Immortals Fenyx Rising | Review

Jogo traz boas ideias, mas se torna repetitivo e entrega uma experiência mediana

Marina Val Publicado por Marina Val
Immortals Fenyx Rising | Review

Immortals Fenyx Rising é um título inédito da Ubisoft que aborda temas da mitologia grega em um jogo de mundo aberto e com visual cartunesco.

Na trama, depois de todos os humanos serem transformados em pedra, a jovem Fênix precisa salvar o dia, o mundo e os próprios deuses. Para isso, ela — ou ele, se você preferir personalizar seu personagem assim — enfrentará criaturas mitológicas poderosas como ciclopes, górgonas e minotauros em regiões inspiradas pelos deuses gregos.

Immortals tem coisas divertidas e não chega a ser terrível, mas, tendo terminado depois de mais de 25 horas, é difícil encontrar pontos realmente positivos para falar. Tudo o que ele faz é apenas mediano e cercado de ideias que ou não são exploradas à fruição ou são tão repetitivas que tiram o brilho que o game poderia ter.

Uma IP nova, sem ideias novas

O jogo promete um mundo aberto com um combate divertido, personagens carismáticos e texto cheio de humor — ou pelo menos é o que tenta fazer na maior parte do tempo. Na prática, é um título que pode ser resumido em “pode copiar, mas não faz igualzinho” e que traz uma versão piorada de mecânicas que vimos em outros games, com um texto vazio, que troca qualquer sentimento por piadas nível quinta série. Em alguns momentos dá até para esboçar um sorriso com as gracinhas, em outros, a vergonha alheia é mais forte.

Alguns elementos da jogabilidade são bem similares a The Legend of Zelda: Breath of the Wild, como poder escalar praticamente qualquer coisa (desde que sua barra de stamina aguente), fazer missões na ordem que quiser entre as áreas disponíveis, e resolver desafios em mini calabouços. Até certos poderes especiais, como o de levantar e arremessar objetos pesados com uma espécie de telecinese, estão presentes aqui.

Immortals Fenyx Rising
Nada de ir correndo para o chefe final em Immortals Fenyx Rising

Quando me refiro a “áreas disponíveis”, falo das quatro das áreas de deuses que você encontra logo depois da ilha inicial que podem ser exploradas na ordem que quiser. Entretanto, não é possível enfrentar o último chefe a qualquer momento por barreiras físicas e de história (sinto muito, speedrunners). Pelo menos esse ponto não é exatamente igual a Breath of The Wild.

Como Immortals Fenyx Rising tem uma enormidade de semelhanças com o jogo da Nintendo e fica evidente que essa é a maior inspiração, ele convida a comparações constantes. O problema é que ele não tem a menor chance de vencer esse confronto e superar o que já foi feito, já que nenhuma ideia é executada de maneira mais interessante.

Enquanto Breath of the Wild tem dungeons criativas, que desafiam o jogador a pensar em diferentes soluções, quase todas as de Immortals Fenyx Rising seguem uma receitinha de bolo: mostram logo no começo de cada calabouço uma versão simplificada do problema (geralmente um quebra-cabeça ou desafio de plataforma), que deve ser repetida até o fim. A dificuldade muitas vezes está mais na execução dos saltos, que não são particularmente complicados na grande maioria das vezes, do que nos puzzles em si.

Além disso, os inimigos não são muito variados e alguns chefes usam exatamente os mesmos golpes, mudando apenas a cor. Então, se você já enfrentou um grifo ou uma harpia, sabe exatamente qual sequência de golpes esperar e até mesmo o timing para desviar de cada um deles. As lutas só duram mais por conta da barra de HP maior que adversários específicos trazem, mas acabam ficando apenas chatas e demasiadamente longas quando não há nenhum tipo de mudança ou a famosa “segunda fase” no combate.

As montarias, outro elemento que também parece ser inspirado no game da Nintendo, aparecem pelos cenários de Immortals, mas não há muito desafio para capturá-las, é só chegar perto devagarzinho e apertar um botão. A maior parte delas só se diferem pela cor ou algum detalhe do visual que é meramente estético. O único atributo variável que elas possuem é a stamina, que algumas criaturas raras ou épicas têm a mais, mas não é uma vantagem tão grande em um jogo no qual você passa a maior parte do tempo voando de um ponto a outro sem auxílio de nenhuma delas.

Immortals Fenyx Rising review
A abundância de ícones no mapa de Immortals Fenyx Rising

O título também comete um erro que Assassin’s Creed já superou há alguns anos que é: encher o mapa de ícones. Você acaba não explorando o mapa por estar instigado por algo e sim por ter subido em um local muito alto que revelou que em tal ponto há um baú ou ambrosia esperando. É só seguir os pontos de interesse até o fim, não existe aquela sensação de um mundo aberto que guarda milhares de segredos até que você saia explorando e descobrindo o que cada cantinho reserva.

Poderosa Fenyx

Outra questão que ressalta como alguns pontos de Immortals Fenyx Rising não foram tão bem aproveitados são as habilidades. Existe um momento bem específico quando você ainda está desbloqueando os golpes que o jogo fica divertido, já que você quer conseguir novos poderes e ficar mais forte. É interessante ver a árvore com todas as opções possíveis e ficar pensando o que seria mais útil de evoluir primeiro.

Só que, conforme você adquire novos golpes e percebe que todos eles usam a mesma barra de stamina, fica claro que alguns trazem muito mais vantagem do que outros. Assim que identifiquei a mais forte, que dá muito dano e em vários monstros ao mesmo tempo, não tinha muito motivo para usar outras habilidades que gastariam praticamente a mesma coisa pra tirar menos vida dos inimigos.

Mesmo contando com o “complecionismo”, chegou muito rapidamente o momento em que não tinha mais tanta motivação para fazer outras missões para ganhar mais moedas de caronte e comprar novos poderes, já que foi possível adquirir praticamente tudo sem grande esforço. Mesmo ir atrás de ambrosia para aumentar as barras de vida não era tão recompensador a partir de certo ponto, já que os adversários não ofereciam tanto desafio assim.

Pedras no caminho

Durante o período de testes, havia alguns bugs esperados e que devem ser corrigidos com o patch que vai ser lançado em breve. Alguns foram até engraçados, enquanto outros me tiraram um pouco do sério por envolverem perder progresso. Realmente torço para que quem jogue a partir do lançamento não encontre nenhum deles.

O jogo também possui uma loja com microtransações que envolve dinheiro real e oferece basicamente mudanças cosméticas como skins para as armas ou para as montarias. Também é possível adquirir essa moeda com missões dentro do jogo, só que de maneira bem limitada. Não parece ser algo que força o jogador a gastar dinheiro, mas é algo que poderia nem existir.

Como citei anteriormente: este não é um jogo terrível, apenas não é particularmente memorável. Com todas missões secundárias que oferece, acredito até que ele tenha bastante conteúdo que o pessoal que curte conquistas e troféus vai apreciar. Só que tudo é tão vazio e repetitivo que, depois de ver o final da história, não dá vontade de passar mais tempo nesse mundo. Se muito, o que ele realmente mostrou foi que eu deveria voltar para Hyrule ou economizar meu dinheiro para explorar o que Night City tem a oferecer logo na semana seguinte.


Immortals Fenyx Rising está disponível para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series. Este review foi feito com uma cópia cedida pela Ubisoft.