Luke Cage – Segunda Temporada | Crítica

Novos episódios pecam por falta de foco

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
Luke Cage - Segunda Temporada | Crítica

Em 2016, quando a primeira temporada de Luke Cage estreou, escrevi um texto tecendo vários elogios para a série e a forma como ela foi conduzida. Dois anos depois, gostaria de fazer o mesmo com o segundo ano do programa, mas, infelizmente, isso não será possível.

A segunda temporada de Luke Cage possui um ritmo todo truncado. Ora o roteiro quer ser frenético, acelerado e cheio de ação, como uma aventura Marvel nos cinemas. Já em outro momento, minutos depois, quer parar para refletir profundamente sobre as questões sociopolíticas apresentadas no primeiro ano, deixando o fluxo da trama completamente de lado para isso. O showrunner Cheo Hodari Coker não sabe qual caminho quer seguir, e acaba sacrificando o andamento da narrativa nessas idas e vindas.

Os novos episódios começam com Luke (Mike Colter) já consagrado como um grande herói e celebridade do Harlem e fazendo tudo que está ao seu alcance para garantir o bem estar da comunidade. Tudo muda com a chegada de John McIver, o alterego do vilão Bushmaster, que está no bairro para terminar uma jornada de vingança iniciada décadas antes. Nesse embate, o protagonista precisará enfrentar grandes desafios e questionará suas próprias decisões e seu papel no mundo enquanto herói.

Esses conflitos internos de Luke são um dos pontos fortes da temporada, e colocam em xeque a ideia maniqueísta de bem e mal que domina completamente as HQs de super-herói. Colter, que já tinha brilhado no papel na primeira temporada, dá ao Poderoso uma profundidade dramática que é bem executada, mostrando o potencial incrível que o personagem tem e que acaba sendo mal explorado pelas decisões de roteiro.

Apesar de Colter brilhar, quem realmente rouba a cena é Mustafa Shakir, intérprete  de Bushmaster. O ator dá um ar trágico digno de uma peça de Shakespeare e consegue gerar empatia pela figura nefasta que é o vilão. Em um discurso que explica suas motivações logo nos primeiros episódios da temporada, podemos ver que seus ideais e os ideais de Cage não estão tão distantes assim, e que a principal diferença entre os dois foi o método escolhido para atingir os objetivos.

Outro ponto forte da segunda temporada de Luke Cage é a dinâmica de Misty Knight (Simone Missick) e Colleen Wing (Jessica Henwick), que consegue dar um gostinho de como poderia ser uma série das Filhas do Dragão, dupla consagrada nas HQs, dentro do Universo Marvel/Netflix. Luke e Punho de Ferro (Finn Jones) também atuam juntos em alguns momentos pontuais, e as situações são um grande fan service para aqueles que gostam dos Heróis de Aluguel, equipe formada pelos dois.

Incrivelmente, Danny Rand está menos irritante do que em sua própria série (e em Os Defensores), mostrando que, pelo menos nesse momento, encontraram uma forma de trabalhar o personagem de maneira divertida — só nos resta torcer para que esse caminho continue nas próximas aparições do herói.

Em termos de direção, a série do Poderoso continua se sobressaindo se comparada às outras séries da Marvel/Netflix, apostando mais uma vez em tons quentes e em cenários diurnos que se afastam da escuridão sem fim e da melancolia latente de Demolidor e Jessica Jones.

A nova temporada de Luke Cage possui elementos fortes e bem executados, mas que quando analisados no contexto geral de um arco narrativo com começo, meio e fim, são prejudicados pela falta de ritmo e outras decisões de Cocker. Ao fim dos (longos) 13 episódios, fica a sensação de que, apesar dos bons momentos, assistimos a algo completamente dispensável, sem personalidade, sem nada de relevante a dizer e, o pior de tudo, sem uma história interessante para contar.