Profissão esports: Halier, o treinador importado dos esportes

Treinador da equipe de League of Legends da OPK trabalhava com esportes antes de esports

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Profissão esports: Halier, o treinador importado dos esportes

Jogadores, analistas, técnicos, comentaristas, narradores. São muitas as áreas em que um profissional pode se encaixar no mundo dos esports, indo das mais tradicionais até algumas que nem sempre são lembradas.

Se tem algo que não falta nessa área é coisa pra fazer, e isso envolve as mais diversas profissões. Por isso, conversamos com pessoas que trabalham com esports direta ou indiretamente, visando aprender um pouco mais sobre esse mercado que está em crescendo tanto em pouco tempo.

Um dos trabalhos que está em constante ascensão é o de treinador, ou coach, para times de todas as modalidades de esports. É essencial que o treinador consiga falar com os atletas e enxergar o jogo além do que uma pessoa normal faria, além de analisar os oponentes e estratégias para preparar sua equipe para os desafios.

Conversamos com o treinador da Operation Kino de League of Legends, Gabriel “Halier” Garcia. Halier é o head coach da equipe, ou seja, é o “responsável por desenvolver o material teórico em conjunto com a comissão técnica e adaptar para o estilo de jogo do time,” segundo ele. É preciso detectar “os erros de micro e macro e, junto com analistas, positional e strategic coachs, melhorar o desempenho do time como um todo”.

O trabalho do treinador não é limitado ao jogo. “Fora do jogo ele deve ser exemplo aos jogadores de alguém que sempre procura evoluir, ajudar os jogadores e liderar a equipe,” afirma ele.

A Operation Kino tem uma equipe técnica bem variada atuando por trás das câmeras. Além de Halier, o time conta com dois analistas remotos, uma pessoa responsável pela moral e motivação da equipe, um técnico para analisar as estratégias da equipe e de outras regiões do mundo.

O passado nos esportes ajudaram muito o treinador na hora de migrar para os esports — e ele conta que não foi uma tarefa fácil. “Foram muitas experiências, tentativas e muitos erros também,” conta Halier. Ele diz que foi atrás de conhecimento dos treinadores, narradores e comentaristas estrangeiros para entender melhor alguns aspectos do League of Legends. “Por que tal time fez tal draft, por que tomou determinada decisão em rotação, controle de visão, tomada de decisão e etc.. e buscar um padrão nisso para começar a entender os conceitos das equipes. Agora continuo fazendo a mesma coisa, e buscando aliar isso com as qualidades que o meu time tem para desenvolver o melhor trabalho possível”.

Quando ainda estava envolvido com esportes, Halier jogou futebol profissionalmente, foi atleta do Rodrigo Minotauro, trabalhou com o Canal Combate, trocando o universo dos esportes e das lutas para atuar como treinador no Chile.

halier 2010

Algumas das noções aprendidas no esporte tradicional, porém, perduram até hoje em seu método de trabalhar com os esportes eletrônicos. Ele conta que a maior diferença entre os dois cenários é, justamente, a falta de conhecimento sobre o mercado de trabalho e a falta de “categorias de base” para que o jovem comece a se habituar às peculiaridades do cenário competitivo.

Muitos jovens do E-Sport nunca trabalharam na vida ou nunca tiveram uma base de competitivo onde se aprenda isso. Então isso é um fator que atrapalha o desenvolvimento de muitos jogadores e até de times.

O treinador também aponta a maior semelhança, em sua opinião:

A semelhança seria a pouca idade com que se começa a ser profissional e o salto financeiro que um jovem tem de, não ganhando nada, para de repente ir jogar no CBLoL, em estúdio, morando fora de casa e recebendo um salário que não esperava receber tão cedo.

A OPK teve um gostinho de como é fazer parte do CBLoL, mas acabou caindo para o Circuito Desafiante na primeira temporada do CBLoL 2017. Apesar de ser a liga de acesso para o campeonato, poucas partidas são transmitidas, diminuindo a visibilidade da marca como um todo. Além de perder exposição, o time também deixa de receber o subsídio em dinheiro que a Riot Games fornece para os times que estão em sua liga principal.

Para encerrar, Halier conta o que mais gosta em trabalhar com esports:

É poder jogar no intervalo do trabalho e não ser chamado a atenção, pelo contrário hahaha! Brincadeiras a parte, acordar sabendo que vou ter que jogar, mexer com um jogo que eu gosto, competir, sentir a adrenalina e ainda ser pago por isso, é uma sensação incrível.

Ele também fala sobre o que mais faz falta da época em que trabalhava com esportes tradicionais: “O apoio da grande mídia e o reconhecimento da sociedade (a respeito dos pensamentos retrógrados) como profissão, já cansei de escutar “ah, você treina joguinho? Que legal, mas trabalha com o que?”.

O cenário está mudando, porém, e os esportes eletrônicos estão conquistando cada vez mais espaço dentro e fora da internet, com transmissões de finais de campeonatos diversos em canais de TV como ESPN, Esporte Interativo e SporTV.