Hyrule Warriors: Age of Calamity | Review

É diferente, mas é Zelda até o último fio de cabelo

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Hyrule Warriors: Age of Calamity | Review

Verdade seja dita: o gênero Musou deveria ser transformado em algum tipo de terapia, sério. É de um prazer sem igual derrotar mais de 50 inimigos com um único golpe, todos deviam experimentar. Ainda mais agora com a chegada de Hyrule Warriors: Age of Calamity, que é um dos melhores lançamentos do gênero e também um spin-off de The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Apesar do anúncio pegar todo mundo de surpresa, Hyrule Warriors: Age of Calamity atiçou a curiosidade de todos os fãs de Breath of the Wild, já que o game se propunha a contar os acontecimentos que antecedem o premiado jogo dirigido por Eiji Aonuma. Inclusive, o diretor trabalhou muito perto do time da Omega Force, para entregar uma experiência convidativa aos fãs do jogo origem, mas ao mesmo tempo divertir também aqueles que não conhecem a história do guerreiro Link e da princesa Zelda.

Senta que lá vem história

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Antes de mais nada, é preciso conquistar a confiança dos Campeões

Age of Calamity se difere dos outros crossovers do estúdio Omega Force com franquias de sucesso porque conta uma história que vale a pena ser apreciada. Nada contra a campanha de um One Piece: Pirate Warriors, por exemplo, mas por lá o que encontramos é uma versão resumida da mesma história que pode ser lida ou assistida.

A guerra que destruiu completamente Hyrule aparece apenas nas lendas de Breath of the Wild e aqui é o foco da narrativa. Uma princesa Zelda que ainda não conseguiu despertar seu poder latente, um soldado disposto a qualquer coisa para cumprir seu dever e companheiros que não medirão esforços para derrotar Calamity Ganon e seus exércitos malignos.

O mundo de Hyrule no início do game é dividido em quatro grandes regiões principais. Cada uma delas representada por um dos campeões responsáveis por pilotar as Feras Divinas (Divine Beasts). Com Link (ou Zelda, ou Impa) é preciso buscar pela ajuda dos grandes guerreiros do reino, personagens de extrema importância em BotW e que agora ganharam todo o destaque que sempre mereceram.

Quem já viu Revali, Urbosa, Mipha ou Daruk em ação antes vai se deliciar com as referências. Quem não conhece nada do JRPG também consegue satisfazer sua curiosidade e aprender muito sobre o universo de Zelda. Fica bom para todo mundo e não estou falando isso só por falar.

Não é só mais um Musou

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O combate em Hyrule Warriors funciona na base do controle de multidões

Hyrule Warriors: Age of Calamity explora bem toda a sua experiência com jogos do gênero. O gameplay trabalha bem o básico da fórmula, com combos visualmente belíssimos, muito grinding para subir personagens e armas de nível e recursos exclusivos derivados diretamente de BotW.

O título não conta com muitos personagens, mas todos eles possuem suas próprias características e mecânicas exclusivas. Impa, por exemplo, na sua forma mais jovem e habilidosa, precisa absorver com sua espada alguns símbolos que ela mesma coloca em seus inimigos. Cada símbolo absorvido aumenta seu poder e lhe dá novos golpes especiais.

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As missões paralelas de AoC servem para destravar novos poderes para os personagens

Além do nível de habilidade obtido via experiência de combate, é preciso realizar missões paralelas para ganhar bonificações como mais energia, combos maiores e novos ataques especiais. Essas quests funcionam na base da entrega de itens preestabelecidos.

Cada entrega de itens bem sucedida lhe concede uma vantagem específica. E para adquirir esses itens, num primeiro momento, é uma tarefa bastante linear — realize uma tarefa, seja recompensado por itens e use-os na missão paralela. Obviamente que no final do jogo será preciso refazer alguns cenários para obter esses itens em maiores quantidades, mas nada que seja muito complexo.

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É possível adquirir certos materiais nas lojas espalhadas por Hyrule

Essas missões paralelas também destravam alguns estabelecimentos importantes para a sua evolução. Lojas de matérias-primas, ferreiros e campos de treinamento ficam à disposição do jogador e são de grande valia no decorrer da aventura.

Os ferreiros, por exemplo, podem evoluir o grau de qualidade das suas armas. Cada um desses equipamentos possui suas próprias habilidades especiais, e na hora de fundi-las é preciso escolher com cuidado quais habilidades o jogador vai querer levar adiante. Uma vez fundidas, as armas não podem ser desfeitas.

Combate diferente, mas parecido

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Os prompts de comando na cabeça dos inimigos indicam seu ponto fraco

Certas características do combate visto em Breath of the Wild ganhou sua própria versão em Age of Calamity. A esquiva é um fator decisivo na batalha contra monstros gigantes ou chefes de fase. Uma esquiva feita no momento exato do golpe faz o tempo desacelerar e revela imediatamente o ponto fraco do inimigo: essa técnica é chamada de Flurry Rush.

Todos os personagens compartilham as tochas (que funcionam como granadas) elementais, itens de cura e magias específicas que precisam de um tempo de resfriamento para serem utilizadas uma segunda vez em seguida. Essas habilidades especiais funcionam como contra ataques específicos de chefes de fase, mas é preciso ficar de olho no prompt de comando que aparecer na tela para utilizar o ataque correto.

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Link é o único personagem que troca roupinhas ao gosto do jogador

No elenco de bonecos disponíveis do jogo, Link é o único que consegue trocar de armadura e escolher armas diferentes para o combate. Apesar do descritivo de cada armadura apresentar detalhes como resistência ao frio ou calor, não consegui notar nenhum tipo de vantagem na jogabilidade. Vale mais pelo visual mesmo.

Já no caso das armas, cada arma que Link equipa lhe garante novos combos e golpes especiais. Espada e escudo, lança, machado, espada de duas mãos e bumerangue, cada uma dessas armas transforma o boneco quase que por completo. É um jeito bacana de driblar um pouco a falta de personagens selecionáveis no game — não são muitos, mas cada um deles é único à sua maneira.

E como já foi visto em trailers do jogo, em AoC é possível jogar com as Feras Divinas em missões exclusivas para cada uma delas. Todas funcionam mais ou menos da mesma maneira, algumas com um certo grau de dificuldade — Vah Naboris é a mais complicadinha.

A inveja para com todos os portadores de um Nintendo Switch bateu forte aqui, já que Hyrule Warriors: Age of Calamity é exclusivo do console da Nintendo. Como fã de Musou, posso garantir que ele é um jogo repleto de ideias inovadoras na sua apresentação e narrativa, e consegue entregar um gameplay divertido e honesto — mesmo com a queda de FPS quando o console está ligado na televisão.