Frozen 2 | Crítica

A continuação da animação da Disney acerta ao dar um passo para trás na história e ir em busca das origens

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Frozen 2 | Crítica

Frozen 2, a sequência de um dos filmes de maior sucesso da Disney, foi concebido com a grande responsabilidade de ser uma continuação à altura do primeiro longa. Considerado a Melhor Animação no Oscar de 2014, Frozen trouxe personagens carismáticos, uma premissa interessante e músicas que grudavam como chiclete – “Let It Go” foi um dos maiores hits da época.

A sequência dirigida novamente por Jennifer Lee e Chris Buck traz de volta as irmãs Elsa (Idina Menzel) e Anna (Kristen Bell) e, dessa vez, a busca por respostas é o que move o filme, trazendo significado e motivação para a narrativa. Elas partem em busca de explicações para as perguntas feitas no primeiro longa e querem entender quais são as origens de sua família e dos poderes de Elsa.

O início do filme mostra que as duas estão vivendo bem em Arendelle ao lado de Kristoff, Olaf e Sven. Mas, a tranquilidade é abalada quando Elsa começa a ouvir vozes desconhecidas e percebe que precisa seguir este chamado para entender melhor as questões de sua vida. Assim, os cinco personagens partem em uma nova aventura que envolve lendas, magia e elementos da natureza.

A mentira e a ignorância parecem ser as vilãs de Frozen 2; o filme aborda questões sobre autoconhecimento e também da história da comunidade a qual cada um faz parte. Assim, o desenvolvimento da animação parece ser um pouco mais demorada se comparada à primeira, pois neste há mais dilemas existênciais, problemas pessoais e discussões sobre como cada dificuldade deve ser enfrentada, o que, por um lado, amadurece a trama, mas também a impede de seguir em frente.

Algumas explicações da história são feitas por meio de flashbacks os quais trazem os pais das irmãs e contam a história da Rainha Iduna (Evan Rachel Wood) e do Rei Agnarr (Alfred Molina), desde como se conheceram até o que realmente aconteceu quando morreram durante uma viagem. Porém, essas respostas acabam ficam confusas, afinal são muitas reviravoltas e, por mais previsíveis que elas sejam, acabam trilhando um caminho tortuoso até serem finalmente reveladas.

Toda a história é valorizada por meio de efeitos visuais impecáveis, com detalhes de movimentos, ambientes, rostos e, principalmente, roupas. Os figurinos estão belíssimos, com grandes referências à cultura nórdica e cores deslumbrantes. As luzes, cores e sombras utilizadas enchem os olhos do espectador com um espetáculo visual.

Quanto aos personagens, o foco se mantém nos já apresentados em Frozen, com apenas poucos – e esquecíveis – novos. Olaf, que desta vez está presente desde o começo do filme, é um dos pontos altos da animação: ele está passando por um momento mais “existencialista” e questiona os porquês e razões da vida. Ao dar mais personalidade ao boneco de neve, o roteiro apresenta um Olaf ainda mais engraçado que, ao mesmo tempo que se preocupa, faz piada com assuntos sérios e tira boas risadas do público. Há um momento em especial no qual o personagem reconta a história do primeiro filme e, mesmo nos momentos tristes, é impossível não esboçar um sorriso. A versão brasileira é dublada novamente pelo comediante Fabio Porchat, uma escolha certeira para a produção.

Um dos elementos que tornou Frozen um sucesso mundial foram as músicas. No segundo filme, não poderia ser diferente e “Into the Unknown” (“Minha Intuição“, em português), cantada pela Elsa em um momento de questionamento pessoal deve ser tornar a próxima “Let it Go” – ou pelo menos chegará perto disso. As canções de Frozen 2 são mais emotivas, diferente das apresentadas no primeiro longa. Vale a atenção para “Lost in the Woods“, cantada por Kristoff, com uma clara referência às músicas pop dos anos 2000; a cena até mesmo parece um videoclipe das boy bands da época.

A sequência acertou em olhar para trás e ir em busca das origens de Elsa e Anna ao invés de dar a entender que as questões apresentadas no primeiro filme foram superadas. Talvez, se houver um terceiro filme, ele até aborde uma aventura com problemas novos, mas isso isso só será possível porque Frozen 2 deu um passo para trás e assim, amadureceu a história e os personagens.