Monster Hunter Rise | Review

Jogo traz novidades para veteranos enquanto continua acessível para novatos

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Monster Hunter Rise | Review

Voltando às plataformas da Nintendo após uma aventura de sucesso no PlayStation, Xbox e PC, a franquia Monster Hunter chegou ao Nintendo Switch com Monster Hunter Rise, que reúne monstros e detalhes de jogabilidade clássicos com novidades muito bem-vindas.

O jogo se passa na Aldeia Kamura, berço de caçadores de monstros como o ancião Fugen. Apesar de ser uma cidade pacata, ela sofre esporadicamente com o Frenesi, um evento catastrófico em que vários monstros atacam a aldeia ao mesmo tempo. Cabe ao jogador descobrir o motivo por trás destes ataques, e caçar as criaturas para aprender mais sobre elas e se preparar para o ataque iminente.

A trama de Monster Hunter Rise é simples, mas tanto os personagens quanto a aldeia em si são carismáticos o suficiente para cativar o jogador. O visual do jogo é muito bonito, e particularmente não senti diferenças de desempenho ao jogar com o Switch fora da base, em modo portátil. Aliás, a possibilidade de fazer uma ou duas caçadas deitada na cama, antes de dormir, foi uma grande alegria.

Amigos

Uma das novidades de Rise é a chegada dos Amicães. Os aliados caninos ajudam tanto na hora da luta quanto na hora de se locomover de um ponto a outro do mapa, pois é possível montá-los quando fora de combate. Isso prova-se bastante útil ao atravessar mapas com poucos ou nenhum ponto de controle.

O Amicão é particularmente maravilhoso porque é possível usar itens enquanto se desloca de um lugar ao outro montado nele. Afiei bastante a lâmina da minha Glaive Inseto, arma que escolhi em boa parte das caçadas, enquanto montada nas costas do meu Amicão, sem ter que parar para usar o item. É bastante prático e pode ganhar minutos preciosos, já que as caçadas têm limite de tempo.

Eu e Maya, minha Amicão que me levou diretamente para a aventura

Apesar dos holofotes estarem nos cão-panheiros, os Amigatos também continuam no jogo e estão incríveis como nunca. Eles podem seguir diversas especializações, como ataque ou cura, e também podem assumir a posição de bombardeiros, por exemplo.

Além dos equipamentos, você pode escolher habilidades para seus Amigos que tornarão as caçadas mais fáceis, como bônus de vida ou até mesmo impedir alguns efeitos negativos, como atordoamento e sono.

Um detalhe importante para ressaltar é que você pode ter dois Amigos ativos ao jogar single player, podendo ser dois Amicães, dois Amigatos, ou um de cada. Ao entrar em uma partida multiplayer, porém, apenas um dos Amigos acompanha a caçada, portanto, esteja preparado.

Há outras atividades para Amigatos e Amicães, que podem fazer trocas em outras regiões, desafiar monstros e coletar itens, além de treinar no dojo. Ao subirem de nível, os companheiros desbloqueiam novas habilidades úteis. Tudo isso para que você tenha sempre a melhor combinação possível de ajudantes para cada necessidade. Conforme avança na história, o jogador pode recrutar uma quantidade ainda maior de Amigos — mas a limitação de dois por caçada continua valendo.

Um animal que não ajuda diretamente na batalha mas que também merece amor é o Corumocho, uma coruja fofa. Você pode alimentá-lo e dar roupinhas, mas ele não ajuda ativamente nas batalhas — apesar de ajudar marcando os monstros no mapa.

Cabinsetos

Monster Hunter Rise parece apostar muito mais na verticalidade, e boa parte disso é culpa dos Cabinsetos. Usados como uma nova forma de se deslocar seja ao explorar o mapa ou ao enfrentar as criaturas colossais, os Cabinsetos ajudam o jogador a se locomover muito mais rápido em todas as direções, além de criarem oportunidades únicas de esquiva e até mesmo de montar nos monstros.

Os Cabinsetos funcionam como uma corda luminosa que permite que o usuário se pendure no ar, atravessando de um lugar a outro rapidamente. Também há os Grandes Cabinsetos, que são fixos mas capazes de levar o jogador a pontos mais distantes. Há uma quantidade limitada de Grandes Cabinsetos, recebidos de um NPC de acordo com conquistas e missões, mas não senti que a limitação interferiu no meu progresso.

Com a novidade, a movimentação do jogo ganha dinamismo até mesmo quando armas mais pesadas e lentas são utilizadas — Espadão, estou olhando para você. Depois de pegar o jeito, desviar de ataques fulminantes e até mesmo se aproximar dos pontos fracos fica bem mais fácil, se você conseguir executar todos os comandos.

Outro detalhe interessante são os passarinhos espalhados pelo mapa. Chamados de Espiripássaros, as pequenas aves proporcionam bônus de vida, armadura, ataque e mais aos caçadores. Estes bônus duram até o fim da missão, portanto, é interessante explorar os arredores e procurar por eles antes de enfrentar os monstros.

Há também mais formas de vida nativa que pode ajudar o jogador. Borboletas e pequenos mamíferos podem conceder melhorias por tempo limitado, e é possível carregar algumas das pequenas criaturas para posicioná-las durante as lutas, como sapos venenosos.

Monstros

Algo que chama a atenção é a forma como os monstros são apresentados. A cada missão específica, o jogador assiste a um vídeo mostrando os temíveis predadores em seus habitats naturais e aterrorizando a fauna local e animais menores. As animações são acompanhadas de uma música e de versos declamados como em uma tradicional peça de teatro japonesa, amplificando o efeito dramático do momento. É muito bom e certamente colabora para aumentar a empolgação antes de um encontro com bestas como Rathian.

Rathian é um dos monstros clássicos da franquia

Se em Monster Hunter World era muito mais seguro sair correndo quando dois titãs se encontravam e começavam a brigar, em Rise a ideia é ficar perto e aproveitar o momento para subir em uma delas. Com o Cabinseto, é possível montar e controlar o monstro, fazendo-o atacar o outro. As brigas são muito úteis e ajudam a enfraquecer até mesmo os mais poderosos, adiantando lutas que poderiam ser muito mais longas e penosas — ou garantindo alguns materiais do monstro que você não está caçando.

As caçadas são divertidas, e as lutas exigem concentração. Como em todo bom Monster Hunter, é necessário saber a hora de atacar e a hora de fugir dos golpes para evitar ser massacrado por uma pisada, bicada, bola de fogo, fruta explosiva…

Falando em frutas, uma das lutas mais legais para mim foi a contra o Bishaten, novo oponente apresentado em Rise. Com uma cauda que mais parece uma mão, a besta se desloca rapidamente e arremessa frutas no caçador, que pode pegá-las e jogar de volta.

Outra criatura que conquistou meu coração, apesar de ter me dado um enorme trabalho, foi o Barioth. Além de ser majestoso, com o focinho que lembra o de um dente-de-sabre, a luta contra ele exigiu reflexos rápidos e uma boa dose de paciência.

Majestoso e mortal: Barioth usa ataques de gelo

Ao derrotar cada criatura, é muito recomendável checar suas anotações de caçador para ver informações sobre ela, como uma breve descrição, onde encontrá-la, pontos fracos e a chance de receber cada material após abatê-la ou capturá-la.

O jogador também enfrenta vários monstros ao mesmo tempo durante as fases de Frenesi.

Usando mecânicas de tower defense, cabe ao caçador ajudar os habitantes de Kamura a montar uma defesa sólida contra a invasão das bestas, que chegam sucessivamente e, as vezes, em bandos. A jogabilidade é completamente diferente do resto das missões, portanto, são momentos que podem ser vistos como um respiro entre uma caçada e outra.

Nas fases de Frenesi, é necessário escolher as armas e armadilhas a serem usadas em cada posição pré-determinada. Durante o ataque, o jogador deve manusear as armas que colocou e derrotar os gigantes que chegam querendo destruir tudo.

É um modo bastante diferente mas ainda divertido, caso você goste do gênero de tower defense.

Ao chegar no fim do jogo, ainda há muito o que fazer: desafiar a arena, embarcar em missões de grupo e ajudar jogadores em suas caçadas, enfrentar criaturas de ranking elevado — ou seja, versões mais fortes dos monstros normais — para conseguir materiais melhores e aprimorar a armadura.

Monster Hunter Rise é divertido e sua jogabilidade não deixa a desejar. Fãs da série encontrarão novidades para explorar e caçadas insanamente difíceis para completar, enquanto jogadores menos experientes não terão dificuldade em ver por que esta é uma das maiores e mais populares franquias da Capcom. Seja desafiando grandes monstros sozinho ou caçando com um grupo, o universo de Monster Hunter continua cativante.


 

Monster Hunter Rise é exclusivo de Nintendo Switch e chega em 26 de março de 2021.

O review foi feito com uma cópia de Monster Hunter Rise cedida pela Capcom.