Marvel’s Avengers | Review

jogo não é perfeito, mas tem seus momentos marcantes e a promessa de entregar mais conteúdo no futuro

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Marvel's Avengers | Review

Após uma longa e tortuosa jornada, o dia do lançamento de Marvel’s Avengers chegou e trouxe um jogo que não é perfeito, mas tem seus momentos marcantes e a promessa de entregar mais conteúdo no futuro.

É difícil falar sobre o game sem citar a montanha-russa de emoções que foi acompanhar seu teaser, revelação e, agora, seu lançamento. Anunciado em janeiro de 2017 com a promessa de mais detalhes no ano seguinte, o então conhecido como “projeto Avengers” falava sobre trazer personagens, ambientes e momentos icônicos para os fãs da franquia em um novo formato.

Houve um longo silêncio e só durante a E3 2019 pudemos ter as primeiras informações sobre o título — mas o público não ficou satisfeito, já que o jogo em si não foi mostrado, apenas sequências animadas e também artes conceituais. Em agosto do mesmo ano, durante a gamescom 2019, a Crystal Dynamics revelou um trecho extenso de gameplay, mostrando a sequência inicial do game com direito até a luta contra chefão no final.

Desde então, o jogo passou por um adiamento, duas apresentações online e diversos períodos de testes beta, para, enfim, chegar ao público. No lugar do trem do hype sem freio que estamos acostumados a ver com lançamentos desse porte, Marvel’s Avengers chegou com expectativas baixas por parte do público e tem espaço para um futuro promissor, mas que precisa começar a ser implementado logo.

Velhos conhecidos

Um enorme ponto positivo do game é algo que somente ele poderia ter: os personagens da Marvel. Munidos de grandes quantidades de carisma e personalidades que já conhecemos, heróis como Bruce Banner e Tony Stark estão bem representados na trama original do jogo, assim como os outros Vingadores que aparecem ao longo da campanha. Como a maior parte da equipe foi explorada nos filmes, até mesmo quem não teve contato com as HQs consegue resgatar memórias e ter uma sensação de familiaridade com a equipe.

O destaque fica para Kamala Khan, a Ms. Marvel, que é quem consegue manter a equipe unida e o público engajado mesmo quando a história deixa a desejar.

A campanha tem momentos grandiosos e memoráveis, e dá destaque para personagens que geralmente não são muito explorados em outras mídias, como a própria Kamala ou o vilão MODOK. Mas, entre um acontecimento marcante e outro, a história entrega diálogos ruins e pouco inspirados, criando conflitos para resolvê-los pouco tempo depois — vemos Kamala passar por um momento crítico de autorreflexão e questionamento, apenas para superá-lo poucos segundos depois, na mesma cutscene.

Em entrevista ao NerdBunker, o diretor criativo Shaun Escayg falou que a empresa gostaria de “questionar o que é ser um herói” (confira), mas, na versão final do jogo, o tema é tratado de maneira superficial e não gera reflexão.

Não há muito desenvolvimento de personagens, mas, sinceramente, acho que entregar uma narrativa bem construída e que mostrasse a complexidade dos heróis nunca foi o principal objetivo do título, que deixa bem claro que terminar a campanha é apenas o começo da sua aventura pelo mundo de Marvel’s Avengers.

Grandes poderes, grandes responsabilidades

Cada Vingador tem habilidades e traços distintos, e, por conta disso, o gameplay varia bastante de um herói para o outro. Controlá-los e descobrir as diferentes maneiras para superar obstáculos e derrotar inimigos torna a experiência divertida, e encontrar o Vingador que melhor se encaixa no seu estilo de jogo é bastante recompensador.

Os personagens contam com ataques leves, ataques fortes e esquiva. Alguns conseguem bloquear ataques, outros podem voar, e ainda há quem tenha seus golpes aprimorados por um curto período de tempo.

A habilidade ultimate, a mais potente dentre as opções, varia de acordo com cada um: Kamala fica gigante, a Viúva Negra passa a atacar usando um bastão e o Homem de Ferro chama o Hulkbuster e fica invulnerável por um tempo. Essas habilidades possuem longos períodos de recarga, portanto, é importante usá-las com sabedoria.

Para uma experiência ainda mais personalizada em Marvel’s Avengers, o jogador conta com uma árvore de aprimoramentos para os ataques especiais dos Vingadores. As melhorias estão separadas em três partes, e nas opções existem novos combos, ataques aéreos, sequências para esquiva, e também a possibilidade de extensão da duração das habilidades e outros bônus passivos. Porém, pense muito bem antes de escolher como gastar os pontos, pois, uma vez alocados, não é possível voltar atrás — ao menos até o momento.

Os pontos para aprimoramento são dados quando o herói sobre de nível, portanto, são individuais e não podem ser compartilhados entre personagens.

Além do nível em si, há um outro número importante que deve ser levado em conta pelo jogador: o nível de equipamento. Mostrado na placa de identificação de cada um, o valor em questão é uma média da armadura e itens equipados, e é o fator determinante na hora de decidir se você está pronto para uma missão ou não.

As missões mostram o nível de equipamento recomendado para completar as tarefas — não é um limitador, e sim um indicativo, sendo possível entrar em mapas mais difíceis antes de atingir o número mostrado.

As batalhas são satisfatórias e as lutas são bastante dinâmicas, e frequentemente você se vê cercado por hordas de inimigos dos mais variados portes. Há inimigos aéreos e robôs parrudos, e até mesmo um grupo dos soldados mais fracos pode ser o suficiente caso você esteja distraído. O desafio é bem-vindo sem chegar a ser frustrante.

As lutas contra chefões possuem mecânicas diferentes entre si, e obrigam o jogador a pensar em estratégias para ser bem sucedido — nem sempre é só sair apertando o botão de ataque freneticamente para garantir a vitória.

Seja seu próprio Nick Fury (mais ou menos)

Cabe ao jogador montar seu time de Vingadores, e isso se torna muito mais interessante no lado multiplayer do game. É possível convidar amigos ou deixar a sala aberta para que qualquer pessoa possa encontrar a partida, diminuindo a fadiga de repetir a mesma fase inúmeras vezes para conseguir itens mais raros e fortes.

Embora tenha algumas missões para uma pessoa, boa parte das fases podem ser completadas com a ajuda de outros, tanto na campanha quanto no pós-jogo. Além de tornar a tarefa mais fácil, o multijogador abre espaço para a criação de narrativas fora do game, com experiências diferentes a cada sessão.

Esse senso de comunidade é o fator definitivo da longevidade do título, assim como em outros do gênero (Destiny, por exemplo).

Eu entendi a referência!

As referências estão por toda parte e até mesmo eu, que não sou muito conhecedora das histórias em quadrinhos da Marvel, consegui entender algumas delas graças à fã número um dos Vingadores a quem estava controlando durante as missões. A empolgação de Kamala Khan é contagiante e, por vezes, algum comentário feito por ela ajuda o jogador a identificar itens como o primeiro escudo do Capitão América ou uma guitarra de Tony Stark.

Os colecionáveis do jogo são volumes das histórias em quadrinhos dos heróis, e é possível checar detalhes como capa e sinopse no menu. As comics podem ser encontradas em baús e nos cenários, portanto, é importante ficar atento se quiser pegar todas. Parte do universo do game é expandido através de codecs que revelam detalhes sobre locais específicos, como a enorme nave dos Vingadores.

Há também a opção de comprar novos uniformes, as famosas skins para os personagens. Os looks alternativos recriam roupas dos quadrinhos ou trazem um toque de humor para o game, o que é um prato cheio para quem gosta de easter eggs ou quer homenagear seus favoritos dentro do Marvel’s Avengers.

Avante, Avengers?


Um ponto que causa estranhamento é o fato de que os nomes dos heróis e da equipe num geral estão em inglês. Tanto na versão dublada quanto nas legendas em português, os nomes utilizados são em inglês, incluindo apelidos como Cap para o Capitão América. O que ficou conhecido por aqui como Iniciativa Vingadores em HQs e filmes torna-se Iniciativa Avengers no game.

Jogando no PS4 tradicional, presenciei queda da taxa de quadros diversas vezes durante a jornada, intensificados nos últimos capítulos da campanha, quando em dado momento os personagens simplesmente desapareceram e só consegui enxergar os efeitos de partículas na tela. Essa foi a única vez que um bug realmente atrapalhou a experiência.

Marvel’s Avengers mal foi lançado, mas os planos para o futuro do game estão sendo divulgados há meses. Começando com um elenco de seis personagens, a Crystal Dynamics prometeu ao menos mais seis personagens via DLC, incluindo o muito pedido Clint Barton, o Gavião Arqueiro — ou Hawkeye, no jogo. O Homem-Aranha será lançado como conteúdo extra exclusivo para quem estiver jogando no PS4, por uma decisão da Sony (saiba mais).

No lançamento, não há uma grande diversidade de conteúdo pós-campanha, o que é natural se pensarmos que o jogo foi pensado para receber atualizações com novidades de tempos em tempos. O foco no grind, ou seja, repetição de missões para conseguir equipamentos cada vez melhores, pode ser cansativo para alguns jogadores.

Marvel’s Avengers cumpriu parte do que prometeu quando foi revelado em 2017: os personagens icônicos estão presentes e o game possui momentos memoráveis, e há muito conteúdo para ser trabalhado no universo dos quadrinhos da Marvel. Resta saber se a comunidade vai sustentá-lo para que tenha tempo de conseguir realizar a outra parte da promessa e manter o jogo funcionando por anos.