Plutão tem montanhas similares às da Terra em região conhecida como Cthulhu

O processo de formação do gelo é totalmente oposto ao do nosso planeta

Marina Val Publicado por Marina Val
Plutão tem montanhas similares às da Terra em região conhecida como Cthulhu

Graças à sonda New Horizons, hoje sabemos bem mais sobre a complexidade Plutão, mas os estudos sobre o planeta anão ainda não acabaram.

Uma nova pesquisa, conduzida por uma equipe de cientistas de vários países, concluiu que as montanhas descobertas durante a passagem da sonda, em 2015, são cobertas por uma camada de metano em estado sólido, criando depósitos que parecem com as cadeias montanhosas cobertas de gelo na Terra. Entretanto, a comparação acaba na parte visual, já que o processo de formação é completamente oposto.

No nosso planeta, a temperatura atmosférica baixa com a altitude, ou seja: quanto mais perto do cume, mais frio será. Quando ventos úmidos se aproximam de uma montanha aqui, a água esfria e se condensa, formando nuvens e neve. Em Plutão, o acontece justamente o contrário: a temperatura atmosférica fica mais quente conforme a altitude aumenta pois o gás metano que está mais concentrado na parte superior, absorve radiação solar. O gás então fica saturado, sofre condensação e é congelado diretamente no pico das montanhas, o que resulta em uma paisagem similar à da Terra.

Segundo Tanguy Bertrand, autor principal do artigo que detalhou os resultados:

É particularmente notável ver que duas paisagens tão similares na Terra e em Plutão possam ser criadas por dois processos muito distintos. Apesar de, teoricamente, objetos como a lua Tritão de Netuno possa ter um processo similar, nenhum outro lugar no nosso sistema solar tem montanhas cobertas por gelo como essa, além da Terra.

A área com a cadeia de montanhas fica na parte escura de Plutão que foi chamada de Cthulhu. A região está à oeste da Sputnik Planitia, a planície com formato de coração do planeta anão.

Nature Communications, doi:10.1038/s41467-020-18845-3

O artigo completo foi publicado na Nature e você pode acessar neste link.