Gavião Arqueiro chega à metade da temporada equilibrando ação e emoção

Terceiro episódio da série planta sementes empolgantes para os fãs da Marvel

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Gavião Arqueiro chega à metade da temporada equilibrando ação e emoção

A série do Gavião Arqueiro fez sua estreia no Disney+ com dois episódios que cumpriram com louvor a complexa missão de apresentar Kate Bishop (Hailee Steinfeld), uní-la a Clint Barton (Jeremy Renner) e colocar a dupla no caminho da ridícula, porém perigosa, Gangue do Agasalho. Para o terceiro capítulo, a produção da Marvel tira o pé do acelerador sem abandonar ação e emoção para apresentar uma vilã e plantar sementes empolgantes para o que vem por aí.

[Atenção: o texto contém spoilers do terceiro episódio de Gavião Arqueiro]

Gavião Arqueiro teve um início surpreendente. Considerando que essa é a primeira produção focada exclusivamente no herói vivido por Jeremy Renner, era difícil prever que o primeiro episódio teria uma longa introdução focada em outra personagem. Porém, o prelúdio serviu para apresentar a luxuosa infância de Kate Bishop e como o Vingador influenciou sua busca pelo heroísmo. Uma semana depois, a série repete a escolha, mas toma um caminho completamente diferente.

O capítulo que chegou ao streaming nesta quarta-feira (1º) dedicou seus primeiros minutos para apresentar Maya Lopez, a misteriosa figura que apareceu nos minutos finais do episódio anterior. Aqui, somos apresentados à difícil infância de uma garotinha surda que não pôde frequentar escolas especializadas devido às condições financeiras da família.

Sem a estrutura necessária, ela se fortalece através da observação. De forma rápida, o roteiro explica que essa grande capacidade de concentração tornou a jovem em uma ótima estudante e combatente, chegando a superar um garoto maior que ela nas aulas de karatê. Ao mesmo tempo, mostra que desde cedo ela precisava superar julgamentos tanto pela surdez, quanto pela prótese que substitui a perna.

Logo neste início já é possível perceber a clara intenção de transformar a jovem em um espelho de Kate Bishop. Enquanto a arqueira cresceu cercada por privilégios e problemas familiares, Maya precisa lidar com dificuldades além de seu controle com a ajuda de um pai (Zahn McClarnon) amoroso. Esse paralelo fica ainda mais evidente quando o tempo avança e descobrimos que Clint Barton matou o pai da garota no período em que vestiu o traje de Ronin.

Após estabelecer a origem e a motivação de Maya (Alaqua Cox), que ficou conhecida nos quadrinhos com o nome de Eco, voltamos ao tempo presente em que Clint e Kate estão à mercê da patética Gangue do Agasalho. Buscando vingança pela morte de seu ente mais próximo, ela conduz um interrogatório para entender por que a garota em sua frente estava utilizando o uniforme do assassino de seu pai.

Para limpar a barra da colega, Clint mente que o Ronin foi assassinado. Quando Eco pergunta por quem, ele conta a meia-verdade de que a responsável por acabar com o ninja assassino foi a Viúva Negra (Scarlett Johansson). Além de convenientemente culpar alguém que já morreu, como a própria vilã afirma, esse é um tocante tributo que reconhece que ele só aposentou o manto por causa da intervenção da colega em Vingadores: Ultimato.

Eco não parece ter ficado muito convencida pela justifica de Clint, mas antes que ela e a Gangue decidam o que fazer com os Gaviões ele se solta e dá início à fuga que toma conta do episódio. Toda essa longa sequência se mostra muito mais inspirada e bem produzida do que os momentos de pancadaria dos dois episódios iniciais da série.

A briga começa com um combate corpo a corpo que empolga ao mostrar as façanhas de Clint Barton com o arco e flecha, como ajudam a mostrar as habilidades da Eco na pancadaria. O senso de urgência e correria é amplificado quando os heróis chegam ao carro, iniciando uma perseguição aguardada pelos fãs desde os primeiros trailers.

Altamente inspirada em uma das cenas mais memoráveis das HQs do Gavião Arqueiro, o momento destaca as ridículas, porém potentes “flechas especiais” e tem um desfecho surpreendente com a utilização de uma com Partículas Pym. Clint utiliza a mais especial de suas ferramentas para tornar gigante um segundo projétil e afastar os vilões a tempo de escapar no último segundo.

Quando a adrenalina abaixa, a ação dá lugar à emoção. Sem seu aparelho de audição, quebrado durante a luta contra Eco, Clint precisa atender a ligação do caçula Nathaniel. Com a ajuda de Kate, que se torna uma intérprete do garotinho, o herói tem a difícil tarefa de explicar que não voltará para casa novamente. Claramente decepcionado, o garoto diz entender se o pai não chegar para o Natal, mas toda a condução da cena torna quase palpável a barreira que aos poucos se instaura entre o Gavião e sua família.

Para se recuperar das cicatrizes físicas e emocionais, a dupla leva o fofo cãozinho Sortudo (ou Cachorro Pizza, para os mais íntimos) para um passeio. Lá, a série retoma a influência de Clint, que tenta alertar Kate uma vez mais sobre os riscos e perdas em ser um herói. A resposta da garota é um entusiasmo idealista de que apesar das perdas, também há ganhos e volta a repetir o quanto um herói pode ser inspirador para alguém que precisa.

Passado o momento de respiro, a dupla invade o apartamento de Eleanor Bishop (Vera Farmiga), a mãe de Kate, em busca de respostas. Pesquisando sobre Kazi (Fra Fee), o capanga de Eco, ela descobre que ele trabalhou em uma empresa chamada “Sloan”. Sendo esse o sobrenome de personagens pequenos no Universo Marvel, é provável que esse local seja uma fachada para as operações criminosas da Gangue.

Em seguida, ela tenta buscar informações sobre Jack Duquesne (Tony Dalton), o suspeito noivo de sua mãe. Porém, ao procurar pelo nome dele o sistema automaticamente a expulsa. No outro cômodo o próprio Jack dá as caras, colocando a espada de Ronin na garganta de Clint. Resta saber como ele vai reagir ao fato de que um Vingador invadiu o lar de sua amada.

O tio de Eco

É impossível falar deste episódio sem comentar sobre o “tio” de Eco. Um flashback da infância da garota mostra que o pai dela não conseguiria buscá-la na aula, e quem faria isso seria um tio misterioso. O momento termina com a mão do tal homem acariciando o rosto a jovem, mas sem mostrar sua identidade. No tempo presente, esse ente volta a ser citado quando Kazi tenta alertar a Eco que o tio não vai gostar do fato que ela está deixando a Gangue na mão em busca de vingança pessoal.

O que temos de fato é a apresentação de uma figura criminosa e misteriosa no submundo de Nova York, já que o tio é descrito como o verdadeiro chefe da gangue. Isso marca de vez o mergulho da Marvel no núcleo urbano do MCU, até então destinado apenas às encerradas séries da Netflix.

E por falar no streaming concorrente, a presença do tal tio dá força aos rumores de que Vincent D’Onofrio voltará ao papel de Rei do Crime em Gavião Arqueiro. Neste primeiro momento é melhor ir com cautela para que o vilão, apresentado originalmente em Demolidor, não vire o novo Mefisto. Especialmente porque há outros vilões do núcleo urbano da Marvel que poderiam facilmente ser essa figura paterna e criminosa da nova vilã.

Com meia temporada a frente, a série agora tem a missão de amarrar os mistérios que apresentou. Caso opte por seguir equilibrando ação e emoção, a produção tem tudo para se tornar um dos pontos altos de um ano repleto de produções do MCU. Nada mau para a produção que acompanha o mais subestimado dos heróis deste universo.

Gavião Arqueiro ganha novos episódios às quartas-feiras.


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