Penúltimo episódio de Fundação fecha dois dos principais arcos dramáticos

Romance de Alvorada e segredo do Cofre têm seus desfechos; resta saber o destino de Gaal

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Penúltimo episódio de Fundação fecha dois dos principais arcos dramáticos

Conforme a narradora Gaal Dornick (Lou Llobell) discorre, na introdução, sobre o poder da História – e, consequentemente, da narrativa em si – como ferramenta de manipulação e controle, o tema do nono e penúltimo episódio desta temporada de Fundação é apresentado. A primeira crise se concentra nos papéis preestabelecidos: em especial, nos de herói e vilão, atribuições que dependem, essencialmente, da perspectiva adotada.

[ATENÇÃO: Este texto contém spoilers do penúltimo episódio da primeira temporada de Fundação.]

Em Trantor, Alvorada (Cassian Bilton) planeja fugir do palácio e do papel ao qual está fadado, em função de sua origem. Orientado por Azura (Amy Tyger), ele estuda cuidadosamente as possíveis rotas que o conduzirão à Cicatriz – local em que a queda da Ponte Estelar causou maior destruição e que se tornou uma espécie de submundo, onde o jovem imperador pretende mudar o rosto e extrair os nanorrobôs que correm em suas veias.

Na véspera do grande dia, porém, ele é convocado por Crepúsculo (Terrence Mann), que deseja mostrar um novo trecho no mural que vem sendo pintado geração após geração. O acréscimo retrata a primeira caçada do jovem, quando ele supostamente igualou o recorde de três aves abatidas (evento mostrado no sexto episódio).

Diante dos comentários crípticos do irmão mais velho sobre “sutilezas” e “significado oculto” na pintura, Alvorada usa os filtros corretores com que Azura o havia presenteado e vê, horrorizado, que Crepúsculo pintou outras três aves em vermelho, deixando-as invisíveis para ele, em virtude de seu daltonismo. Ou seja, sua diferença genética foi descoberta e, portanto, sua vida está em risco.

Ele adianta a fuga, despistando os guardas para conseguir chegar à Cicatriz e à casa da amante. Lá, no entanto, descobre que, em sua história, Azura é na verdade uma das vilãs: ela integra um grupo de insurgentes com acesso ao palácio e que conseguiu criar um clone de Alvorada, com o qual pretende substituí-lo e, assim, derrubar a dinastia por dentro.

Assim que os rebeldes concluem a transferência dos nanorrobôs do Alvorada original para o outro clone, os soldados imperiais chegam ao esconderijo e executam todos os conspiradores, exceto Azura, que é presa. Crepúsculo revela que o casal vinha sendo vigiado há tempos e conclui que o destino do irmão mais novo agora está nas mãos de Dia (Lee Pace), prestes a retornar de sua viagem à Donzela.

Enquanto isso, em Terminus, um flashback mostra a jovem Salvor Hardin (Leah Harvey) conversando com o pai sobre a origem da raça humana: um único e misterioso planeta, possivelmente “um lugar chamado Terra”. Eles debatem sobre como, apesar do passado comum, os diferentes povos deixam a emoção sobrepujar a razão e acabam entrando em guerra, na qual não há heróis ou vilões, apenas perdedores.

De volta ao presente, na órbita do planeta, na cabine de comando da Invictus, a guardiã descobre que, momentos antes do salto, Lewis Pirenne (Elliot Cowan) se conectou ao sistema de navegação e os trouxe de volta para casa, sacrificando-se no processo. Ela também percebe que a armada téspina veio a reboque e, pouco depois, já a bordo da Beggar, a nave de Hugo (Daniel MacPherson), ela se reencontra com o amante. O casal, então, volta a se separar: o contrabandista volta para a Invictus, onde, com a ajuda dos compatriotas, tenta consertar a falha que faz a embarcação saltar aleatoriamente.

Por sua vez, Salvor pousa em Terminus, onde percebe que o campo anulador do Cofre se expandiu até a cidade, deixando toda a população desacordada, bem como os invasores anacreonianos. Ela corre até a construção e lá encontra a mãe, também inconsciente, com o Primeiro Radiante nas mãos.

Relutante até ali, a guardiã enfim decide abraçar o papel que lhe cabe, seja lá qual for, e tenta acionar o dispositivo. Em meio às visões, ela novamente assume o ponto de vista de Gaal, reforçando a possível conexão entre as duas.

Ao abrir o Primeiro Radiante, Salvor se dá conta de que ele é a chave para o Cofre, que também se abre, desativando o campo anulador. Despertos, Rowan (Pravessh Rana) e os anacreonianos buscam retomar o controle sobre os reféns, mas logo são dominados, com a chegada de Hugo e os téspinos. A situação volta a ficar tensa quando Phara (Kubbra Sait) surge repentinamente e ajuda os compatriotas e rendem os oponentes.

Salvor tenta argumentar que todos ali são heróis na própria narrativa e vilões na dos outros; porém, se deixarem a razão falar mais alto que emoção, eles podem se unir contra o Império, usando a Invictus. A caçadora não dá ouvidos e volta sua ira contra o Cofre, sendo então morta pela guardiã.

Em meio ao caos que se segue, uma figura sai caminhando tranquilamente da recém-aberta construção: o próprio Hari Seldon (Jared Harris) – ou, provavelmente, outra de suas projeções holográficas. O matemático declara que a união dos três grupos ali presentes é de fato um sinal auspicioso para o futuro da Fundação.

Considerando que o roteiro de Victoria Morrow praticamente amarrou dois dos principais arcos dramáticos da série, a única resolução que falta para o último episódio é desvendar como a história de Gaal se encaixa nisso tudo. A temporada provavelmente se encerrará preparando terreno para o que está por vir, como a resposta do Império à potencial aliança entre anacreonianos, téspinos e termini, bem como a revelação de mais detalhes acerca da Segunda Fundação.


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