Infernax | Review

Novo título se inspira em clássicos como Castlevania em uma experiência mais simples

Vítor Heringer Publicado por Vítor Heringer
Infernax | Review

Infernax é um título com uma jogabilidade em 2D, gráficos mirando um estilo retrô e que traz de volta todos os desafios de clássicos dos anos 1980 e 1990, como Castlevania (1986). Só que, dessa vez, o jogo desenvolvido pela Berzerk Studio (Just Shapes & Beats) ainda conta com um grande diferencial: legendas em português do Brasil.

A história é bem simples e serve mais como um pano de fundo para a jogabilidade. Ela começa com o duque Alcedor voltando para sua terra natal após um período fora por conta de uma cruzada. O alívio, entretanto, dura pouco. Em sua chegada, ele se depara com um monstro e descobre que uma terrível maldição se espalhou pelo reino. Com o próprio nome a zelar, Alcedor parte cheio de determinação em uma jornada para derrotar as mais variadas criaturas, assombrações, demônios e caveiras.

Criaturas e ambientação assustadores estão no caminho do duque Alcedor para salvar o reino

O destaque da narrativa fica por conta dos finais alternativos. Durante a jornada pelo game, os jogadores são confrontados a tomarem decisões, como matar ou não um monstro, ou destruir uma represa. De início, essas escolhas podem não parecer tão importantes, mas logo os impactos aparecem no mundo de Infernax, como ao ocasionar a morte de um cidadão inocente.

Estas consequências tornam a conclusão do jogo mais atrativa e estimula o jogador a fazer todas as missões disponíveis no título, incluindo até as secundárias, para saber o fim que elas levam.

A ambientação do game é excelente, com cenários repletos de pessoas mortas brutalmente, muito sangue e trilha sonora que traz uma sensação constante de incômodo. Tudo isso garante uma ótima imersão para lidar com as criaturas horrendas de Infernax.

Decisões ao longo da aventura tem um grande impacto pelo mundo de Infernax

Enquanto a história não brilha, é no gameplay que Infernax se propõe a prender os jogadores. A jogabilidade começa bem básica, com Alcedor equipado com uma maça, um grande escudo e uma armadura simples.

Inicialmente, o duque tem apenas um botão de ataque e um de pulo que não é possível controlar a altura (sim, todo pulo é bem alto). Esta escolha de limitação do salto pode ser irritante em alguns momentos por conta da imprecisão, como ao tentar matar inimigos que voam e perder uma barra de vida à toa. Ter uma mecânica de pulo para decidir a altura do salto seria um grande alívio, mas a escolha faz sentido considerando a proposta de um desafio como antigamente.

Conforme a história avança, o personagem consegue novas habilidades, como quebrar paredes e atacar forte no chão. Além disso, existem diversas magias espalhadas pelo game, algumas encontradas no caminho da história e outras disponíveis após fazer uma missão secundária.

Os novos poderes do duque melhoram a experiência, principalmente pela oportunidade em utilizar magias de ataque, ou guardar mana para uma de cura. Por isso, as opções inéditas ao longo da jornada permitem que as pessoas possam jogar de sua própria maneira e diversificam (pelo menos um pouco) a jogabilidade.

Os Castelos (masmorras) têm os quebra-cabeças de travessias como os maiores desafios

O principal objetivo aqui é derrotar cinco masmorras (além de um chefe final), e cada uma delas conta com diferentes desafios que exigem que os jogadores dominem as habilidades obtidas ao longo da aventura. Os locais, chamados de Castelos, são os carros-chefe de Infernax.

Os calabouços trazem quebra-cabeças de travessia bem desafiantes e recompensadores. Sim, eles vão te deixar irritado, só que não por injustiça, mas, pelo seu próprio erro, e exigem várias tentativas para conseguir pegar o jeito, além de muita paciência para não arremessar o controle contra a parede.

Em determinados momentos, a alegria por passar de um local difícil e a raiva de acabar morrendo para algo simples acontecem praticamente em sequência, então só resta a resignação de voltar para o ponto de salvamento. Afinal, qual jogo estilo retrô não testa a paciência do jogador? Eu mesmo cheguei a ficar preso por horas em alguns lugares. Me estressei (comigo mesmo), mas a felicidade após passar é indescritível.

As masmorras, no entanto, têm uma grande decepção: os chefes. As lutas contra os boss no final de cada castelo oferecem uma experiência mais branda e menos criativa em relação aos percursos para chegar até eles.

O principal motivo para isso são os padrões de ataques repetitivos. Dessa forma, ao se acostumar com as investidas, a luta pode ser vencida facilmente e não traz a mesma sensação de risco e recompensa.

Os chefes podem decepcionar pelo padrão de ataque repetitivo

Infernax é uma ótima opção para aqueles que desejam relembrar a experiência dos clássicos do passado, entregando um gameplay satisfatório e desafios na medida certa, principalmente ao disponibilizar duas dificuldades (clássica e casual). Portanto, atrai tanto os mais experientes no gênero, quanto novatos como eu.

Os desenvolvedores apontam que o game foi pensado para ser jogado no clássico, mas a experiência não é afetada pelo casual e também traz desafios suficientes para quem deseja aproveitar o puro suco de mecânicas de títulos antigos. Tudo isso, com legendas em português do Brasil.

Além disso, o estilo artístico também é muito bem feito para os apaixonados por visuais retrô. A sensação é de voltar algumas décadas e ter aquele sentimento único de jogar no NES, SNES e diversos consoles clássicos da indústria.

Infernax já está disponível para PS4, Xbox One, Xbox Series Nintendo Switch e PC. Este review foi feito com uma cópia de PlayStation 4 cedida pela publisher The Arcade Crew via Masamune.

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