Review | Halo Wars 2

Se você nunca jogou um RTS, talvez seja o momento!

Thiago Machuca Publicado por Thiago Machuca
Review | Halo Wars 2

É curioso pensar como algumas coisas mudam ao longo dos anos. Há 8 anos, quando o primeiro Halo Wars foi lançado, havia esse sentimento de estranheza com a ideia de pegar um universo criado para um FPS (First-Person Shooter) e transformá-lo em um RTS (Real Time Strategy). E agora, com o lançamento de Halo Wars 2, a sensação é que a tal produção paralela só tem a somar ao riquíssimo universo de personagens e histórias criados ao longo dos últimos anos.

O primeiro ponto positivo de Halo Wars 2: sua história e seus personagens. É tão bom ver que a franquia Halo cresceu de uma maneira tão interessante a ponto de se tornar maior até mesmo do que Master Chief. São histórias e personagens que possuem alma. Nem tudo agora é sobre John-117 — que, por sinal, não está presente neste título.

A história ainda segue a tripulação da UNSC Spirit of Fire: todos despertam da criogenia após vagarem 28 anos pelo espaço, só para descobrirem a ameaça do surgimento de uma nova facção alienígena e o perigo presente na Ark, uma perigosa estação Forerunner que fabrica os tão terríveis anéis conhecidos como Halo, armas que pode simplesmente exterminar todos os seres vivos da galáxia.

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Interessante apontar que, enquanto o primeiro Halo Wars se passa 21 anos antes dos eventos de Halo Combat Evolved, sua sequência salta quase três décadas. Justamente para trazer tais eventos e personagens para próximo aos acontecimentos de Halo 5 Guardians. Os eventos apresentados aqui podem influenciar Halo 6?

Venha pela história, fique para o gameplay

É obrigatório ter jogado o primeiro game? Não necessariamente. O roteiro da sequência trabalha em algo totalmente novo, sem interligar eventos do game anterior. Halo Wars é sobre outro confronto, em outro lugar da galáxia, contra outros oponentes. Alguns personagens retornam, mas é uma nova aventura, uma nova jornada.

Claro que ao desconhecer a trama do game anterior alguma coisa se perde, como as histórias do Capitão James Cutter, a Dra. Ellen Anders ou os Spartans Alice, Jerome e Douglas. Felizmente, a simpatia e o carisma por estes personagens surgem ao longo da campanha.

E fique tranquilo, pois quem nunca jogou qualquer outro game da franquia Halo não irá ficar totalmente perdido. E o que não for compreensível, o game dá um jeito, apresentando uma extensa biblioteca de dados, com textos (em português) explicando a história e os conceitos daquilo que se fizer presente na trama e que alguém possa querer saber mais.

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A história é ótima, realmente empolgante. Há certo ar de roteiro hollywoodiano aqui, em especial por conta das belíssimas animações em CG criadas pela Blur Studios, que também foi responsável pelas cutscenes do primeiro Halo Wars e da versão de Halo 2 contida em Halo: The Master Chief Collection.

Estas animações dão vida a alguns personagens, em especial a inteligência artificial Isabel e ao vilão Atriox, que não estavam presentes no game anterior. As expressões de Isabel e sua personalidade a tornam uma das coisas mais reais que já vi em uma CG de jogo conseguir criar. Superam em muito as animações de franquias de calibre como as famosas CGs de Final Fantasy.

A respeito de Atriox, que se mostra como um vilão digno do universo de Halo, sendo aterrorizante e assustadoramente forte, é impossível pensar que ele não deve ficar restrito apenas a série Wars. Vê-lo batalhar contra três Spartans e sair vitorioso é de gelar a espinha.

Porém, uma decepção: Atriox é mais como uma presença inatingível em Halo Wars 2. O jogador enfrenta seu exército de Bandidos (como são chamados), mas nunca chega de fato a combatê-lo, sendo restrito apenas um de seus líderes: Decimus — que tem uma fisionomia e visual semelhante à Atriox, se isso lhe servir de consolo.

Falando em combate, mesmo sendo um RTS, a campanha do game tem um ar de ação e é frenética ao longo de suas 12 missões. Há certo um script dentro dos combates, como um roteiro a ser seguido que vai criando uma dinâmica envolvente, casando perfeitamente trama e jogabilidade.

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As missões não se limitam a criar um exército e derrubar linhas inimigas, como um RTS mais tradicional. Há missões na qual você se verá fugindo de dezenas de inimigos em um único Warthog, fases em que bases não poderão ser criadas e o jogador terá que lidar com hordas de inimigos com o que tiver em mãos, em outras você terá que sobreviver por trinta minutos criando e se armando da forma mais estratégica que conseguir, e até mesmo missões na qual um grupo de snipers precisam ir avançando em território inimigo combatendo os mesmo a distância. É uma sensação de sempre estar fazendo algo diferente.

Essa diversidade ajuda a evitar a fadiga do modo campanha e a distanciá-lo de uma espécie de “multiplayer simulado”. Assim, Halo Wars 2 proporciona dois tipos bem distintos de experiência, a campanha single player e as batalhas online no multiplayer.

Os controles

Em jogos de RTS é importante saber o básico de suas regras. O jogador deve criar uma base que irá gerir recursos (energia e suprimentos) para criar diferentes pelotões, equipamentos e veículos. Crie seu exército e mande-o para dominar pontos, outras bases e eliminar inimigos. E conseguir gerenciar tudo isso de forma rápida e prática por meio de um layout do controle é importante.

Entretanto, encontrei algumas dificuldades neste ponto. Na verdade isso diz respeito a táticas mais complexas de controle de tipos de unidades, feitas por meio do gatilho direito (RT) no controle. Porém, esse recurso é meio opcional, pois o jogador só o aprende se resolver fazer o tutorial avançado. Nem mesmo ao longo da campanha acaba sendo explicado como selecionar unidades específicas. Parece um recurso para veteranos mesmo.

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Nas configurações mais simplificadas, o jogo se sai com melhores resultados. Com o RB você pode convocar apenas as unidades visíveis na tela, clicando duas vezes no RB se convoca todas as tropas de todos os lugares e com o botão A é possível selecionar apenas uma única unidade, ou ao segurá-lo é possível passar com o A por algumas tropas e selecioná-las.

De resto, tudo funciona como esperado. Líderes e certos veículos possuem habilidades especiais com o botão Y. Criar bases e recursos é bem tranquilo, com o game ensinando tudo de forma fácil a ponto de qualquer um conseguir entender. E o sistema de tipos de classes de unidades segue o clássico Pedra, Papel e Tesoura: Infantaria derruba Nave, Nave destrói Tanque, Tanque abate Infantaria.

Diferentes Classes, resultados diferentes

Além destas classes básicas é claro que há outras que ampliam esse conceito, mas sem distorcer suas regras. Há unidades com lança chamas, helicópteros que reparam o dano de veículos, robôs e aranhas mecânicas, unidades de snipers que derrubam os perigosos Hunters rapidamente e assim por diante. As bases também podem evoluir, permitindo unidades aprimoradas. Números nem sempre vencem se uma base não puder fornecem veículos e infantarias mais fortes e resistentes.

Já os líderes, os Spartans, são personagens bem interessantes e poderosos. Estes possuem habilidades especiais que vão sendo habilitadas ao longo das partidas, através de um menu carrossel ao se pressionar o LT. Os líderes podem curar o pelotão, plantar minas, coordenar ataques aéreos e muito mais. Estes também sequestram veículos inimigos, tomando para si a posse deles, o que são sempre úteis em batalha.

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Apesar das primeiras missões serem fáceis, a partir da quinta as coisas ficam mais complicadas. Morrer pode significar recomeçar tudo de novo se o jogador não se atentar ao sistema de salvamento. Quer uma dica? Ao longo da missão, lembre de pausar e salvar manualmente o game nos slots que existem nesse menu. Isso é bem útil para não se frustrar ao morrer faltando pouco para o fim da missão e ter que recomeçá-la do zero. Ao salvar vários momentos de sua missão, basta carregar o save no ponto desejado, tornando desnecessário recomeçar do início.

Multiplayer online… ou offline

Jogar um game de estratégia online contra jogadores veteranos que normalmente surram jogadores novatos pode ser um tanto frustrante, não? Antes de continuar saiba que todos os modos multiplayer de Halo Wars 2 podem ser jogados de forma offline, contra a I.A. do game, configurada em quatro níveis de dificuldade. Também é uma boa forma de treinar até se achar confiante para competir (e se divertir) contra outros jogadores.

Sobre os modos online, Halo Wars 2 apresenta uma boa variedade de modos divididos entre duas categorias principais: uma mais tradicional, baseada em criação e dominação de bases para pontuar; e o modo Blitz, que mistura elementos de RTS com um sistema de cartas. Este último uma novidade em relação ao game anterior.

Sobre o modo Blitz, digo que é a modalidade encontrada pela Microsoft para coexistir com o sistema de cartas por meio de microtransação, ou seja, podem ser compradas com dinheiro real. Neste modo não há bases, os jogadores utilizam cartas que custam energia que deve ser coletadas ao longo da partida, seja em locais específicos, derrotando inimigos ou apenas esperando o relógio da partida avançar.

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O jogo vem com um repertório bem decente de cartas. Terminar a campanha libera boa parte delas. Ao jogador é permitido montar decks com líderes com habilidades próprias e cartas exclusivas. Comprar cartas serve para fortalecer o que o jogador já possuir. Ou seja, as cartas obtidas são permanentes. Elas não vão embora ao serem utilizados em partidas, pois quanto mais cartas iguais o jogador adquire, mais resistente e forte o pelotão da respectiva carta irá ficar permanentemente. O que certamente irá gerar preocupação na comunidade já que sempre haverá aqueles jogadores que pagarão e terão o deck com cartas de altíssimo nível. Resta ver como os desenvolvedores irão lidar com esse desbalanceamento, quando e se acontecer.

Dentro da modalidade Blitz também se encontra o modo Tiroteio, que é uma espécie de modo Horda. Monte sua base e sobreviva a ondas e ondas de inimigos, com a I.A. ficando mais forte e resistente a cada onda. Sobreviva até onde conseguir.

Já o modo multiplayer tradicional pode ser disputado entre três tipos de game: o tradicional Mata Mata que consiste em aniquilar o oponente ou equipe rival, o modo Dominação na qual equipes ou jogadores disputam bases e áreas e ganha quem pontuar por mais tempo ao final do relógio e, por último, o sensacional modo Fortaleza.

Este último vale comentar um pouco mais, pois foi o que mais me cativou. Nesta modalidade os elementos de energia e suprimento são ilimitados, então os jogadores já possuem tudo a mão logo no começo da partida, cabendo decidirem expandir suas bases e criar mais e mais unidades, com um relógio na tela que vai liberando novos equipamentos e tecnologias conforme a partida progride. Sendo assim os jogadores não podem iniciar as partidas com seus veículos e armamentos mais fortes. Todo mundo progride ao mesmo tempo, vence aquele que souber aplicar a melhor estratégia para manter bases e dominar oponentes.

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Todos possuem modalidades que podem ser disputados entre 1 vs 1, 2 vs 2 e 3 vs 3: quanto mais jogadores, mais divertidas e imprevisíveis acabam sendo as partidas.

Tenha em mente que no momento em que esta análise está sendo publicada os servidores online estão liberados há apenas alguns dias, graças ao acesso antecipado daqueles que adquiriram a versão Ultimate de Halo Wars 2. Significa que não pude testar com afinco a qualidade das partidas ou a instabilidade dos servidores online.

A verdadeira prova de fogo dos servidores e do multiplayer online começa esta semana, com o lançamento para o público geral. Até onde testei, nada me desanimou.

No que diz respeito à bugs e glitches, encontrei apenas alguns durante o modo campanha, mas nada que soasse qualquer tipo de alarme. Houve uma ou duas ocasiões nas quais o game congelou por completo, o que só foi resolvido saindo e religando o jogo novamente. Tirando isso, não houve nada que me preocupasse com esta versão de lançamento do game.

Um convite para RTS

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Halo Wars 2 é um excelente título para essa safra inicial de 2017. Vem em um momento oportuno para a franquia Halo, apresenta personagens interessantes e um escopo que dá margem a uma possível sequência. Mesmo para quem não é fã do estilo RTS vai acabar curtindo a trama e a jogabilidade mais frenética.

Sua campanha, que dura entre seis e oito horas, é um dos pontos altos do título, mérito em parte das belíssimas animações que dão vida à trama.

E as modalidades multiplayer surgem para acrescer ao título, com variedade e modalidades que podem e devem também ser experimentadas individualmente (offline). Até mesmo cooperativamente vale a pena.

Mesmo que a jogabilidade possa ser um pouco travada na versão de console, devido à limitação de um RTS em um joystick, o game é competente o suficiente para não empatar o jogador, o que tornaria a experiência ruim. Pelo contrário, é notável o esforço para ser o mais acessível e funcional possível, pensando em todos os tipos de jogadores, novatos ou veteranos.

Quem nunca jogou um RTS, certamente é um convite para tentar.

Confira a galeria com screenshots:


Halo Wars 2 já está disponível para Xbox One e Windows 10. Esse review foi feito com uma cópia concedida pela Microsoft.