Jogamos! Outriders é um shooter cooperativo divertido e despretensioso

Foram três horas de gameplay experimentando tudo o que o título tinha a oferecer

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Jogamos! Outriders é um shooter cooperativo divertido e despretensioso

Vivemos na era da competitividade, em que os jogos mais populares são baseados em jogadores lutando entre si por uma contagem de mortes, pontos e objetivos — ou tudo isso ao mesmo tempo.

Outriders, no entanto, aposta exatamente no contrário. Aqui, o que realmente importa é cooperação. Como pude constatar durante as três horas que experimentei o jogo em um evento para a imprensa, em Los Angeles.

O novo jogo da People Can Fly, desenvolvedora de Bulletstorm e da versão original de Fortnite, é um shooter em terceira pessoa com uma pitada de RPG que aposta todas as fichas na cooperatividade de até três jogadores e, curiosamente, em suas próprias limitações.

A história se passa em um planeta fictício chamado Enoch, em que humanos convivem pacificamente com monstros mutantes até que um fenômeno misterioso altera essa realidade, destruindo a natureza e deixando as criaturas hostis. O protagonista é praticamente jogado nesse cenário pós-apocalíptico, e resta ao jogador descobrir os mistérios.

“Estamos trabalhando nesse projeto há quatro anos, mas pensamos nele há muito mais tempo do que isso. Sempre fomos muito fãs de RPGs e MMOs de fantasia, principalmente Diablo, então a gente queria criar algo que desejávamos que sempre tivesse existido”, explicou o diretor criativo Bartosz Kmita. 

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Apesar de não ser a versão final, o visual do jogo já está impressionante!

A jogabilidade é inteiramente focada em combate, que é dividido entre dois pilares: as clássicas armas de fogo e um conjunto de poderes especiais, que variam de acordo com a classe escolhida pelo jogador.

Ao todo, são quatro classes diferentes, mas apenas três foram reveladas por enquanto. A primeira é Pyromancer, que é mais focada em dano direto com fogo; a segunda é Trickster, que explora um estilo stealth e usa habilidades elétricas para atacar; e, por fim, a Devastator, que é um tanque com poderes que usam terra e pedras.

O curioso é que as classes não se complementam ou dependem entre si, e todos têm habilidades de autocura. Elas apenas potencializam o dano por misturarem elementos e estratégias diferentes quando usadas juntas — e é exatamente isso que faz o co-op ser tão divertido. Mas também é possível desbravar Outriders sozinho se preferir (só não recomendo!).

A dificuldade do game é autorregulada de acordo com o desempenho do jogador. Já no cooperativo, alguns aspectos dos inimigos são alterados automaticamente para a experiência ficar mais desafiadora, como por exemplo, o alcance dos ataques deles é aumentado e eles se posicionam de forma mais inteligente.

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É possível até congelar os inimigos com fogo (não entendi como, mas GOSTEI!)

Como era de se esperar de um projeto inspirado em RPGs, o jogador escolhe a aparência do personagem, apesar das opções se limitarem a moldes simples de corpo e rosto. A personalização se expande para o sistema de espólios (o clássico loot) que, além de armas, também gera peças de armaduras — lembrando os mesmos sistemas de Destiny. No entanto, ainda existe um certo desbalanceamento que possibilitou que eu completasse um conjunto de peças raras em poucas horas jogadas.

Tudo isso é encaixado em uma campanha simples e direta, que não explora um sistema de escolhas, mas conta com coletáveis, missões secundárias e diálogos opcionais que aprofundam a história. E para aproveitar tudo isso, será preciso cerca de 40 horas, segundo o chefe de game design, Rafal Pawlowski.

O melhor está no cooperativo

Depois de três horas jogando Outriders, o game demonstrou potencial para ser uma experiência divertida, mas que só funcionou quando outros jogadores se juntaram em minha partida.

Os desenvolvedores ainda explicaram que não têm intenção em criar conteúdo endgame para transformá-lo em um serviço — um modelo comum para o gênero –, o que limita o que o título poderia oferecer.

Além disso, percebi que todos os objetivos dos primeiros capítulos eram os mesmos: ir do ponto A ao B enquanto derrotava inimigos que saiam de portas. E o máximo de mudança era um novo poder, que nem era tão diferente assim do que eu já tinha. Isso deu a impressão de que, a longo prazo, pode se tornar um tanto repetitivo.

Mas, no fim, eu não posso dizer que não me diverti. Dei boas risadas ao fazer combos com outras pessoas, congelar inimigos com fogo (não pergunte) e fazer do campo de batalha um verdadeiro caos — justamente a experiência que Outriders propõe.

O shooter deixa claro, desde o início, que é destinado a jogadores que querem juntar os amigos para tocar o terror. Só resta saber quem vai abraçar essa ideia ou não.

Outriders será lançado no final de 2020 para PlayStation 4, Xbox One e PC. O jogo também chegará para PlayStation 5 e Xbox Series X no futuro.


A jornalista viajou à Los Angeles a convite da Square Enix

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