Gran Turismo Sport | Review

O clássico do PlayStation retorna de cara nova

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Gran Turismo Sport | Review

Para quem é fã do automobilismo virtual, o ano de 2017 está implacável. São tantos lançamentos em sequência que fica difícil escolher um só. E melhora ainda mais quando um dos ícones do gênero resolve que é hora de voltar ao mercado. Gran Turismo Sport finalmente é lançado e renova a franquia de um jeito inesperado.

Novo e diferente

Pode parecer estranho, mas ele não é mais um jogo de colecionadores de automóveis. O conceito criado e cunhado desde o primeiro título da franquia, explorado também por seu rival Forza até os dias de hoje, deixou de ser seu condutor.

O mais importante agora é correr e se desenvolver como piloto. Para auxiliar na tarefa, o retorno da viciante escolinha de direção, que antigamente premiava o jogador com as licenças de direção, e por consequência, possibilitava a continuação do modo carreira, agora é a própria campanha do jogo.

A campanha de Gran Turismo Sport agora é a escola de pilotagem. Dividida em três categorias — Escola de Pilotagem, Desafio de Missão e Experiência de Circuito — é preciso vencer um desafio para habilitar outro, e todos são premiados com ouro, prata e bronze.

A quantidade de desafios propostos por GT-S fará com que nenhum dos jogadores “das antigas” se sinta abandonado. São vários tipos de provas, que vão desde a clássica aceleração e frenagem, controle nas curvas, aceleração, “dentro-fora-dentro” e outras técnicas reais de pilotos profissionais, até testes específicos em circuitos reais, ensinando os detalhes de cada um — inclusive o de Interlagos — aos pilotos de sofá.

É claro que a impressão de que falta algo para pôr todo esse ensinamento em prática não sai das nossas cabeças. A única forma para um jogador experimentar todo esse conhecimento contra a inteligência artificial é o modo arcade de corridas únicas. Ao mesmo tempo, nada é melhor que correr contra pessoas reais no modo online.

Completamente acessível via controles tradicionais, o game não cria a luta entre jogador e veículo que é vista em Project Cars 2. Segue perto do que é apresentado em Forza 7, mas com sua própria identidade.

A liberdade para ligar ou não as assistências do jogo é a responsável pelo tom de simulação. E se experimentado num volante bacana, tudo só melhora. Só lembre-se que nas disputas oficiais online, existe um padrão para as corridas, tente mantê-lo no seu jogo corriqueiro para ir se acostumando.

Corridas reais, só que virtuais

Campeonatos, provas especiais e desafios mais instigantes só no modo online. Lá, depois de uma breve explicação sobre ética de conduta de pilotos (muito bem-vinda, aliás), o modo Esporte de GT-S é liberado.

Focado principalmente nas disputas online, GT-S pretende brilhar mais que qualquer outro concorrente. Claro, pensando no futuro do game, já que atualmente as verdadeiras competições ainda não começaram e devem passar por severas atualizações.

Por enquanto, temos o equivalente a uma disputa ranqueada em jogos de luta. Lá dentro você escolhe participar num dos três tipos de corridas, em pistas escolhidas previamente pelo evento. Ao que parece essas pistas mudam com o tempo, mas atualmente são Kyoto Driving Park – Miyata, Dragon Trail – Litoral e Autodrome Lago Maggiore – GP, cada uma com sua classificação específica de veículos também.

Uma diferença do que acontece nas corridas online em geral é que em vez de esperar num lobby para a sua realização, todas elas ocorrem em intervalos pré-estabelecidos: no geral, uma espera de 20 minutos entre os eventos.

É possível praticar voltas de classificação enquanto aguarda a sua vez, e ganhar posições valiosas no grid de largada. A premiação desses eventos são entregues como CP (Classificação de Piloto) e CE (Classificação Esportiva). A segunda pontuação, no caso, diz respeito a como você conduz dentro de uma partida: se realiza ultrapassagens ao custo do carro adversário, não se importando com acidentes causados pelo não uso do freio, se considera “totós” em adversários jogadas completamente limpas, se corta curvas fechadas pela grama, ou seja, se pilota como um genuíno Dick Vigarista.

Os verdadeiros campeonatos só começam em novembro. Eles já estão destacados no menu online do jogo, e todos são outorgados pela FIA. A Taça das Nações FIA GT coloca cada jogador representando seu país de origem num torneio com suas próprias regras já delimitadas. Um segundo torneio separa os jogadores em marcas pré-estabelecidas, com o próprio jogador assinando o contrato com a marca que deseja representar e enfrentando os demais competidores. E também existe o torneio da própria Polyphony, com todos os jogadores pilotando veículos idênticos.

No geral, a conectividade entre jogadores acontece sem delays ou nada que atrapalhe o seu jogo. O feito é bastante louvável, visto que é possível jogar ao mesmo tempo mais de 20 pessoas.

Menos carros, mais detalhes

A biblioteca de veículos de Gran Turismo Sport parece um retrocesso em relação a toda evolução da franquia. A ideia aqui foi a substituição dos infinitos modelos de rua tradicionais do game por veículos já alterados para se enfrentarem em diversos tipos de competição.

Se colocarmos na balança a polêmica dos carros premium dos últimos jogos (apenas esses tinham o interior detalhado), pelo menos agora todos os veículos tem o mesmo apreço pelo desenvolvedor.

Ao todo são 34 fabricantes distribuídas na América do Norte, Europa, Japão e Coréia, cada uma com seus veículos à disposição do jogador, desde que ele tenha créditos disponíveis (adquiridos durante a jogatina).

Algumas marcas, como a Ford, disponibilizam apenas três tipos de veículos, mas personalizados para tipos específicos de corrida. Por exemplo, a versão doméstica do Mustang GT Premium Fastback apresentado também nas versões Gr.3, Gr.4 e Rally.

Provavelmente os jogadores terão DLCs de marcas e veículos durante os próximos meses do lançamento, mas por enquanto é isso que o jogo disponibiliza. Não chega muito perto dos seus concorrentes, mas, novamente, o intuito do game não é mais o mesmo de antes.

Pelo menos ainda é possível criar designs exclusivos para seus carros e depois colocá-los à disposição de outros jogadores, se quiser.

Regras japonesas

Como na maioria dos jogos japoneses, é preciso destravar alguns itens do jogo através do seu desempenho na campanha. Ou seja, é preciso subir de nível para habilitar tudo que o jogo tem a oferecer ao jogador.

De opções de personalização do seu avatar, do seu carro e até mesmo as pistas que você pode encontrar no modo arcade, o quanto você jogar de GT-S será fundamental para o total destravamento dessas funcionalidades.

O jogo também conta com outras formas de premiar jogadores ativos. As conquistas destravadas por tempo de jogo ajudam a deixar as coisas mais empolgantes. O novo sistema de milhagens permite ao jogador comprar itens sem a utilização de créditos, mas não se iluda, ambos dão trabalho para conseguir. A diferença, no entanto, é que com milhas é possível conseguir, além de carros, atualizações para seu capacete, cores de veículos, adesivos, entre outras coisas.

Até o nível 20 de piloto tem muita coisa para destravar dentro do jogo. Isso porque nem vamos tocar no online por enquanto, já que ainda está incompleto (em relação ao início dos campeonatos oficiais).

Interatividade entre jogadores

É possível notar uma grande preocupação em manter a comunidade de Gran Turismo unida em GT-S. Um mural de informações público apresenta quaisquer atividades que as pessoas queiram divulgar abertamente, sejam postagens de conquistas pessoais, mensagens de desafios ou fotografias exclusivas.

O profile de cada jogador também mostra exatamente o que ele já fez dentro do jogo, o tempo de jogo dividido em dias, semanas e meses, seguidores, marcas preferidas, quilômetros rodados, classificação esportiva, e tudo mais que precisa ser mostrado. Basicamente, a rede social de Gran Turismo Sport.

O modo fotografia também é uma boa forma de se aproximar de outros jogadores, mesmo que apenas para apreciar as montagens de cada um deles. Novamente é possível mexer em inúmeros aspectos de uma máquina fotográfica real, com abertura, tempo de exposição, filtros especiais, mas também criar toda a contextualização da cena, adequando a velocidade do veículo (ou mais de um) nas fotos antes de tirá-las.

O resultado são obras de arte dignas de uma exposição, misturando cenas do mundo real com a renderização dos polígonos dos carros do próprio jogo. É um negócio doido de ver.

Gran Turismo Sport não parece ser a continuação de uma franquia com seus 20 anos. Parece mais um spin-off cheio de identidade, divertido e focado na competição online. Muita coisa foi deixada de lado? Talvez, mas com propostas de jogo tão diferentes, faz parecer que toda aquela gordura não faz falta alguma.


Gran Turismo Sport já está disponível para PS4. Esse review foi feito com uma cópia cedida pela Sony.