Projeto Gemini | Crítica

Estrelado por Will Smith em dobro e dirigido por Ang Lee, o filme propõe uma ótima experiência tecnológica

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Projeto Gemini | Crítica

Filmes de ação são lançados aos montes, muitas vezes sem nada de novo que chame a atenção e, por isso, acabam se perdendo em meio a tantos outros lançamentos. Então, novos projetos têm a necessidade de trazer alguma novidade para conseguirem se destacar, como é o caso de Projeto Gemini, dirigido por Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain) e estrelado por Will Smith.

O longa se diferencia de outras produções pelo uso de novas tecnologias, como o novo 3D+, que permite uma visualização de 60 quadros por segundo – mais do que o dobro da taxa tradicional de quadros do cinema atual, de 24. As imagens são projetadas a partir de um filme originalmente gravado em 4K e 120 quadros por segundo, o que deixa as imagens ainda mais próximas ao que o olho humano está acostumado e com mais profundidade de campo. Este já é um grande motivo para considerar Projeto Gemini uma experiência de imersão muito bem feita.

Com isso, a fotografia do longa se destaca e faz com que o espectador sinta Ang Lee na produção. O uso de tomadas abertas permite a valorização do 3D pelas diversas camadas do quadro. O diretor também distorce imagens por meio do uso de lentes grande angulares, criando lindas cenas de encher os olhos. Os momentos em Cartagena, na Colômbia, e em Budapeste, na Hungria, ganham um brilho a mais na mão do diretor que soube utilizar muito bem a junção de um belo cenário com tecnologia disponível.

O avanço tecnológico é o que fez a história se tornar possível de ser filmada. A trama do filme é simples, mas a inovação utilizada a torna extremamente interessante. Will Smith vive Henry Brogan, um assassino de elite – o melhor dos Estados Unidos – que se torna alvo de uma perseguição. Para a sua surpresa, quem está atrás dele é um jovem agente fisicamente idêntico a Brogan, Júnior. Ao lado de Danny (Mary Elizabeth Winstead) e Baron (Benedict Wong), o atirador descobre então que seu inimigo faz parte de um projeto secreto e se trata de uma versão sua 30 anos mais jovem, clonada pelo vilão Clay Verris, interpretado por Clive Owen.

Júnior é um personagem criado a partir de Will Smith, ou seja, o ator não foi rejuvenescido. O jovem atirador foi criado totalmente em CGI com base na interpretação de Smith. Então, a escolha do ator para estrelar este filme é um dos maiores acertos da produção. Como o primeiro grande papel de destaque de Will Smith foi em Um Maluco No Pedaço, quando o ator justamente tinha a idade de Júnior, rever um rosto amplamente conhecido dentro da cultura pop impressiona o público, seja pela verossimilhança ou pela nostalgia.

O desenrolar da trama é fácil e acontece de maneira rápida, sem deixar o ritmo cair. Projeto Gemini segue a fórmula de franquias como James Bond e Missão Impossível, com cenas de lutas muito bem coreografadas e tensas perseguições que se utilizam muito bem do 3D+.

Henry Brogan, porém, diferente dos outros heróis de filmes de ação, é falho. Ele é o melhor atirador possível, mas enfrenta dificuldades, por exemplo, ao pilotar uma moto em alta velocidade enquanto atira. Além disso, ele sofre por não conseguir se relacionar e ainda é assombrado pelos fantasmas de seu passado; Júnior é uma tentativa de aperfeiçoar Brogan.

Os personagens funcionam, mas não são aprofundados: mesmo com a tentativa de mostrar o passado de alguns, nada passa do superficial.

A narrativa não inova e não rompe nenhuma barreira, mas é certeira para o que o filme propõe. Fica nítido que de a história é ditada pela tecnologia, sem ela, a narrativa perderia o brilho e a produção cairia no esquecimento rapidamente.

Projeto Gemini é um daqueles filmes que obriga o espectador a ir a um cinema que possa disponibilizar a experiência certa e imersiva, caso contrário, ele é apenas mais uma grande produção de ação.