Jogamos! Lara Croft enfrenta a culpa em gameplay insano de Shadow of the Tomb Raider

Desfecho da história iniciada em 2013 promete ser o melhor dos três últimos jogos

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
Jogamos! Lara Croft enfrenta a culpa em gameplay insano de Shadow of the Tomb Raider

Finalmente, joguei um pouco mais de Shadow of the Tomb Raider! Esse “finalmente” aí traduz a minha empolgação após jogar o início do game em abril, no dia da revelação da versão jogável para o mundo, em Los Angeles. Desde então, esperei por novidades e, durante a E3 2018, pude experimentar um pouco mais do jogo que fecha a história iniciada em 2013.

Mas, antes de pegar nos controles de fato, assisti aos desenvolvedores jogarem uma parte mais “light” do título mais sombrio da nova fase da franquia. Lara estava em uma cidade no Peru: uma civilização perdida que mistura incas e maias. A aventureira estava com uma roupa diferente, disfarçada de alguém da região. Nessa cidade, ela podia acariciar uma lhama, iniciar algumas missões paralelas sem compromisso em troca de algumas moedas de ouro e itens, e negociar com comerciantes locais (roupas diferentes, entre outras coisas).

O cenário está mais vertical e amplo: se há algo bem no início de uma cachoeira, no topo de uma montanha, por exemplo, Lara pode ir lá — ela também pode mergulhar e procurar por objetos diversos. Isso reflete na maneira de explorar as tumbas e resolver puzzles. Ela agora respira por mais tempo debaixo d’água, mas não quer dizer que o risco seja menor.

Entramos em uma caverna dentro de uma montanha e vislumbramos um enigma enorme a ser resolvido. O cenário é apresentado mas a demonstração termina. Uma novidade interessante é que o jogador pode mexer nos níveis de dificuldade de cada aspecto do jogo de maneira individual, ou seja: você pode “desligar” os comentários da Lara que o ajudariam a resolver algo, desativar que apareçam instruções de qual botão apertar em determinado momento, mas deixar as lutas no modo mais fácil em paralelo. Se você desativar tudo que serviria de guia e colocar os inimigos no modo difícil, o jogo pode se tornar extremamente desafiador!

Assumindo o controle

Agora, com o controle em mãos, chega a hora de jogar uma parte com mais ação. Lara está com recursos limitados por algum motivo que não sabemos: ela só conta com uma faca e o arco. Há um tipo de flecha que causa medo nos inimigos, deixando-os paranoicos. Você deve incorporar esse item à sua estratégia, atirando de cima das árvores ou escondida em arbustos.

Tentei uma abordagem direta e falhei miseravelmente. Shadow of the Tomb Raider privilegia o stealth e a paciência. Mas isso não quer dizer que o ritmo de jogo se torne mais lento: os tipos de assassinato, as ações dos NPCs e a interação com o cenário compensam a necessidade de esperar (dá para atirar nas luzes, escutar uma conversa de desabafo dos bandidos e utilizar objetos como parte da estratégia — a boa e velha garrafa, por exemplo).

Na mata fechada, você segue avançando com facadas precisas, flechadas e enforcamentos. A violência existe, mas sem gore: não espere muito sangue na tela (o que, para mim, não faz falta…). Ao final da demo, em uma cena de ação intensa, você tem que prender o arco em uma corda e deslizar até uma espécie de deque, onde há (que surpresa!) um caminhão de combustível. Pelo rádio, você ouve alguém mandar explodir tudo!

Quando você chega ao local, acaba atingido pela explosão e pelas chamas. Agora é só assistir: Lara cai na água e está prestes a chegar ao fim da vida quando uma discussão com Jonah ressurge: ela causou a morte de dezenas (ou centenas?) de pessoas, ela se acha a única capaz de resolver tudo, mas na verdade, está mesmo obcecada com a Trindade e, por essa razão, causou um problema gigantesco… E a culpa se torna ódio quando Lara abre os olhos.

Quando levanta, está com as chamas como cenário ao fundo e um inimigo se debate no chão no que sobrou do deque. A animação segue intercalando cenas do inimigo sofrendo e temendo pela vida com Lara tirando a faca da cintura, ao som de uma trilha sonora pesada. Ele se arrasta até uma arma, ela caminha lentamente em direção a ele, ela chega ao deque, o homem quase pega a arma — mas Lara evita que isso aconteça, pisando no braço dele (um clássico!) e termina tudo com uma facada no pescoço do inimigo. A tela fica preta.

A cena acima é mostrada no último trailer, mas de forma picotada, e é o final apoteótico de uma gameplay que mostra uma Lara Croft sanguinária, poderosa e cheia de ódio por tudo o que causou. A história do game é envolvente — é um grande filme de ação jogável. Ao que tudo indica, será o melhor jogo da “nova trilogia” e o encerramento perfeito para a reinvenção da personagem, equilibrando uma boa narrativa com puzzles interessantes (pelo menos os que pude ver nas duas demonstrações) e uma dose de ação que exige inteligência e paciência.

Shadow of the Tomb Raider será lançado no dia 14 de setembro de 2018 para PlayStation 4, Xbox One, Microsoft Windows