Pesquisadores brasileiros descobriram nova espécie de réptil por causa de pneu furado

Paleontólogos do Piauí encontraram fóssil da Era Paleozoica, anterior aos dinossauros

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Pesquisadores brasileiros descobriram nova espécie de réptil por causa de pneu furado

Um pneu de carro furado acabou fazendo com que um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí encontrasse um fóssil de uma nova espécie de réptil anterior à era dos dinossauros.

A equipe viajava de carro entre duas cidades próximas a divisa de Piauí e Maranhão, em 2016, quando um dos pneus furou. Um dos rapazes que estava no grupo resolveu dar uma volta pela região enquanto os outros trocavam o pneu, e acabou encontrando o fóssil, conforme relato de Juan Cisneros, professor e paleontólogo, para o G1.

O grupo de pesquisadores acompanhava as escavações em uma pedreira na região de Nazária, no Piauí, para garantir que nenhuma evidência ou descoberta científica passasse despercebida pelos trabalhadores da área.

Karutia fortunata, 25 cm de comprimento e se alimentava de insetos | Fonte: UFPI

Cisneros diz que foram capazes de identificar rapidamente que se tratava de um animal novo por causa dos dentes e da mandíbula encontrados. O réptil, que é anterior aos dinossauros e tinha cerca de 25 cm, levou o nome de Karutia fortunata:

Karutia em língua timbira significa pele enrugada e com caroços. Escolhemos esse nome porque os ossos do crânio do animal estão cobertos por muitas rugas naturais. Fortunata refere-se ao fato de que foi uma descoberta afortunada.

O animal pertencia a um grupo conhecido como “pararrépteis”. Apesar de, por fora, se parecer com um calango ou lagarto comum, a criatura viveu há 280 milhões de anos e foi completamente extinta.

Além de pedaços do crânio, também foram encontradas vértebras e outras partes do esqueleto | Foto: UFPI

A descoberta também ajuda os estudiosos a entenderem a natureza do Brasil na época da Pangeia, além de estabelecer semelhanças entre a fauna brasileira e a dos EUA.

Embora tenha sido encontrado em 2016, o registro só foi finalizado em janeiro de 2021.

A análise das amostras encontradas foi feita pela UFPI com a ajuda de paleontólogos de outras seis instituições:  Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte e Museu Field de Chicago, dos  EUA; Museu Iziko  da África do Sul; Universidade de Buenos Aires, da Argentina; Universidade Humboldt, da Alemanha; Museu de História Natural, do Reino Unido.

O estudo sobre o fóssil foi publicado na revista Journal of Systematic Palaeontology, considerada referência na área de Paleontologia.