Game of Thrones | Introspectivo, segundo episódio foi um dos mais emotivos até agora

Às vésperas da grande batalha, é hora de dar adeus a alguns personagens

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Game of Thrones | Introspectivo, segundo episódio foi um dos mais emotivos até agora

[Aviso: spoilers abaixo!]

“Você ainda seria [a mesma pessoa], se não tivesse me empurrado por aquela janela”, disse Bran (Isaac Hempstead Wright) a Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) no aguardado reencontro dos dois. De fato, a tentativa de assassinato, cometida logo na estreia de Game of Thrones, em abril de 2011, desencadeou a sequência de eventos que precipitou a Guerra dos Cinco Reis e, com isso, transformou de modo radical o garoto Stark, o Regicida e quase todo mundo na série — algo que A Knight of the Seven Kingdoms, segundo episódio da última temporada, tratou de salientar.

Econômico em acontecimentos, o roteiro de Bryan Cogman explorou com sagacidade a ideia de contemplar o arco de cada personagem até aqui, seja ele principal ou secundário. Por exemplo: considerando tudo o que vivenciaram, foi melancólico ouvir Tyrion (Peter Dinklage) constatar que um retorno à sua antiga vida de “bêbado depravado” já não é mais opção, bem como foi satisfatório ver Podrick (Daniel Portman) se tornando um espadachim competente. Assim, uma cena aparentemente simples como o anão servindo uma taça transbordante a seu ex-escudeiro, após Brienne (Gwendoline Christie) tê-lo instruído a beber apenas um pouco, ganhou significado especial. Naqueles poucos segundos, o espectador se tornou cúmplice da camaradagem de longa data da dupla e teve um breve vislumbre do “velho” Tyrion.

O propósito desse recurso foi bem claro. Ao reforçar nossa conexão emocional com os personagens que temos acompanhado durante quase uma década, ele ampliou consideravelmente nossa expectativa em relação à grande batalha que está por vir. Não à toa, o episódio foi recheado de possíveis despedidas. Talvez a mais evidente tenha sido entre Verme Cinzento (Jacob Anderson) e Missandei (Nathalie Emmanuel), fazendo planos e trocando um último beijo.

Do ponto de vista narrativo, outros momentos chamaram a atenção. Obcecada com sua missão de vingança, é provável que em algum momento Arya (Maisie Williams) tenha de pagar pelas vidas que tirou — se não com a própria, de alguém próximo. Quem sabe uma pessoa da qual acabou de se tornar íntima, como Gendry (Joe Dempsie)? Já o arco de Theon (Alfie Allen), ao que tudo indica, é de redenção — uma vez que já conseguiu salvar a irmã, faria sentido ele dar a vida pela família que traiu, seja protegendo Bran ou Sansa (Sophie Turner), com quem desenvolveu uma relação afetuosa. Por sua vez, a trajetória de sor Jorah (Iain Glen) parece ser de sacrifício, e seria seguro apostar que ele morrerá por Daenerys (Emilia Clarke). No entanto, é significativo que Samwell (John Bradley) tenha lhe presenteado com a espada de sua família, Veneno do Coração, no momento em que o cavaleiro discutia a segurança de Lyanna Mormont (Bella Ramsey) — talvez isso indique que o destino de Jorah esteja ligado à salvação de sua própria casa, à qual desonrou no passado.

Mas o destaque ficou mesmo por conta da reunião diante da lareira, um grande exemplo do quanto uma interação simples, porém bem construída entre personagens (na maioria) tridimensionais pode ter tanto impacto quanto um cena de ação. Daquele grupo, Podrick e Tormund (Kristofer Hivju) são os que têm fim mais incerto. É difícil acreditar que Tyrion morra agora, assim como Jaime e sor Davos (Liam Cunningham) — uma hipótese mais forte é de que o futuro desses dois esteja relacionado, respectivamente, aos de Cersei (Lena Headey) e Melisandre (Carice van Houten). Resta Brienne, cujas chances de sobrevivência não são lá muito altas. Enfim sagrada cavaleiro (em uma das sequências mais comoventes de toda a série), ela terá cumprido seu papel ao defender o lar dos Stark.

A direção de David Nutter priorizou locações internas com iluminação esparsa, transmitindo uma adequada sensação de confinamento. Em especial, quando Jon (Kit Harington) revelou a Daenerys a verdade sobre seus pais, com a khaleesi demonstrando a animosidade esperada em sua reação. Por sinal, a cripta, mencionada repetidas vezes como lugar mais seguro de Winterfell — e que, de modo agourento, se sobressai na nova abertura —, certamente será cenário de momentos ainda mais tensos na semana que vem.

Que venham os próximos quatro! E, para aquecer, confira o teaser do terceiro episódio de Game of Thrones.