Parasita | Crítica

Bong Joon-ho choca com disparidade sócio-econômica em filme onde não há dualidade de bem e mal

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Parasita | Crítica

Parasita é um daqueles filmes que quanto menos você souber antes de assistir, melhor.

Dirigido por Bong Joon-ho, de Expresso do Amanhã e Okja, o longa-metragem nos apresenta a família Kim, composta pelo pai Kim Ki-taek (Song Kang-ho), a mãe Chung-sook (Chang Hyae-jin), o filho Ki-woo (Choi Woo-shik) e a filha Ki-jeong (Park So-dam). Apesar de terem uma vida humilde e morarem em uma casa subterrânea, eles conseguem se virar fazendo bicos esporádicos. Um amigo de Ki-woo dá a ele a oportunidade de substituí-lo como professor particular de uma adolescente rica em uma casa de luxo e é então que o destino da família parece começar a mudar.

Do começo ao fim, Parasita é do tipo de história que faz com que você fique tenso, intrigado pelo futuro dos personagens principais que só estão tentando sobreviver. Mas ao invés de estarem fugindo de um grande vilão ou de uma ameaça global, a família está apenas tentando pagar as contas e, quem sabe, melhorar um pouco a vida.

O filme tem momentos cômicos, e a criatividade e união do principal núcleo de personagens são os grandes destaques da trama. Vê-los conquistando seus objetivos pouco a pouco é interessante, ainda que a família Kim use meios questionáveis para chegar até eles.

Lembro-me de ter pensado, lá pela metade do longa, que tinha entendido a escolha do nome e os principais pontos da trama, e que, no tempo de projeção que restava, os temas apenas seriam desenvolvidos.

Eu estava errada.

O arco final de Parasita é como uma queda de 90º graus em direção ao chão. Você pode até conseguir apontar o momento chave em que tudo começa a acontecer, mas é extremamente improvável que consiga imaginar o que está por vir. O diretor Bong Joon-ho parece ter destampado um poço sem fundo, e tanto quem está assistindo quanto os personagens caem pelo que parece ser uma eternidade.

Com um desfecho agridoce, o longa é amarrado com uma forte crítica socioeconômica, falando muito sobre preconceito e disparidades entre ricos e pobres. Sua trama fomenta discussões relevantes para os dias de hoje, e mostra de forma gráfica e direta que não existe dualidade de bem e mal — os mocinhos também podem ser vilões.