.

Quem já jogou XCOM, sabe mais ou menos o que esperar. É um pouco menos complexo, mas ainda bastante profundo. “Estratégia” é definitivamente a palavra para descrever os combates, já que tudo importa: quem se movimenta primeiro, como, onde sua unidade para, a ordem dos comandos que você escolhe antes e quem você atacará antes.

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É possível, com apenas um personagem (Mario, neste caso), andar até um companheiro para saltar na cabeça de um adversário, cair atrás de uma cobertura com 100% de defesa, ativar uma habilidade que o faz reagir ao movimento inimigo e atacar antes. Se este tiro inicial gerar um Superefeito que jogue o inimigo para cima, fará a habilidade de Mario ativar, resultando em mais um ou dois tiros críticos.

Este foi um exemplo simples de algo que pode ser feito logo no começo do jogo, antes de adquirir todas as habilidades e personagens. Tudo precisa ser pensado com calma e de forma antecipada. Isso porque Mario + Rabbids, mesmo tendo essa carinha bonitinha, não é um jogo fácil e aqueles que o subestimarem vão apanhar bastante.

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Parte dessa dificuldade vem do fato de que podemos apenas ter três heróis no grupo: Mario e mais dois de sua escolha. Não há itens, apenas alguns personagens podem recuperar HP e é impossível reviver companheiros durante a batalha.

Aliás, caso um deles caia, isso exige que você altere a unidade para a próxima batalha, incentivando que o jogador utilize todos os personagens disponíveis, que são: Luigi, Peach, Yoshi, Rabbid Peach, Rabbid Luigi, Rabbid Mario e Rabbid Yoshi. Cada um deles tem suas próprias armas e habilidades, exigindo estratégias para a escolha de quando e como usar cada um.

Se as coisas estiverem muito difíceis, é possível ativar um modo fácil ao iniciar uma batalha, que recupera o HP e dá vida adicional para todas as unidades. Mas vencer a luta e superar os obstáculos ainda depende apenas de sua sagacidade.

Os inimigos são variados, tanto os chefões quanto os comuns, e muitos exigem táticas específicas para serem derrotados. Um deles avança sempre que é atingido, outro usa sempre um escudo impenetrável na frente, alguns se teleportam. Estar atento em todo o campo de batalha é essencial.

As batalhas não são longas em geral, o que é muito bom e impede combates mais difíceis de serem maçantes. Além disso, vencer os desafios é sempre satisfatório, ajudando a manter a motivação para sempre melhorar.

Infelizmente, achei a campanha do jogo um pouquinho curta com apenas quatro mundos para explorar, mas não significa que tem pouco a ser feito. Existe também um modo multiplayer no qual dois jogadores montam equipes e precisam completar certos desafios e missões, mas não é nada excepcional e, caso não jogue, fará pouca falta.

Além disso, depois de completar estes mundos (ou o jogo todo) é possível retornar para mapas antigos e fazer desafios adicionais que realmente testarão suas habilidades de planejamento.

Mais do que Mario ou Rabbids

No fim das contas, Mario + Rabbids consegue ser acessível o bastante para que todo tipo de público aproveite, mas ainda assim desafiador, sem que acabe ficando chato ou repetitivo. A história e personagens também são muito carismáticos, resultando em um dos títulos mais interessantes e divertidos do ano.

O jogo vai além de ser apenas um título que se aproveita das duas franquias. Embora use bem os elementos de Mario e de Rabbids, ele consegue oferecer uma experiência inusitada e, mais importante, ser algo totalmente próprio. Uma continuação definitivamente não seria uma má ideia.


Mario + Rabbids Kingdom Battle está disponível exclusivamente para Nintendo Switch. Este review foi feito com uma cópia do jogo cedida pela Ubisoft.