Entenda mais sobre a sonda New Horizons

A geologia do planeta-anão deixou os cientistas intrigados

Marina Val Publicado por Marina Val
Entenda mais sobre a sonda New Horizons

Depois de 9 anos e mais de 5 bilhões de quilômetros percorridos, a sonda New Horizons conseguiu cumprir o seu objetivo de nos levar mais próximos de Plutão do que jamais estivemos.

Mesmo que a sonda espacial não seja tripulada e não estivéssemos ali fisicamente, todos os aficionados por ciência ficaram mais pertinho do planeta-anão essa semana através das fotos divulgadas pela NASA. E nunca antes houve uma comoção tão grande por aquele pontinho distante que dança no espaço.

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O encontro histórico da New Horizons com Plutão aconteceu na manhã de 14 de julho deste ano e, durante a passagem, a sonda desligou as comunicações para se dedicar apenas a fotografar o Planeta-anão. Por volta das 4h, ela enviou uma mensagem de volta para a Terra indicando que tudo ocorreu bem e apenas à noite os cientistas da NASA receberam o sinal e puderam respirar aliviados.

As fotos que a New Horizons já enviou são impressionantes e as manchas de Plutão já renderam memes com declarações de amor ou envolvendo o cachorro homônimo da Disney. Nós já falamos um pouco sobre a sonda e o planeta-anão anteriormente, mas afinal, por que tanta comoção?

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Missão espacial

A sonda foi lançada em janeiro de 2006 com o objetivo de entender os planetas gelados no final do sistema solar. Depois de passar por Plutão em segurança no último dia 14, ela continuará a caminho de outros objetos do Cinturão de Kuiper.

Nosso sistema solar tem três tipos de planetas: os rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte);  os gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno); e uma terceira zona em que corpos gelados primitivos são encontrados, principalmente no Cinturão de Kuiper de Netuno.

Acredita-se que esses objetos são representativos do material que condensou para formar outros corpos celestes e que eles possam conter evidências de um passado distante do sistema solar e do legado químico de outros planetas, incluindo a Terra.

Nove anos apenas para chegar lá

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Ainda não é hora de dizer adeus para a New Horizons. Apesar de ter passado por Plutão com sucesso, ela ainda terá que transmitir todos os de dados que coletou durante a missão e isso vai demorar pelo menos 16 meses. Sim, bem pior que conexão discada.

A sonda coletou alguns gigabytes de dados e as informações são transmitidas a aproximadamente 1 kb por segundo. Não é de se espantar que demore tanto.

Conforme recebem os dados da New Horizons, os cientistas ainda precisam analisar cada mínimo detalhe para conseguir entender melhor o planeta-anão.

O que já sabemos sobre Plutão

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Plutão tem relevo, o que é surpreendente para um corpo celeste gelado. De acordo com a NASA, as montanhas foram formadas há menos de 100 milhões de anos – pouco tempo, considerando que o sistema solar tem idade estimada de 4,56 bilhões de anos – e elas podem ainda estar crescendo.

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Isso vai de encontro à maneira que interpretávamos mundos gelados, que normalmente só são geologicamente ativos quando estão orbitando corpos celestes muito maiores – como uma das luas de Saturno, que tem criovulcões por causa da força da gravidade do planeta que orbita.

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Além disso, gelo de metano e de hidrogênio cobrem boa parte da superfície de Plutão e, como esses materiais não são fortes o suficiente para formar as montanhas, é muito mais provável que gelo de água tenha criado as estruturas.

E as luas?

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Caronte, a maior lua de Plutão, também revelou algumas surpresas. Os cientistas ficaram intrigados pela aparente falta de crateras. Isso pode ser indicativo de uma superfície relativamente nova que foi remodelada por atividade geológica, porém apenas uma análise mais detalhada das fotos de alta resolução poderá confirmar essa possibilidade.

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Já Hidra, uma das menores luas, parece ter o formato mais bizarro de todos, bem mais irregular. Mas assim como Charon, parece ser coberta com gelo de água, o tipo de gelo mais abundante do universo.

Curiosidades sobre a sonda

O combustível que mantém a sonda funcionando para enviar dados de volta para a Terra é Plutônio, um elemento que foi batizado em homenagem a Plutão.

O processador usado na New Horizons é o R3000, o mesmo usado no primeiro PlayStation e permitiu jogar títulos como Metal Gear Solid e Castlevania: Symphony of the Night. O chip “antigo” é justificado pela necessidade de usar peças confiáveis, que usam pouca energia e resistentes à radiação.

Um jornal de 1993 estimou corretamente a chegada da sonda em Plutão em 2015.

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A sonda carrega parte das cinzas de Clyde Tombaugh, o astrônomo que descobriu Plutão em 1930.

Mesmo com a New Horizons, Plutão ainda é apenas um planeta-anão. Ele consegue cumprir dois dos três pré-requisitos para ser considerado planeta, que são: ter uma forma esférica (pois isso denota volume e equilíbrio hidrostático) e girar em torno do sol, mas não cumpre o terceiro, que é ser o senhor de sua órbita (não entrar na rotação de outro planeta). E ainda teve que ser trollado pelo Neil deGrasse Tyson.

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