Review | Horizon Zero Dawn

Com uma história cativante, aventura pós-apocalíptica é título essencial no PlayStation 4

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Review | Horizon Zero Dawn

Desde que foi anunciado para PlayStation 4, Horizon Zero Dawn cativou por apresentar uma premissa bastante incomum: uma personagem tribal caçando criaturas robóticas e utilizando um arsenal que mistura armas primitivas com tecnologia avançada. O hype foi imediato, o que naturalmente gera a questão: será que o jogo da Guerrilla Games atenderia todas as expectativas?

A verdade é que, na época, ainda não sabíamos exatamente o que esperar do jogo. Mas hoje sabemos: Horizon Zero Dawn é um RPG de ação em mundo aberto bastante ambicioso, com grande foco na história e nos personagens. E a verdade é que ele realmente alcança o patamar que deseja.

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Um apocalipse diferente

A história do jogo é, de longe, o ponto mais forte dele. Não apenas graças à sua ambientação única, mas também por conta do cuidado e do nível de detalhes que este mundo peculiar apresenta para o jogador.

Diferente de praticamente todos os cenários pós-apocalípticos, onde tudo é cinza, destruído e decadente, Horizon Zero Dawn apresenta um mundo deslumbrante. Campos abertos cheios de vida selvagem, plantas, rios, montanhas e mais.

Tudo é incrivelmente lindo de se ver e a combinação de construções futuristas com natureza é um espetáculo. Mesmo no PlayStation 4 comum, onde as imagens deste review foram capturadas, o jogo apresenta um visual impressionante e provavelmente ficaria ainda melhor em um PS4 Pro.

O jogo, inclusive, tem um modo de fotografia, onde é possível modificar configurações para melhorar foco, enquadramento, adicionar efeitos e até carimbos
O jogo tem um modo de fotografia para aproveitar a paisagem, onde é possível modificar configurações para melhorar foco, enquadramento, adicionar efeitos e até carimbos

Mas nem só de aparências se mantém Horizon Zero Dawn, o que é sempre uma boa notícia. A forma como este mundo é situado e como a trama é desenvolvida também são aspectos importantes do título, que maravilham e empolgam ao mesmo tempo.

Tudo começa com Aloy, que é exilada da tribo dos Nora assim que nasce. Ela é enviada para ser criada por Rost, outro exilado. Os motivos para que ambos os personagens sejam excluídos da vila são alguns dos grandes mistérios que a personagem tentará resolver ao longo de sua jornada.

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Aliás, o jogo é recheado de mistérios, que mantém o jogador sempre interessado nos acontecimentos. Por exemplo: o que houve com o mundo? O que aconteceu com as civilizações do planeta (chamadas de Antigos pelas tribos)? Por que o mundo é dominado por máquinas? E qual é a origem de Aloy?

Um dos motivos para este jogo funcionar tanto é justamente o fato de ele ser uma franquia nova. Sabemos tanto destes acontecimentos quanto as pessoas deste mundo. Então a cada questão que surge, cada revelação, tudo é uma surpresa. E o jogo é muito bem alimentado com este tipo de conteúdo, sempre dando alguma coisa intrigante para o jogador.

Ao mesmo tempo, é interessante porque nosso conhecimento do mundo real nos permite ver as coisas de um ângulo diferente destes povos. Durante sua aventura, Aloy encontra registros dos Antigos que falam de coisas como corporações, sistemas, rede. Eles não sabem o que são estes termos, então é bastante divertido acompanhar a visão deles disso tudo. Um relógio é algo comum para nós, mas para eles é algum tipo de pulseira misteriosa, por exemplo.

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Aliás, ler e ouvir estes registros do passado são atividades muito interessantes. Diferente de outros jogos onde isso é apenas um conteúdo adicional para alguns jogadores que têm interesse na história expandida, aqui eles fazem sentido do ponto de vista narrativo, justamente pelo fato do jogador não compreender o que realmente aconteceu com o mundo, assim como os personagens.

Um novo ícone para a indústria

Outra coisa que funciona é a própria Aloy. Ela é uma personagem extremamente forte, carismática e muito bem desenvolvida. Quando ela diz alguma coisa ou faz algo, você compreende o motivo por trás daquilo.

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O estúdio fez um bom trabalho ao torná-la tridimensional. Ela sente raiva, compaixão, conflitos, determinação, inspiração, empatia. Ela é inteligente, inocente, sensível, mas ao mesmo tempo durona. Ela é um conjunto de várias coisas, como uma pessoa real, o que a torna ainda mais fácil para que o jogador se identifique e se importe com o que acontece ao seu redor — é totalmente crível e não apenas mais um personagem.

Por conta disso, você não quer apenas desvendar os mistérios do mundo por curiosidade própria, mas também para ajudar Aloy a descobrir sobre si mesma e ver o processo de evolução da própria protagonista ao longo da aventura.

Na verdade, todos os personagens do jogo, até mesmo NPCs menores, são muito bem escritos, cada um com uma personalidade própria, interesses divergentes e visões de mundo diferentes uns dos outros. Fazer uma missão paralela é um prazer, não pela atividade ou pelas recompensas, mas porque você tem uma oportunidade de conhecer mais sobre este universo e estas pessoas. Mais uma coisa que você compartilha com Aloy, que viveu na mesma região a vida toda e agora está desbravando novos lugares.

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É hora da caçada

Horizon Zero Dawn se destaca por sua história, ambientação, roteiro e personagens. Um feito bastante grande e raro. Mas infelizmente o mesmo não é verdade para o gameplay. Não que seja ruim! Longe disso, afinal, suas mecânicas funcionam muito bem em geral. Mas existem defeitos em alguns pontos, enquanto outros poderiam ser melhor aproveitados.

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O jogo é classificado como um RPG de ação de mundo aberto. Vamos por partes. Para começar, ele parece mais um jogo de ação com elementos de RPG. Isso é importante, porque afeta diretamente como algumas coisas funcionam.

Por exemplo, você até tem opções de falas em algumas poucas conversas, mas apesar de mudar a resposta de Aloy, isso aparentemente não afeta nada mais. Logo, você escolhe por mera diversão e não porque aquela resposta é importante.

Aloy também tem uma variedade pequena de equipamentos e eles não ajudam tanto assim seu desempenho nas batalhas. Um traje pode dar defesa elementais, enquanto outro aumenta sua furtividade, por exemplo. São atributos que podem ajudar um pouco, mas não são essenciais. Você pode facilmente adquirir uma roupa mais rara no início do jogo que combina mais com seu estilo e depois nunca mais trocá-la, tornando todas as outras inúteis.

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As armas têm uma influência maior, mas ainda assim não é excepcionalmente necessário que você compre as melhores. De qualquer forma, não é muito difícil consegui-las também, então é outra preocupação que o jogador não tem.

As próprias habilidades são, em geral, pouco úteis. Terminei o jogo com vários pontos de habilidade que ainda não tinha usado: primeiro porque eu não sentia a necessidade de adquirir técnicas, segundo porque não sabia mais o que pegar, já que não tinha uso para nenhuma das outras.

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Esses elementos, apesar de não serem realmente defeitos, são uma pena, porque os combates do jogo funcionam muito bem. É divertido preparar armadilhas, encontrar os pontos fracos e pensar no que vai fazer em seguida, mas existe pouco incentivo para desenvolver estratégias, algo que poderia ter sido mais profundo se estes elementos fossem melhor aproveitados.

Muitos combates, inclusive, não incentivam sua criatividade e colocam Aloy contra um pequeno exército de inimigos, valorizando mais força bruta do que planejamento do jogador. Um desperdício, principalmente levando em conta o que seriam as lutas com chefes, que são só versões mais poderosas de alguma máquina comum com outros inimigos atrapalhando.

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Outra questão que deixa a desejar é o próprio mundo aberto, que é enorme e lindo. Mas você não tem muitos motivos para explorá-lo e conhecê-lo, já que o jogo geralmente mostra a localização de todas as atividades. E existem pontos de viagens rápidas em todo canto, então não tem motivo para sair andando.

Aliás, é possível converter algumas máquinas específicas para montá-las e atravessar o mapa mais rápido. Algo que também foi muito pouco útil para mim, já que geralmente era só me “teleportar” para a fogueira mais próxima do destino e ir andando.

No entanto, nenhum destes pontos “negativos” realmente atrapalham o jogo. Apesar destas pequenas deficiências, Horizon Zero Dawn ainda funciona muito bem e em momento nenhum o jogador fica entediado ou acha chato fazer alguma tarefa.

Por falar nisso, não faltam tarefas, já que o jogo tem inúmeras atividades paralelas, como missões para NPCs, desafios, colecionáveis, eliminar todos os inimigos de uma determinada área, “calabouços” chamados Caldeirões e muito mais.

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Apesar de pecar em algumas mecânicas, nada tira a diversão ou o brilho deste título. A história tem mais do que o suficiente para manter qualquer jogador engajado na aventura e desvendar os mistérios do mundo pós-apocalíptico é um prazer, em parte graças à companhia da excelente protagonista, tornando o jogo essencial para qualquer dono do console.


Horizon Zero Dawn será lançado em 28 de fevereiro exclusivamente para PlayStation 4. Esta análise foi feita com uma cópia do jogo cedida pela Sony.