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Peacemaker começa a falar sério sem perder o charme em quarto episódio tenso

Novo capítulo da série da DC já chegou ao HBO Max

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Peacemaker começa a falar sério sem perder o charme em quarto episódio tenso

Peacemaker chegou ao HBO Max fazendo barulho. Com uma mistura de humor absurdo, ação e uma trilha sonora inspirada, a série do Pacificador da DC conquistou o público ao trazer um tom único e pouco explorado nas séries de super-heróis.

No quarto episódio, que estreou nesta quarta-feira (20), a produção começa a falar sério sem perder o charme. Usando trauma como assunto principal, o enredo dá maior destaque para o elenco testando os limites pessoais de cada um.

[Cuidado com spoilers do quarto episódio de Peacemaker]

O novo capítulo começa logo após a primeira missão para derrubar os misteriosos alienígenas conhecidos apenas como “Borboletas”, tarefa que deixou diferentes marcas no grupo.

Contratado para ser o executor, o Pacificador (John Cena) é questionado por ter hesitado em matar crianças. Como a própria série fez questão de lembrar, seu lema é garantir a paz mesmo que tenha de assassinar qualquer “homem, mulher ou criança”, então soa no mínimo estranha essa recusa em fazer valer esse voto bizarro.

Se por um lado é possível crer que essa frase sempre foi vazia e que Christopher Smith nunca tenha precisado colocá-la à prova, por outro é mais uma pista de que a série realmente focará na reabilitação do personagem. Ao ser questionado por Murn (Chukwudi Iwuji), ele diz que não vai puxar um gatilho só porque mandaram, uma postura bem diferente da que o levou a fazer atos extremos como matar Rick Flag em O Esquadrão Suicida (2021). Voltaremos a isso mais tarde.

Além do protagonista, o resto da equipe também voltou do serviço com questões. O Vigilante (Freddie Stroma) se ressente pelo fato de ter perdido metade do dedinho durante uma sessão de tortura e o “amigo” Pacificador nem ligar. Leota Adebayo (Danielle Brooks) tenta se explicar sobre não conseguir matar e é repreendida por Emilia Harcourt (Jennifer Holland), enquanto John Economos (Steve Agee) precisa tomar conta do letal vilão Mestre Judoca (Nhut Le).

Em diferentes níveis, todos esses enredos se conectam no tema da busca pela humanidade. Se por um lado o Pacificador passou a questionar a própria filosofia e métodos, Adebayo sofre por não conseguir ser a máquina de matar que seu serviço exige. Da mesma forma, Harcourt é capaz de fazer monólogos inteiros sobre como ser uma agente exemplar, mas omite que o preço a pagar é uma vida pessoal solitária e infeliz.

Nesse ponto é interessante perceber como o roteiro de James Gunn (Guardiões da Galáxia) volta um pouco atrás no que diz respeito ao Vigilante. Se os três primeiros apresentaram o personagem como um jovem sem noção que se tornou um assassino mascarado por pura empolgação, esse quarto episódio confere camadas e limites ao personagem.

Ao serem dispensados do trabalho, ele dá carona ao Pacificador – momento em que aproveita para colocar pra fora a frustração causada pela falta de companheirismo do colega. Durante o caminho ele toca no assunto de que o pai do protagonista é um supremacista branco, tema que arranca dele completa e total repreensão.

Essa repulsa à racistas é uma das marcas do personagem no capítulo. O roteiro deixa claro que nem uma pessoa absolutamente sádica e um tanto insana quanto o Vigilante tolera a covardia de segregar e odiar o próximo, característica que é posta à prova mais adiante.

Chegando à casa do pai, o Pacificador descobre que ele foi preso. Ao descobrir que August Smith (Robert Patrick) está na cadeia por culpa da equipe, ele decide ir à prisão explicar a situação e dar um certo apoio ao pai. No caminho, o Pacificador é interrompido por Adebayo, que tenta convencê-lo a não agir com o argumento de que August é um pai horrível e um ser humano pior ainda.

Consciente das falhas do pai, Christopher alega que o ama e que acredita que as coisas podem mudar e entra. Infelizmente lá dentro as coisas acontecem como Adebayo havia previsto e o rapaz é escorraçado pelo pai, que não apenas aproveita a oportunidade para ofendê-lo (de novo) como também ameaça contar sobre a missão do filho para as autoridades.

Sabendo que as coisas poderiam dar errado do lado de dentro, a agente fica do lado de fora trabalhando em um plano B, que no caso foi manipular o Vigilante para que ele se infiltrasse na prisão e matasse o pai do melhor amigo. A sugestão surte efeito imediato e ele corre para ser preso e dar fim a quem acredita ser a causa dos problemas do Pacificador.

Encarcerado, o personagem tem uma de suas grandes cenas na série até aqui e dá a Freddie Stroma a chance de explorar outros lados do personagem além do típico “esquisito falastrão” que vinha mostrando até aqui. Sua interpretação dá vida ao texto ácido das piadas com uma intensidade que ajuda a elevar a tensão, uma tarefa nada fácil considerando que do outro lado ele teve ninguém menos do que o veterano Robert Patrick.

De volta ao QG, o Pacificador tem a chance de ter uma revanche com o Mestre Judoca em uma luta que acaba precocemente quando Adebayo atira no rapaz. É curioso que essa tentativa de seguir os passos de Harcourt – e da mãe, a impiedosa Amanda Waller – não traz paz à jovem, que sente repulsa por tentar tirar duas vidas no mesmo dia.

Ao desabafar sobre o plano de matar August na cadeia, Murn exige a soltura imediata do Vigilante, que é libertado após provocar os supremacistas que rodeiam August e deixar escapar que é amigo do Pacificador. Sem concluir a missão, ele deixa a cadeia frustrado com os outros integrantes do time, em especial Adebayo e Harcourt, que têm uma conversa sincera sobre as dificuldades e o peso de matar.

Essa conversa, que já é importante para o desenvolvimento de ambas as personagens, ganha um significado ainda mais profundo quando o Pacificador relembra parte de seu passado. Em flashbacks, a série mostra como o próprio pai fez com que ele cometesse o primeiro assassinato ainda criança e ainda deixa no ar que ele estava envolvido na morte do irmão, a pessoa com quem ele dividia raros momentos de felicidade ao som do hard rock mais barulhento que os anos 80 pudessem entregar.

Intercalando cenas do primeiro assassinato do Pacificador com a morte de Rick Flag, a quem o personagem considerava um herói pessoal, a produção retoma a busca por humanidade e redenção de seu protagonista. Considerando que o episódio não explicou as circunstâncias da morte do irmão de Christopher, é quase certo que a infância do personagem voltará a ser abordada na trama.

Esse olhar no passado, que busca humanizar e justificar por que ele virou um maníaco, é apenas uma das sementes plantadas pela conclusão do episódio. Isso porque em seus momentos finais, o capítulo revela que Murn é na verdade uma das borboletas, uma reviravolta que coloca a caça entre seus caçadores. Com isso, fica a expectativa de ver como um dos vilões vai fazer para sabotar o trabalho dos “mocinhos”, que no momento estão ocupados demais lidando com as próprias feridas.

Peacemaker ganha novos episódios às quintas-feiras.

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