OMS quer classificar vício em jogos eletrônicos como transtorno psiquiátrico

Alteração deve acontecer em 2018

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
OMS quer classificar vício em jogos eletrônicos como transtorno psiquiátrico

Dizem que qualquer coisa em excesso é ruim e o mesmo vale para os videogames. Em alguns casos, o exagero pode ser até mesmo uma patologia séria. Por conta disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) planeja classificar vício em jogos eletrônicos como um transtorno psiquiátrico (via Estadão).

Esta mudança passou a ser discutida em 2014 e agora está sendo considerada para a próxima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID), o manual oficial da OMS com a definição e outros detalhes utilizados por médicos do mundo todo.

Atualmente, este vício não é considerado uma doença e se encontra na categoria de “outros transtornos de hábitos e impulsos”. Com a alteração, o transtorno de jogo (ou gaming disorder, em inglês) deve passar a ser considerado um distúrbio psiquiátrico na CID em 2018.

Vale notar que este vício é diferente do transtorno conhecido como jogo patológico, o vício em jogos de azar, que já é considerado uma doença separada na CID. A diferença está não apenas na dependência, mas como ela afeta as pessoas, como explica o psiquiatra Daniel Spritzer.

A maioria dos jovens joga de maneira tranquila e controlada. Mas entre os que se tornam dependentes, vemos prejuízos importantes, como reprovação na escola, afastamento dos amigos e brigas com a família.

No Brasil não existe uma estimativa de pessoas viciadas em jogos eletrônicos. Nos Estados Unidos e na Europa, entre 1% e 5% dos jogadores são dependentes. Já nos países asiáticos, onde o problema é mais sério, a taxa chega a 10%.

Com a inclusão do transtorno na CID, o diagnóstico e o tratamento do problema pode ser facilitado, segundo a OMS. Além disso, a classificação específica da doença também pode incentivar o apoio de agências para a investigação do tema.