Por que Adam Warlock de Guardiões da Galáxia Vol. 3 decepciona

Prometido há uma década, grande personagem das HQs não recebeu muito destaque no filme da Marvel

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Por que Adam Warlock de Guardiões da Galáxia Vol. 3 decepciona Guardiões da Galáxia vol. 3/Marvel/Divulgação

Guardiões da Galáxia Vol. 3 chegou aos cinemas com a missão de dar adeus a uma das mais amadas equipes da Marvel nos cinemas. Além da despedida, o filme é marcado por finalmente trazer Adam Warlock para a telona. Sonho antigo dos fãs, a participação do personagem dividiu o público tanto por sua importância nas HQs, quanto pelas promessas deixadas pelo próprio MCU.

A apresentação de Adam Warlock, interpretado pelo ator Will Poulter (Midsommar), colocou fim a uma espera de uma década. Literalmente. A cena pós-créditos de Thor: O Mundo Sombrio mostrou que o Colecionador (Benicio del Toro) tinha um casulo em sua coleção. Parte da mitologia do personagem, o tal casulo apareceu de novo no primeiro filme dos Guardiões da Galáxia, cuja cena pós-créditos mostrou o invólucro aberto.

A chegada de Warlock foi sugerida definitivamente em Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017). A cena pós-créditos do filme mostra a soberana Ayesha (Elizabeth Debicki) encarando o casulo de um ser que ela definia como a próxima evolução de sua raça. Alguém a quem ela chamaria de “Adam”.

Como se não bastasse, essa última indicação nada sutil de que Adam Warlock estava a caminho aconteceu quando o Marvel Studios preparava Vingadores: Guerra Infinita (2018). Sugerir a apresentação do personagem quando Thanos estava prestes a ganhar destaque nos cinemas fez muitos fãs dos quadrinhos deduzirem que os dois entrariam em conflito nas telonas em breve. Para entender esse raciocínio, precisamos voltar aos quadrinhos.

Quem é Adam Warlock?

Para entender a importância de Adam Warlock nos quadrinhos, a gente precisa voltar para 1975, quando o quadrinista Jim Starlin voltou a trabalhar na Marvel. Criador do Thanos, ele deixou a editora após uma briga e retornou quando a revista em que trabalhava já tinha uma nova equipe criativa. Isso levou Starlin a escrever Adam Warlock, personagem que tinha potencial para suas ideias, apesar de uma trajetória no mínimo esquisita.

O personagem surgiu nos quadrinhos dos anos 1960 como “Ele”, um ser criado em laboratório para ser a evolução da raça humana. Absolutamente poderoso, ele foi concebido por cientistas que queriam usá-lo para conquistar a Terra. Porém, ao se libertar de seu casulo, Ele rejeita seus mestres, os mata e passa a vagar pelo cosmo.

Ele só passou a se chamar Adam Warlock anos depois, quando passou por uma reformulação. Nessa época, o personagem ganhou uma identidade messiânica e passou a ser o portador da Jóia da Alma em uma revista solo que durou pouco, mas o deixou no ponto para protagonizar as aventuras imaginadas por Jim Starlin.

Montagem com imagens de Ele e Adam Warlock nas HQs (Marvel Comics/Reprodução)
Visual original de “Ele” ao lado da primeira aparição do personagem como Adam Warlock (Marvel Comics/Reprodução)

Com Warlock como protagonista, o quadrinista deu início a um épico sci-fi que incluía tanto algumas de suas antigas criações, como Thanos e Drax, quanto personagens novos, como Gamora. Uma verdadeira saga que marcou época ao expandir o núcleo cósmico da Marvel nas HQs com excelência – e não sou eu quem estou falando. Responsável por clássicos de Batman, X-Men e mais nas HQs, Grant Morrison define Adam Warlock no livro Superdeuses como a “obra-prima de Starlin” por ser “uma jornada existencial encharcada de ácido que começou com alguns de seus melhores trabalhos”.

Foi um trabalho tão sólido que nem mesmo as baixas vendas da revista fizeram o personagem ser esquecido. Uma década após o gibi ser cancelado, Starlin voltou à área cósmica do universo Marvel e criou outro grande épico: Desafio Infinito, a famosa saga em que Thanos usa a Manopla para dizimar metade do universo e inspirou os rumos da Marvel nos cinemas.

Sucesso de público e crítica, o quadrinho se tornou parte fundamental da enorme rivalidade entre o Titã Louco e Adam Warlock, que chega a pedir a ajuda do vilão, mas usa a Manopla do Infinito para salvar o dia. Um arco memorável que foi a primeira parte de um épico que se expandiu tanto em uma nova revista de Warlock, quanto em continuações nas sagas Guerra Infinita e Cruzada Infinita.

Adam Warlock usa a Manopla do Infinito em cena da HQ Desafio Infinito (Marvel/Reprodução)
Adam Warlock usa a Manopla do Infinito em cena da HQ Desafio Infinito (Marvel/Reprodução)

A ausência de Adam Warlock no MCU

A descrição acima é um brevíssimo resumo de uma jornada desenvolvida ao longo de quase 30 anos. Porém, ela ajuda a explicar de onde veio a espera por Adam Warlock nos cinemas. Primeiro porque o grande vilão da Marvel nas telonas foi Thanos, justamente o grande inimigo de Warlock nas HQs. O herói também era portador de uma das Joias do Infinito – uma trama que acabou parcialmente adaptada na origem do Visão.

Com tudo isso em mente, fica fácil entender por que as cenas pós-créditos – em especial a de Guardiões da Galáxia Vol. 2 – foram recebidas como fortes sinais de que Warlock seria acionado para combater a versão live-action do Titã Louco. Uma teoria que foi prontamente negada por absolutamente todos os envolvidos nesses filmes.

Diretor de Guardiões da Galáxia, James Gunn disse ainda em 2017 que Adam Warlock não daria as caras nos próximos filmes dos Vingadores. Roteiristas de Guerra Infinita e Ultimato, por sua vez, Christopher Markus e Stephen McFeely afirmaram não ter planos para incluir o personagem na história, porque Warlock roubaria o foco dos heróis que o público já conhece.

“A lógica era honrar o MCU como ele era e os personagens que você já amava. Não queríamos gastar muito da história apresentando uma pessoa totalmente diferente. Isso roubaria você de alguém [que já está lá]”, disse o roteirista McFeely à Backstory (via CBR).

Se a expectativa não foi cumprida nos últimos filmes dos Vingadores, ela ficou para Guardiões da Galáxia Vol. 3. Para a alegria dos fãs, o longa finalmente trouxe Adam Warlock para as telonas. Mas, para a tristeza de muitos, essa inclusão passou longe do ideal.

Will Poulter como Adam Warlock em Guardiões da Galáxia Vol. 3 (Marvel/Divulgação)
Will Poulter como Adam Warlock em Guardiões da Galáxia Vol. 3 (Marvel/Divulgação)

Adam Warlock em Guardiões da Galáxia Vol. 3

Fugindo de spoilers, muitos fãs consideraram a participação do personagem de Will Poulter na trama abaixo de seu potencial. Além de curto, seu arco é quase irrelevante ao ponto de nem fazer diferença que ele seja Adam Warlock realizando aquelas ações. É um coadjuvante de luxo que está lá como um deus ex machina ambulante que poderia ter outra identidade e sequer faria diferença ao produto final.

Não me entenda mal. A questão não é a diferença entre as personalidades do personagem nas HQs e nos cinemas e tampouco a atuação de Poulter. O problema está em apresentá-lo justamente na despedida dos Guardiões da Galáxia sabendo que o foco seria a conclusão da jornada da equipe. Um erro que comprova como foi certeira a decisão dos roteiristas de Guerra Infinita e Ultimato em deixá-lo de fora do adeus aos Vingadores.

Porém, a versão dos cinemas merece o benefício da dúvida. Apesar de não cumprir a gigantesca expectativa gerada em torno dessa chegada, a apresentação de Adam Warlock passa longe de ser ruim. Pelo contrário, o personagem demonstra um grande potencial para se tornar ponto-central das novas aventuras cósmicas do MCU. Resta aos fãs a paciência para que ele retorne ao casulo novamente e saia dele como o grande herói messiânico que as HQs nos ensinaram a amar.

Com roteiro e direção de James Gunn, Guardiões da Galáxia Vol. 3 tem o retorno de Chris Pratt, Dave BautistaZoë SaldañaBradley CooperKaren Gillan e Vin Diesel no elenco. O filme está em cartaz nos cinemas do Brasil.

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