Ex-presidente de jogos da Sony diz que é preciso reavaliar a duração dos títulos

Shawn Layden falou sobre a relação entre duração e custo

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Ex-presidente de jogos da Sony diz que é preciso reavaliar a duração dos títulos

Shawn Layden, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment que é a divisão responsável pela parte de videogames e entretenimento digital, afirmou que considera o atual panorama de desenvolvimento de jogos AAA insustentável para a indústria.

Layden comentou durante a transmissão Gamelab Live (via gamesindustry) que se orgulha de The Last of Us Part II, game que foi desenvolvido pela Naughty Dog enquanto ele ainda era presidente da Sony. Ele deixou a empresa em outubro de 2019.

Durante a live, ele apontou os principais problemas no desenvolvimento de jogos desse tipo: por exemplo, o primeiro The Last of Us (2013) levou três anos e meio para ser produzido e tinha cerca de 15 horas de jogo, enquanto o segundo levou seis anos e tem mais ou menos 25 horas de conteúdo — e está sendo vendido pelo mesmo preço de US$ 60.

Layden explicou que o mercado de games precisa mudar de alguma forma:

O problema com esse modelo é que não é sustentável. […] É difícil para todos os jogos de aventura tentarem chegar ao gameplay de 50, 60 horas, porque conseguir isso vai sair muito mais caro. E no fim você pode tirar alguns criadores interessantes e suas histórias do mercado se é esse o tipo de limite que eles têm que atingir… Temos que reavaliar isso.

Além disso, o executivo comentou sobre os custos de produzir um jogo em comparação com o preço de venda, dizendo que esse é realmente o motivo pelo qual o mercado de jogos AAA tornou-se insustentável:

[O preço] é US$ 59,99 desde que eu comecei nesse negócio, mas o custo dos jogos aumentou dez vezes. Se você não tem elasticidade no preço, mas tem enorme volatilidade na linha de custo, os modelos se tornam mais difíceis. Acho que essa geração terá dois imperativos colidindo.

A geração citada por ele está com o lançamento marcado ainda para 2020. Os próximos consoles PlayStation 5 e Xbox Series X prometem elevar a experiência de jogos a um novo patamar, e Layden também enfatizou que os custos de produção não devem diminuir na próxima leva de consoles: “arte em 4K e HDR, e criar mundos não é algo que sai barato”.

Outro ponto a ser levado em consideração é que o processo de fazer um jogo não é como uma linha de produção de uma fábrica, e exige o trabalho criativo de um grupo de pessoas. “Ao invés de gastar cinco anos fazendo um jogo de 80 horas, como seria um jogo de 15 horas desenvolvido em três anos? Qual seria o custo disso? Seria uma experiência completa?”, questionou o executivo, complementando seus pensamentos sobre os valores financeiros e laborais investidos em um jogo AAA.