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O mito e o legado de Mar-Vell nos quadrinhos

A história de um dos personagens mais poderosos e emblemáticos do Universo Marvel

Estrela do filme Capitã Marvel, Carol Danvers é considerada uma das maiores heroínas da editora e um símbolo do poder feminino no mundo dos super-heróis. Em meio a fascinante história de honra, autonomia e superação que permeia a trajetória da vingadora, existe também a continuidade do legado de um grande personagem da Casa das Ideias: Mar-Vell, o Capitão Marvel.

Mas qual seria o tamanho do legado do herói Kree no Universo Marvel? Pensando nisso, reunimos aqui alguns marcos importantes do personagem durante a sua trajetória e o quanto seus atos mudaram para sempre o mundo fictício no qual foi criado.

Um oficial forjado pela virtude

Nascido no glorioso Império Kree, o jovem Mar-Vell é um dedicado militar que entende o mundo pela lógica da honra e do patriotismo pela sua civilização. Integrante da etnia conhecida como “Krees rosas” (parecidos com os humanos caucasianos), o então cadete se destaca pela sua coragem e determinação em missões de extremo perigo, causando a inveja e perseguição dos “Krees azuis”, a elite do seu povo.

Dentro deste cenário, Mar-Vell ascende pela sua eficiência e fidelidade. Entretanto, seu senso de justiça passa a provocar uma ruptura no pensamento eugênico do Império Kree e sua liderança, a Inteligência Suprema. Este comportamento audacioso, que não valoriza a superioridade genética e sim a compaixão, é visto como um perigo ideológico e o coloca em contato com outro planeta que mudará sua vida para sempre.

A Terra e a compaixão

Relocado a um grupo Kree de espionagem, o agora Capitão Mar-Vell é escolhido pelo seu superior, o audacioso coronel Yon-Rogg, a uma missão de reconhecimento e destruição de um novo inimigo do império: a Terra. No planeta, o jovem militar tem sua força aumentada pela gravidade e usa de artifícios krees para ter vantagem tecnológica perante os militares locais.

Porém, a missão ganha novos contornos quando Yon-Rogg, apaixonado por Una, a amada de Mar-Vell, se aproveita da situação para tentar matar seu subordinado em uma base militar norte-americana. Por conta disso, o espião Kree é obrigado a sair de sua identidade civil na Terra (o Dr. Walter Lawson) e acaba se tornando um novo herói: o Capitão Marvel (uma analogia ao seu nome Kree e o termo “Marvel”, que significa maravilha ou prodígio).

Por conta deste contato cada vez mais crescente com a humanidade, Mar-Vell passa a criar simpatia com o planeta e questiona os métodos e intenções do seu povo. Entretanto, os Krees se aproveitam desta compaixão de seu espião e criam planos para manipula-lo secretamente. A cada vez que Mar-Vell era colocado em situações de risco ou questionava decisões morais dos seus superiores, se alinhava mais e mais aos terráqueos e o heroísmo.

Heroísmo e Santificação

Neste período, o Capitão Marvel sofre constantes perdas que o fazem se tornar cada vez mais próximo de uma vida mais altruísta, ligada ao heroísmo. E isso afeta as pessoas próximas a ele. A primeira delas é Carol Danvers. Atual chefe de segurança da base na qual o Kree vive sobre o nome de Walter Lawson, a impetuosa agente é salva pelo herói de um ataque Kree, o que torna o seu DNA hibrido com o genoma alienígena, concedendo poderes como superforça, voo, absorção de energia e a habilidade de disparar rajadas fotônicas. Em sua homenagem, Carol assume a identidade de Miss Marvel e passa a combater os vilões à sua maneira.

Outro terráqueo afetado pelo personagem é o jovem Rick Jones. Conhecido como ajudante do Capitão América e amigo do Hulk, Jones é colocado como alguém importante na vida do herói Kree quando este acaba preso na perigosa Zona Negativa. Graças a uma artimanha da Inteligência Suprema, Jones usa um par de braceletes que ao serem batidos um ao outro, fazem com que ele e Mar-Vell troquem de lugar por três horas. Neste período, os dois vivem muitas aventuras e são peça fundamental para acabar com a Guerra Kree-Skrull, salvando a Terra no processo.

É durante esta fase que outro acontecimento coloca o Capitão Marvel em evidência não só na Terra mas por todo o Universo. Para deter as investidas de Thanos, o Titã Louco, Mar-Vell é alçado a um novo nível pela entidade cósmica Eon. Assim, ele passa a ter acesso a consciência cósmica, tornando-se o campeão do universo. Porém, o processo para conseguir tais poderes faz com que ele se desligue de seu passado e também o deixa mais puro e determinado em relação à justiça e ao bem.

De cima pra baixo, esquerda pra direita: Mar-Vell, Monica Rambeau, Genis-Vell, Phyla-Vell, Khn’nr, Noh-Varr e Carol Danvers

Sacrifício e Legado

Fundamental para a queda de Thanos, Mar-Vell se consolidou como um personagem importante para o equilíbrio cósmico e um exemplo para heróis como os Vingadores. Mesmo assim, o Capitão Marvel não carregava o dom da imortalidade e acabou vítima de um mal bem comum: um câncer.

Em seu leito de morte, o herói Kree foi honrado pelas homenagens de seus feitos e teve até honrarias de inimigos como Thanos e os próprios Skrulls. Com isso, não demorou para que seu nome se transformasse em um exemplo de justiça e determinação, sendo utilizado por outros heróis ao longo dos anos.

Além da própria Danvers, conhecida por Miss Marvel, temos a policial Monica Rambeau assumindo o nome de Capitã Marvel (mesmo que tenha sido dado pela mídia local). Depois, é a vez de seus herdeiros genéticos, os filhos Genis-Vell e Phylla-Vell, também se chamarem Capitão – e Capitã – Marvel. Após eles, o espião Skrull, Khn’nr, finge ser um Mar-Vell vindo do passado, mas ele fica tão fascinado pelo legado de sua identidade que trai seu povo para proteger a Terra. No leito de morte, o reformado vilão passa ao Kree interdimensional Noh-Varr o título de novo Capitão até este ser assumido finalmente por Carol Danvers.

Além deles, personagens como Quasar, outras versões da Miss Marvel e um outro filho, o Skrull, Hulkling dos Jovens Vingadores, também honram os ensinamentos do falecido herói.

Pós-Morte e Messianismo

Depois da morte de Mar-Vell, ele ganha um impacto maior no imaginário dos heróis e do próprio Universo Marvel, tornando-se mais do que uma bússola moral em muitos casos. A prova disso está em suas breves ressurreições, sempre ocorridas em meio a crises nas quais a esperança de toda a existência está ameaçada.

Durante a saga Chaos War (inédita no Brasil), todos os seres vivos do universo entram em coma e os mortos que voltaram à vida são a única alternativa para enfrentar o fim de tudo. Dentre os despertos, o Capitão Marvel lidera um grupo de heróis falecidos que tiveram um histórico de traições com os Vingadores na sua vida. Imbuído da consciência cósmica, Marvel orienta a todos sobre a vontade de mudarem seus destinos e se tornarem melhores do que foram, criando um novo capítulo para estes personagens.

Logo depois, durante o combate entre Vingadores contra os X-Men, Mar-Vell é ressuscitado por místicos Kree para preservar seu planeta natal da energia da Força Fênix. Se libertando da lavagem cerebral feita pelo seu povo, Marvel se une aos Vingadores e se sacrifica para salvar o seu antigo lar.

O legado e os ensinamentos de Mar-Vell são tão constantes que também permeiam histórias que vão além da cronologia oficial. Na trilogia formada por Terra X, Universo X e Paraíso X, Mar-Vell torna-se o elo de esperança para salvar um futuro caótico e cheio de desesperança. De forma messiânica, o Kree ressuscita como criança e constrói um paraíso para as almas heroicas.


Originalmente pensado como um herói espacial, Mar-Vell é um exemplo das metamorfoses ocorridas nos quadrinhos da sua editora durante as décadas. Sua trajetória é uma odisseia de dramas e superações que ajudam a dar aos super-heróis o patamar quase divino que carregam nos dias de hoje. Talvez seja por isso que é um dos poucos que nunca foi efetivamente ressuscitado: é um personagem que ultrapassou os limites narrativos e funciona melhor como exemplo de todo um conceito imortalizado na cultura pop de todo o mundo.

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