Karen Soarele: “Precisamos trabalhar em equipe para manter a coerência do universo”

Um papo com a escritora e gerente da campanha Nerdcast RPG: Coleção Cthulhu sobre suas referências e os desafios do projeto

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
Karen Soarele:

Falar sobre RPG no Brasil sem lembrar de Tormenta e das produções da Jambô Editora é impossível. E não é por acaso que os livros e quadrinhos do Nerdcast RPG: Coleção Cthulhu têm produção do time Jambô. E como gerente de comunicação da campanha está Karen Soarele, escritora finalista dos prêmios Jabuti, AGES e LeBlanc com seu último livro, A Deusa no Labirinto (Jambô). Soarele também é autora de A Joia da Alma, romance no universo Tormenta, e da série Crônicas de Myríade e mestranda em Escrita Criativa na PUCRS.

Além de tudo isso, está envolvida em muitas etapas da campanha (você que garantiu a estatueta do Billy, não perca o papo abaixo!) O NerdBunker bateu um papo com Soarele para saber mais sobre suas influências e os desafios de trabalhar em um campanha que envolve tantas frentes. Confira:

NerdBunker: Qual a sua relação com o RPG?

Eu jogo RPG desde os nove anos de idade. Comecei com a caixa introdutória Dragon Quest, do D&D, depois passei para outros sistemas, sendo que os que mais joguei foram 3D&T, Vampiro, Pathfinder e Tormenta. Hoje sou romancista oficial de Tormenta, tendo escrito A Joia da Alma e A Deusa no Labirinto, além dos contos A Última Noite em Lenórienn e O Caminho das Fadas, todos inspirados no RPG. Nas quintas-feiras, jogo uma mesa de Tormenta20 ao vivo no Twitch da Jambô Editora, junto com Rex, Katiucha, Scheppi e Guilherme Svaldi, com o mestre Leonel Caldela. Interpreto Ayla, a fada mais “honesta” do mundo, com direito a caracterização com asas e peruca rosa!

Entre as muitas recompensas da campanha do Nerdcast RPG: Coleção Cthulhu, você está trabalhando em quais?

A recompensa na qual mais estou trabalhando é o livro-jogo, já que sou a autora. Porém, como também atuo como gerente de comunicação da campanha, acabo trabalhando em outros itens também, especialmente dando feedback em ilustrações e protótipos, como nos dos Pertences dos Personagens.

“A estatueta do Billy, recompensa especial para apoiadores do primeiro final de semana, foi algo que insisti bastante para que existisse e recomendei a estética e o material.”

Qual o principal desafio de adaptar algo de outra mídia?

O maior desafio está em ter sinergia com os demais materiais que estão em desenvolvimento. Por exemplo, o Leonel está escrevendo o segundo volume do romance dele. Eu não tenho como ler ainda, já que o livro não está pronto. Mesmo assim, no meu livro-jogo não podem existir acontecimentos que conflitem com o romance dele. Em outras palavras, precisamos trabalhar em equipe para manter a coerência do universo.

Quando você descobriu que precisava contar histórias, que isso era uma profissão, afinal?

Descobri que precisava contar histórias aos doze anos de idade. Naquela época, eu não tinha qualquer perspectiva de transformar essa paixão em profissão. Era tudo muito inocente. Eu simplesmente contava histórias para meus amigos, ilustrava, escrevia.

“Só fui pensar na escrita de forma profissional dez anos mais tarde, quando terminei minha pós-graduação e fiquei disponível para um novo desafio. Foi quando decidi escrever meu primeiro livro e publicá-lo, e assim surgiu Línguas de Fogo, o primeiro romance da série Crônicas de Myríade.”

Os meus quatro primeiros livros me abriram várias portas, inclusive me rendendo o convite da Jambô Editora para escrever para Tormenta.

Karen Soarele e seus livros (Foto: Divulgação)

Se não trabalhasse com arte, o que você acha que faria?

No passado, fui ilustradora. Tinha meu próprio estúdio, com sócio, funcionários e toda a parte burocrática que existe em ser empresária. Também já morei no exterior, onde trabalhava com marketing digital para uma empresa de tecnologia. Hoje sou escritora, mas também sigo trabalhando com marketing na Jambô e estou envolvida na vida acadêmica desde que embarquei em um mestrado na PUCRS. Se não trabalhasse como escritora, com certeza continuaria com algum dos meus outros papéis.

Como foi ser indicada ao Jabuti em 2020?

Simplesmente emocionante! Quando soube da indicação, eu imediatamente liguei a câmera do celular e comecei a gravar uma mensagem de agradecimento, mas também comecei a chorar muito e tremer. Acho que o vídeo ficou em parte incompreensível, mas não tenho certeza, já que nunca tive coragem de assistir! Só publiquei nas redes sociais e recebi as respostas carinhosas do pessoal que acompanha a minha trajetória.

“Quando comecei na carreira, ser indicada ao Jabuti parecia um sonho distante. Mas aqui estamos! Além de uma grande vitória pessoal, esta também é uma vitória do gênero fantástico. Até pouco tempo, a fantasia — especialmente a fantasia inspirada em RPG — era ignorada pelos principais prêmios literários. Mas o mercado e a academia estão evoluindo, e fico feliz em fazer parte dessa mudança.”


Você tem até o dia 2 de fevereiro de 2021 para apoiar o Nerdcast RPG: Cthulhu. E já pode escutar o último episódio agora!