O Ano à Frente: como a Microsoft pode continuar crescendo em 2016

Os jogos e atitudes que podem ajudar a empresa nos próximos meses

Guilherme Jacobs Publicado por Guilherme Jacobs
O Ano à Frente: como a Microsoft pode continuar crescendo em 2016

Na nossa série de artigos O Ano à Frente, vamos explorar quais os desafios que esperam as três principais fabricantes de consoles terão que enfrentar em 2016. O que elas podem melhorar, o que elas devem mudar, o que precisa continuar. Hoje, vamos falar da Microsoft.


Dos três artigos que escrevi pra essa série, o mais difícil de escrever foi, de longe, este. Afinal de contas, o intuito do texto é apontar o que pode melhorar no ano à frente para a empresa, e tem uma que venceu em 2015, foi a Microsoft. Claro, o Xbox One está bem longe de alcançar o PlayStation 4 em vendas, mas popularidade comercial nem sempre representa o estado da indústria. Desde o começo da geração atual de consoles, ela é a fabricante que mais cresceu, mudou e melhorou. Apesar da dificuldade, foi refrescante não escrever sobre como o Kinect é inútil e a mensagem do Xbox precisa mudar. 2013 está bem distante de nós.

2015 foi o ano que a Microsoft adicionou retrocompatibilidade ao Xbox One, uma alternativa bem superior aos PS2 Classics no PlayStation 4 – o catálogo atual é pequeno e alguns jogos sofrem com problemas, mas todo mês tem novidades sendo adicionadas – e manteve o console cheio de títulos interessantes, como Ori and The Blind Forest, Rise of The Tomb Raider e Halo 5: Guardians. O preço da plataforma, pelo menos fora do Brasil, agora é acessível e competitivo, e a mensagem da Microsoft mudou completamente. O público geral pode ainda não ter percebido o quanto o Xbox One mudou, o estigma do lançamento claramente ainda prejudica os números de vendas, mas ele mudou. Felizmente, demos adeus aos tempos de “TV, TV, TV, esportes, esportes, esportes, Call of Duty, Call of Duty, Call of Duty.” Então, em 2016, o principal objetivo de Phil Spencer e sua turma deve ser cobrir as faltas.

Historicamente, os exclusivos ou principais jogos da Microsoft não tendem a ter muita variedade. No Xbox 360, a vida era praticamente Forza, Halo, Gears of War, e olhando para os principais títulos do One no fim de 2015 – Rise of the Tomb Raider, Halo 5, Gears of War: Ultimate Edition e Forza 6 – a história não mudou muito. Lara Croft – que este ano chega ao PS4 e Steam – entrou na dança, mas ainda são três jogos (um dos quais é um remaster não muito atualizado) com muito tiroteio e cobertura, e uma franquia anual de corrida. Por mais que esses jogos sejam bons, o ecossistema com certeza se beneficiaria de mais IPs e mais diversidade. Recentemente, foi divulgada uma lista dos principais títulos do One em 2016, e analisando ela podemos ver o que deve ser oferecido aos donos da plataforma nos próximos meses.

Scalebound, o exclusivo que mais me impressionou na GamesCom, infelizmente foi adiado para 2017. Mas 2016 ainda tem muito a oferecer. Uma das forças principais é Quantum Break, da Remedy. Admito que ainda não estou convencido, o que a desenvolvedora mostrou foi simplesmente um gameplay de tiro em terceira pessoa com alguns poderes de tempo sem muitas novidades, é difícil argumentar contra o jogo. É um novo IP, algo que raramente apareceu no Xbox 360, enquanto o PS3 teve novidades até o fim da vida, e a força da Remedy sempre esteve no lado da narrativa, é só perguntar a alguém que jogou Max Payne e Alan Wake.

Um novo Forza com certeza vai aparecer lá pra setembro ou outubro, e Gears of War 4, caso não seja adiado, será o grande exclusivo do fim de ano, e há razões para se preocupar. A experiência da desenvolvedora The Coalition é basicamente o seu trabalho no remaster do primeiro Gears, o que não foi lá a coisa mais impressionante do mundo, e o único jogo da série que não foi feito pela Epic – Gears of War: Judgement, da People Can Fly – falhou em ter o impacto da trilogia original. Mas o catálogo da Microsoft não está limitado a isso. Caso saiam mesmo este ano, ReCore, Sea of Thieves e Halo Wars 2 podem trazer a variedade de gameplay que a plataforma tanto precisa.

A Rare não está na melhor fase há anos, mas Sea of Thieves, se bem executado, pode ser a resposta da Microsoft a Destiny, que mesmo sendo multiplataforma, é totalmente associado ao PlayStation 4. ReCore está sendo feito um time extremamente talentoso, composto de veteranos de Metroid Prime, e com sorte vai oferecer mais do que atirar e se proteger atrás de uma pedra, como não vimos gameplay ainda, é difícil julgar. Halo Wars 2 é quase um obrigado aos fãs, mostrando valor ao amor do primeiro Halo Wars e recompensando seus jogadores. A lista não para por ai.

É difícil argumentar que Gigantic não vai ser esquecido, o mundo não precisa de mais MOBAs, mas Cobalt, Fable Legends e Crackdown 3 também adicionarão variedade e valor ao Xbox One. Eles são, respectivamente, um plataforma charmoso e multiplayers com potencial caso tenham uma forte base de jogadores, coisas que os diferem dos outros grandes títulos do ano.

Mas agora vamos nos afastar um pouco dos jogos e olhar para as políticas da empresa. Em 2015, a Microsoft introduziu o Windows 10 ao mundo, e agora o sistema já está em 200 milhões de computadores. Vendo a lista de jogos para 2016, fica claro que PC vai ser uma plataforma importante no ano que começou.  Gears of War, Rise of The Tomb Raider e Killer Instinct, os quais já saíram para o Xbox One, agora vão para o Windows 10, enquanto Halo Wars 2, Gigantic, Sea of Thieves e ReCore farão suas estréias simultaneamente nas duas plataformas.

É importante que a Microsoft não aliene os fãs de PC. Ela é uma das principais responsáveis pelas características da indústria dos computadores hoje, e é difícil encontrar alguém que diga que o Windows 8 foi bom para aqueles que jogam no PC. Com o Windows 10, a vida é nova, e as oportunidades aparecem. Há um app do Xbox para o sistema, e através dele é possível fazer streaming do Xbox One. Isso é um recurso incrível, mas que – visto os problemas de conexão que várias pessoas sofrem e a preferência dos donos de console por jogar em TVs – não deve ter um impacto enorme.

Por outro lado, é legal saber que esse recurso está ali. Com Fable Legends, a possibilidade do multiplayer entre plataformas se tornou uma realidade. Isso é algo presente entre PlayStation e Steam – Rocket League, Final Fantasy XIV e o inevitável Street Fighter V oferecem isso – e por mais que seja possível argumentar que essa não é a melhor maneira de jogar online, ainda é algo que conecta amigos, um atitude pró-gamers, e que só vai beneficiar a imagem da Microsoft.

Atitudes pró-gamers, é disso que a Microsoft precisa, e é algo que já está aparecendo na filosofia do Xbox desde que Phil Spencer virou seu comandante. Dizer que ele salvou o One não é exagero, e não há razões para duvidar que em 2016 o estado do console só vai melhorar.


Na próxima edição de O Ano à Frente, vamos conversar sobre os desafios que a Sony vai enfrentar em 2016.