Forza Motorsport é mais enxuto, mas se preocupa com o que importa | Review

Novo game da franquia de corrida de Xbox acelera na simulação e freia todo o resto

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Forza Motorsport é mais enxuto, mas se preocupa com o que importa | Review Forza Motorsport (2023)/Captura de tela

Quem gosta de jogos de corrida não tem do que reclamar dos últimos anos. Praticamente todas as grandes franquias de corrida ganharam um título inédito nos consoles da nova geração.

Forza Motorsport era o último que faltava para completar o pacote, e agora chega com uma proposta muito mais séria de simulação para o jogador.

Diferente no que importa

A campanha foca na individualidade de cada carro, com seu próprio nível de experiência [Créditos: Forza Motorsport/Captura de tela]
Forza Motorsport é lindo, mas é cada vez mais difícil organizar um ranking dos “jogos de carros mais bonitos” do mercado. Se não abusam de efeitos visuais que fogem da simulação, como aconteceu em Need for Speed Unbound, a impressão é que todos estão praticamente no mesmo patamar. E isso não é ruim — muito pelo contrário.

No Modo Desempenho, o jogo roda a constantes 60 frames por segundo, o que é maravilhoso para as corridas em alta velocidade, com câmera interna ou no paralama. Tudo acontece extremamente rápido e qualquer vacilo é a morte (ou um clássico reset para começar de novo a corrida).

As cerejeiras de Hakone contrastam com o azul do Corvette E-Ray [Créditos: Forza Motorsport/Captura de tela]
É impossível não comparar o título a Gran Turismo, ainda mais nesta nova versão. É como se o caminho de ambas as franquias tivessem alcançado um ponto em comum, mas em eras diferentes.

O lançamento lembra Gran Turismo Sport, que não foi tão bem recebido pelos jogadores. Mas, ao contrário do rival do passado, Forza Motorsport vem completo com muitas mudanças relacionadas à campanha para um jogador, modo multiplayer regulamentado pela Forza Race Regulation (FRR), sistema de normas para manter os pilotos na linha, e dedicação extra à simulação impecável do esporte. Dirigir em Forza nunca foi tão preciso e certeiro.

Menos também pode ser mais

Pela primeira vez a África do Sul é representada na série Forza com o circuito de Kyalami [Créditos: Forza Motorsport/Captura de tela]
Forza Motorsport parece “menor” à primeira vista, com menos carros e pistas em relação ao jogo anterior, porém essa comparação não é justa. A quantidade reduzida de certos elementos favoreceu a equipe de criação, dando espaço para que trabalhasse melhor os detalhes do que é entregue no lançamento.

Os 20 circuitos disponibilizados com o game podem ser disputados em três variações, pelo menos, como trajetos menores, invertidos, com mudanças climáticas e de horário, tudo à escolha do evento ou do próprio jogador, se estiver no modo livre.

Além de alguns favoritos dos fãs, cinco desses circuitos disponíveis são inéditos na franquia: Hakone, Eaglerock Speedway, Grand Oak Raceway, Kyalami Grand Prix Circuit (representando a África do Sul pela primeira vez no game) e Mid-Ohio Sports Car Course.

Mas Motorsport realmente apresenta quantidade menor de carros em relação ao jogo anterior, somando pouco mais de 500 veículos no momento. A impressão que dá pela seleção é de foco maior para a Série GT, com uma quantidade bacana de carros à disposição. As duas maiores estrelas do game, sem dúvida, são o No.01 Cadillac Racing V-Series.R 2023 e o Chevrolet Corvette E-Ray 2024.

Hora do “grind” infinito

O rei do drift também está em Forza Motorsport (AE-86) [Créditos: Captura de tela]
Forza Motorsport abandona o sistema de evolução de carreira baseado no tamanho da coleção de carros do jogador. Agora, o título aposta na experiência individual com cada veículo disponível, o que pode se tornar cansativo mas que é uma troca equivalente que o jogo faz com o novo formato da campanha.

A Copa dos Construtores é o início para todos que se arriscarem no modo single-player, que traz literalmente a experiência de adquirir um carro e construí-lo “do zero”, aperfeiçoando-o para os eventos futuros.

Cada carro tem nível próprio de experiência, além do nível de piloto que define o jogador. Ao subir de nível com um carro, são destravadas opções de personalização que vão desde o motor até a parte cosmética. Para equipar essas peças e cosméticos, é preciso de Car Points, que são acumulados individualmente por veículo.

É um pouco burocrático, mas a ideia nasceu para justificar o novo formato das corridas do modo carreira. O jogo obriga a passar por uma etapa de treino, com três voltas no mínimo, antes de cada uma das corridas. Os treinos contam com objetivos extras para deixar a disputa mais “divertida”, mas é extremamente cansativo participar de um campeonato com cinco corridas, de seis voltas cada, e ainda mais três de treino obrigatórias.

Pit Stops serão uma parte importante da estratégia da corrida [Créditos: Forza Motorsport/Captura de tela]
Alguns campeonatos possuem corridas mais longas, que exigem trocas de pneus e abastecimento. Os pit stops precisam ser planejados antes do início da prova, exigindo que o jogador pense em variáveis como a quantidade de gasolina em seu tanque, que implica o quão pesado o veículo estará durante a corrida. Tudo faz diferença na hora de buscar o melhor tempo na pista.

Depois de completar a fase inicial da Copa dos Construtores, é hora de explorar algumas das outras modalidades do game. Não é possível acessar tudo de uma vez, e praticamente todos os campeonatos obrigam o jogador a passar por alguma coisa antes, seguindo uma ordem de destravamento desnecessária nos dias de hoje.

Se estiver com pressa de experimentar tudo que o jogo tem a oferecer, é possível jogar a Corrida Livre, escolher qualquer carro do acervo em qualquer pista, modificar as regras do evento e só curtir o rolê.

Multiplayer com regras rígidas

O cockpit é uma boa experiência para quem deseja mais simulação [Créditos: Forza Motorsport/Captura de tela]
Obviamente, Forza Motorsport não estaria completo sem um multiplayer robusto. Desta vez, o exclusivo da Microsoft parece ter aprendido muito com seu rival Gran Turismo, e a “terra sem lei” que normalmente é o modo online dos jogos de corrida não tem vez aqui.

O competitivo do game funciona pelas normas do Forza Race Regulation, que simula as regras oficiais de torneios automobilísticos pelo mundo. Nada de cortar a pista, bater no coleguinha ou realizar ultrapassagens ilegais, senão sua classificação online pode baixar.

Por enquanto, não existem eventos online que exijam nível de classificação maior ou menor, mas tudo pode mudar com o lançamento do game. Em nossos testes, os servidores eram ligados ocasionalmente, apenas para que pudéssemos experimentar alguns eventos programados.

Muitos eventos online aguardam os jogadores em Forza Motorsport [Créditos: Captura de tela]
Após jogar a série classificatória de introdução, é hora de explorar os demais eventos do modo online. Competições restritivas normalmente exigem certos veículos da garagem do jogador, mas há eventos livres em que se pode utilizar uma variedade maior de carros.

Muita coisa do competitivo online do game vai se apresentar de forma sazonal, o que inspira renovação natural para as disputas em si e para os jogadores que farão parte delas. Os primeiros meses após o lançamento serão cruciais para observar o desenvolvimento da comunidade online e do competitivo.

Em linhas gerais, Forza Motorsport é uma experiência bastante completa. É verdade que perde um pouco do brilho em questão de conteúdo inicial, mas com certeza será alimentado ao longo de sua vida útil. Não é um título que se reinventa por completo, mas dá um passo muito importante dentro do mundo da simulação e do próprio competitivo.

Forza Motorsport chega ao PC e Xbox Series X | S em 10 de outubro. O jogo será disponibilizado via Game Pass no lançamento. A review foi feita com base na versão de Xbox Series X, cedida pela Microsoft.

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