Forza Horizon 4 | Review

A melhor franquia de jogos de corrida do mercado

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Forza Horizon 4 | Review

Forza Horizon continua sendo, disparado, a melhor franquia de jogos de corrida do mercado. A quarta iteração do jogo vem tão forte quanto os seus anteriores, entrega uma campanha robusta, visuais incríveis e não deixa na mão os jogadores que ainda não migraram para o Xbox One X. Ainda bem.

Difícil foi encontrar um tempo entre os testes pré-lançamento do jogo e a publicação deste review, para, de fato, escrevê-lo. A quantidade de conteúdo que o game oferece ao jogador, explorando de formas interessantes o pós-game, isso ainda sem contar 100% o online — já que durante os testes do review as pessoas ainda não estavam jogando de fato — é um negócio de louco. Maravilhoso.

De volta ao velho continente, mais precisamente à Grã-Bretanha, o mapa de FH4 se mantém único à sua maneira. Uma certa semelhança com o que foi visto no segundo jogo da franquia, mas com estradas mais estreitas, curvas mais acentuadas e um desafio que põe à prova todas as habilidades dos pilotos virtuais que existem por aí.

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O outono dá um tom alaranjado às paisagens, uma calmaria que só é abalada com o ronco dos motores e a vontade de vencer dos pilotos

Tudo fica ainda mais perfeito quando a dificuldade do terreno se mistura de forma harmoniosa com o manuseio dos veículos. A física impecável, sempre tenta criar situações mais próximas do real, mas sem deixar de lado essa sensação descompromissada dos jogos casuais. É videogame ainda, mas sempre é possível dar aquele tom de simulação um pouco mais trabalhada, com uma maior precisão na direção, frenagem e claro, aceleração de cada um dos veículos encontrados no jogo (mais de 450 de início).

É legal como Forza Horizon sempre conseguiu diluir sua dificuldade dentro do jogo sem precisar daquela famosa tela da escolha padrão: fácil, normal ou difícil. Aí, se você é um completo “genin” no volante, a escolha padrão seriam os carros de tração nas quatro rodas. Super tranquilos de dirigir e quase sempre estáveis em quaisquer condições de traçado. Se já passou no exame chuunin e quer se arriscar um pouco, dá para brincar bastante com a quantidade de veículos à disposição, sejam eles de tração traseira (mas não muito potentes), ou mesmo os de tração dianteira, mais comuns ao público brasileiro, aqui é o lugar de se tornar íntimo do jogo e, aos poucos, desligar as ajudas e partir para o próximo passo. Agora, se você é jouninzão, piloto de fuga e tudo mais, segue direto para os hipercarros exóticos que o desafio será bem… desafiador.

O rebalanceamento da inteligência artificial expressada através dos Drivatars, uma espécie de cópia virtual da forma como jogadores de carne e osso correm pelas ruas de Forza, deixou as corridas um tanto mais disputadas. Me pareceu que a dificuldade deu uma leve subida de nível, mas nada que faça o controle voar direto para o chão. É aquela raivinha gostosa de querer ganhar daqueles F%70&D$P#$. A raiva passa quando você ganha.

Escolha seu carro, não importa o modelo, e coloque-o para rodar onde quiser, inclusive praias abandonadas

A lista de veículos disponíveis sofreu algumas alterações. Como já de praxe nos jogos da série, alguns dos carros que chegaram como DLC no jogo anterior, fazem parte da lista oficial já de cara. Outros deixaram de vez o jogo, como é o caso da Mitsubishi e o seu Lancer EVO X (e qualquer outro EVO). Na loja, a marca japonesa nem existe mais, e pode ser até que a Mitsubishi reapareça como algum DLC especial, tudo é possível. Fica aqui a memória de como esse carro era top tier no jogo anterior e todo mundo jogava com ele. Enfim.

Na mesma pegada, muitas marcas japonesas perderam a expressividade, o que é compreensível, dado o mercado a que o jogo se inspira dessa vez. Para compensar, muitos clássicos europeus dão as caras, alguns um tanto conhecido do público brasileiro (estou falando de você, “Escortão” 86). A lista não é ruim, mas os JDM (Japanese Domestic Market, ou carros domésticos japoneses), carros que a série Gran Turismo nos acostumou a encontrar nos jogos, fizeram falta. É claro, é um gosto particular esse, e se você é fã de marcas europeias, FH4 com certeza vai te surpreender.

As quatro estações

O grande atrativo de Forza Horizon 4 era a promessa de corrermos durante as quatro estações do ano. Primavera, verão, outono e inverno transformam a experiência dos jogadores de uma forma nunca antes vista na franquia.

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Equipes de tuning famosas, como a Hoonigan, marcam presença na lista de carros de Forza Horizon 4

Essas mudanças climáticas afetam a todos os jogadores da mesma forma. Depois da apresentação formal do universo de FH4 durante as suas primeiras horas, o jogo entra num ciclo semanal de troca de estações, afetando a todos simultaneamente. Indo além de uma simples troca visual, o jogo também passa a apresentar desafios temáticos exclusivos de cada uma das estações do ano.

Todos esses novos desafios de temporada possuem um prazo de validade e precisam ser realizados durante aquela estação. Até mesmo os celeiros abandonados entraram no baile, com pelo menos quatro especiais que só podem ser descobertos no seu tempo.

O Forzathon, os desafios online de FH que rendem pontos especiais que podem ser trocados por itens raros dentro do jogo, também ganhou um update interessante intitulado Forzathon Live. Em FH4 não existe mais a necessidade de você precisar logar separadamente para encontrar jogadores online no mundo aberto do jogo. Agora só de ligar o game, você é automaticamente inserido dentro de um lobby com outros jogadores, e é nesse mundo online que acontecem as partidas do Forzathon Live, mini atividades online que unem todos os jogadores do lobby em busca de um objetivo comum.

Acumule experiências

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A Maclaren Senna estampa a capa de FH4 e pode ser comprada com (muitos) créditos dentro do jogo

Dentro do mundo virtual de FH4 é possível acumular experiência como piloto. As clássicas pulseiras do Horizon Festival continuam servindo para mostrar ao mundo o seu nível dentro do jogo, assim como os pontos que podem ser trocados por habilidades especiais que ajudam no seu desenvolvimento. A diferença agora é que essa árvore de habilidades não está mais atrelada ao piloto, mas sim a cada um dos veículos que podem ser adquiridos no jogo. Ou seja, para usar as habilidades destravadas é preciso estar dentro do veículo que você escolheu para destravá-las.

É possível acumular níveis de experiência em diversas modalidades espalhadas pelo mapa. Se você acha que o mapa de Assassin’s Creed Unity é poluído, prepare-se para um novo nível de insanidade. Cada ícone representa um desafio, uma tarefa ou uma modalidade de corrida. Rachas de rua, circuito, rally, cross country, dragster, sprints, além dos radares, áreas de drift, de salto, etc, e cada um desses desafios lhe rende pontos específicos. Acumulando pontos em determinada modalidade, você destrava novos desafios, e assim por diante.

Caso você complete todos os desafios do jogo, ainda existe todo um universo próprio de rivais, tempos a bater, inimigos virtuais que precisam ser derrotados. Ser o número um em Forza Horizon requer bastante dedicação.

Eventos especiais

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Correr lado a lado com Behemooth faz parecer até que estamos no Parque dos Dinossauros

Sucesso absoluto dentro da franquia, os eventos especiais de Forza Horizon 4 parecem desafiar as ideias mais absurdas que já foram apresentadas nos jogos anteriores. Por exemplo, já corremos contra um trem em FH3, certo? Dessa vez, a corrida contra uma maria fumaça acontece sem barreiras, com piloto e maquinista dividindo o mesmo terreno, raspando tinta um do outro em alguns trechos do traçado. Se isso é pouco, que tal enfrentar um hovercraft apelidado carinhosamente de Behemoth?

Dois desafios, no entanto, merecem um destaque. À esta altura você já deve ter lido sobre o evento especial de Halo, né? E é tudo isso que todo mundo está falando por aí. O cuidado com os detalhes é impecável, a inserção de modelos 3D da série Halo dentro do mundo de FH4 é super natural e a Cortana no seu ouvido faz a gente ter aquela vontadinha de voltar a jogar Halo por algumas horas.

O outro desafio só aparece no final do jogo, mais precisamente quando alcançamos o nível 40. La Racer faz o seu coração palpitar mais forte quando uma YouTuber resolve criar o seu Top 10 de carros e jogos de corrida mais memoráveis de todos os tempos, reproduzindo as experiências originais dentro do “mundo real”. E de cara ela já te coloca dentro de uma Ferrari 512TR 1992 para brincar de Out Run. Daí para frente você já saca que é pura nostalgia. Ponto para o Playground Studios.

As ruas estreitas da Grã-Bretanha vão se mostrar um desafio maior que qualquer outro em FH4

Forza Horizon 4 é uma evolução dentro da franquia em todos os sentidos. Consegue expurgar aquele tom meio pedante e elitista da franquia principal, ao mesmo tempo que absorve suas principais qualidades, entregando uma experiência divertida e profunda, agradando aos fãs de automóveis com suas minúcias, aos fãs de corridas alucinadas, tunagens absurdas e diversão sem limites. Até o tiozinho que curte passeios bucólicos em estradas arborizadas com seu conversível clássico encontra seu lugar aqui.


Esse review foi feito com uma cópia de Forza Horizon 4 cedida pela Microsoft.

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