Elden Ring | Review

Novo jogo da From Software supera expectativas, renova a fórmula “soulsborne” e entrega um dos mundos abertos mais memoráveis da indústria

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Elden Ring | Review

Poucos são os jogos que balançam a comunidade e criam uma expectativa muito alta antes do lançamento. Aqueles que conseguem superar essas expectativas imensas e ainda surpreender são parte de um grupo ainda mais seleto.

No entanto, esse é o caso de Elden Ring, que entrega não apenas o projeto mais ambicioso da desenvolvedora japonesa From Software, mas também uma das experiências mais memoráveis da indústria.

Uma experiência a longo prazo

Estou jogando Elden Ring há um bom tempo. A primeira vez foi com o teste de rede, lá no final de 2021, que oferecia uma parte da região Limgrave para explorar.

Foram 14 horas para conferir tudo, mas esse primeiro contato já mostrava que tinha potencial para remodelar a fórmula “soulsborne” e, pela primeira vez, fazer com que eu realmente valorizasse recursos simples em um jogo, como botão de pulo, viagem rápida e uma montaria. Detalhes pequenos, mas que fizeram uma grande diferença para o gênero.

Nosso próximo encontro foi mais perto do lançamento, já com a versão final do título. Depois de mais de 30 horas, já tinha a impressão de que era a experiência definitiva do “soulsborne”, em que tudo que os fãs queriam (e até o que nem sabíamos que precisávamos) estava presente.

Melina é uma das personagens mais importantes e interessantes da história de Elden Ring

Agora, depois de 90 horas de Elden Ring e até com a platina em mãos, todas as impressões foram confirmadas. E até superadas!

A sensação que fica é que o jogo entrega um mundo aberto extremamente único, que aprimora os elementos característicos dos títulos da From Software e dá uma aula de como é possível renovar um gênero, sem alterar sua essência.

A melhor parte é que, mesmo depois de tudo isso, ainda sinto que existe muito mais para descobrir no jogo. E mal posso esperar para voltar e gastar outras 90 horas nas Terras Intermédias.

Um mundo realmente “aberto”

Elden Ring mantém todos os elementos que são esperados de um “soulsborne”, mas com várias mudanças e adições inteligentes, tanto pequenas quanto grandes.

A maior diferença está na própria estrutura do título, que é um mundo aberto, algo que a From Software nunca havia feito antes (apesar dessa “falta de experiência” nem mesmo transparecer).

Talvez eu tenha morrido sem querer em pontes estreitas mais vezes do que gostaria de admitir…

O mundo aberto é vasto, denso e muito bem construído, colocando como prioridade a liberdade do jogador. Em poucos minutos, você já é largado no mapa com poucas instruções e precisa se virar com seu próprio instinto.

Essa sensação já era algo comum nos jogos do estúdio, mas ela é ainda mais marcante e acentuada em Elden Ring principalmente por causa do mundo aberto. O mapa é extenso e conta com cinco regiões, que se diferem em conteúdo e bioma, então oferecem uma porrada de áreas, inimigos, NPCs e segredos por todos os lados.

A ideia de liberdade ainda é intensificada pela própria interface, uma vez que ela é limpa (conta apenas com uma bússola) e não há indicadores de missão para seguir. É preciso observar os arredores e ser curioso (e corajoso), o que gera uma exploração envolvente que deixa o jogador completamente imerso naquele universo.

Já perdi as contas de quantas vezes me vi explorando um lugar que cruzou meu caminho por puro acaso, atiçando minha curiosidade e fazendo até eu esquecer o que estava fazendo antes de chegar ali! Um desses momentos aconteceu nos temidos túneis de Limgrave, em que um baú amaldiçoado me teletransportou para Caelid, um deserto que facilmente aparece nos pesadelos de qualquer jogador de Elden Ring.

Mesmo com pássaros, cachorros e até um pântano que tentavam me matar, gastei umas boas 10 horas por ali, até me deparar com o Lorde Radahn que me fez perceber (da pior maneira possível) que meu nível estava baixo demais para me aventurar na área.

É tanto conteúdo que faz com que existam muitas distrações, então foi inevitável literalmente jogar com uma lista ao meu lado. Entre mortes e descobertas aqui e ali, fazia anotações do que havia encontrado, locais que ainda não foram limpos, tarefas dadas por NPCs e itens que precisava encontrar.

Muitas áreas opcionais oferecem informações de lore no próprio cenário, além de renderem belíssimas paisagens

Elden Ring é um game que confia no jogador e sabe explorar muito bem a natureza interativa dos videogames, deixando quem está com as mãos no controle no comando de toda a experiência.

Encontrar sozinho segredos e atividades esporádicas pelo mapa é algo tão recompensador quanto derrotar um chefão. Muitas vezes, me vi sorrindo por apenas ter encontrado uma espada lendária em um castelo abandonado, solucionado o mistério por trás do espírito de uma garotinha preso em uma água viva ou seguido os passos de um fantasma no pântano.

Uma fórmula restaurada

Elden Ring mantém a dificuldade elevada já esperada de um “soulsborne”, contando com uma jogabilidade característica do gênero, com diferentes classes, sistema de builds e dezenas de armaduras, armas e feitiços para equipar. No entanto, também conta com alguns ajustes que afetam o combate e principalmente a exploração, tornando a experiência mais fluída e com um aspecto menos punitivo.

Alguns cenários causam mais tensão que o próprio chefe!

O botão de pulo, por exemplo, é algo simples, mas que expande a exploração vertical e pode ser usado nas lutas. É possível saltar para fugir de ataques no chão ou até rolar pelas costas de certos inimigos, podendo atacá-los de surpresa.

O cavalo Torrent também causa o mesmo feito, sendo uma montaria com pulo duplo que salva vidas durante lutas contra dragões e inimigos maiores. A viagem rápida de qualquer área aberta facilita a locomoção, enquanto as estacas de Marika são pontos extras de checkpoint e os locais de Graça contam com recursos rápidos (como subir de nível e equipar habilidades) que facilitam a vida do jogador.

Há ainda sistemas que estão relativamente escondidos e servem como facilitadores, como poder reviver um NPC que foi morto ou ter a opção de comprar as Pedras de Forja (usadas como upgrade para as armas) ao entregar sinos ao mercador certo. E boa parte da diversão também está em descobrir esses sistemas!

Com tantas espadas, cajados, armaduras, arcos, martelos, machados, feitiços, encantamentos, talismãs e habilidades especiais (ufa!) para combate, as opções de combinação para builds são vastas. Além disso, há o sistema de Novo Jogo+ que mantém todas as atualizações e itens do jogador, o que faz com que o game ofereça um fator alto de replay que incentiva o jogador a se aventurar mais uma vez, mas com dinâmicas e estratégias diferentes.

Uma beleza única

Elden Ring não conta com os melhores ou mais avançados gráficos da geração, mas isso está longe de ser um problema. Afinal, esse nunca foi o objetivo da From Software.

O jogo conta com uma direção de arte ambiciosa, que aposta em regiões, cenários, paisagens e criaturas com aparências grandiosas e imponentes, com isso sendo exaltado até mesmo no meio de lutas contra chefes.

Há confrontos que impressionam esteticamente, como a temida Malenia, uma das chefes mais difíceis do título. A aparência e a movimentação ágil da personagem, o cenário com pétalas e borboletas e até as cutscenes melancólicas foram um dificultador extra para prestar a atenção em não morrer!

Malenia está dentro de uma raiz de árvore e, quando o jogador a enfrenta, há muitas flores e pétalas no cenário

Em termos de narrativa, Elden Ring mantém o estilo “soulsborne” em apresentar uma história com poucas cenas e muita margem para interpretação e teorias. No entanto, há um diferencial. George R.R. Martin, criador de Game of Thrones, ajudou na criação do universo inédito do jogo. Além de temáticas envolvendo linhagens, reinados e até um trono, a participação do escritor é aparente até mesmo ao explorar o mapa.

Há muitos NPCs carismáticos (e malucos), dragões em toda esquina, cidadelas em ruínas e forças sobrenaturais que se sobressaem visualmente. E é difícil não pensar que há uma mãozinha das ideias de Martin por ali.

A Capital é uma das áreas mais imensas e bem pensadas do jogo, com inúmeros caminhos a serem explorados

A atmosfera desse universo fantasioso ainda é intensificada pela trilha sonora, que não é constante, com muito silêncio na hora da exploração. Mas músicas surgem nos momentos de combate, principalmente em lutas contra chefões, e adicionam aquela dose de adrenalina. E acredite: sem elas, os confrontos não teriam nem metade da tensão que têm hoje. A própria luta final, em que a música tema do jogo aparece, é de arrepiar qualquer um que está com as mãos no controle.

Uma cooperatividade de peso

Os sistemas multiplayer de Elden Ring seguem o mesmo estilo de Dark Souls e Bloodborne, mas com uma grande diferença: funciona sem muita dor de cabeça.

As opções de jogar, tanto cooperativamente quanto competitivamente, são fáceis e simples de acessar, exigindo itens específicos que não são difíceis de encontrar. Um exemplo é que existe a opção de criar o item necessário para chamar ajuda, eliminando esse probleminha chato que acontecia nos outros títulos do estúdio.

Há ainda mais recursos, como poder chamar ajuda de alguém ao ser invadido, ou até mesmo usar disfarces que alteram a aparência de seu personagem para enganar os outros – o que sim, é tão divertido quanto parece. Mas, seja para cooperar ou atrapalhar, o multiplayer adiciona uma camada divertida e diferente ao universo do game.

A experiência de pedir ajuda a alguém, e um desconhecido aparecer e dar seu máximo para derrotar um chefe em seu mundo (e comemorar com emotes, agachamentos e pulos) é algo único e confortante, mesmo no meio de um jogo em que até flores coloridas estão tentando te aniquilar.

Com um chefe desse tamanho, é uma boa ideia chamar a ajuda de alguém, não?!

A experiência cooperativa de Elden Ring, no entanto, acaba acontecendo até mesmo fora das telas. Como é um jogo que envolve muitos segredos e detalhes minuciosos, a própria comunidade se junta para compartilhar descobertas, desvendar os passos de quests e debater sobre a história.

Esses momentos de burburinho da comunidade, quebrar a cabeça juntos e trocar dicas e informações dão um toque especial ao que o jogo tem a oferecer, justamente por ser tão complexo em conteúdo.

Uma aventura ainda em mudança

Muitos brincam, mas a sensação realmente é que Elden Ring é praticamente infinito. Mesmo após um bom tempo do lançamento, os jogadores ainda vão estar descobrindo mais segredos pelas Terras Intermédias. E parece que até a From Software não deve largar o projeto tão cedo.

Depois de quase um mês do lançamento, o estúdio anunciou recentemente uma atualização, que adicionou novas quests e um personagem inédito, além de ajustar algumas armas e itens. Os ajustes incluíram a redução drástica do dano da Espada da Noite e das Chamas e do Pisão de Gelo, dois recursos que estavam sendo muito usados pela comunidade (e me incluo nessa) por serem muito poderosos. Mas, com as alterações, chego até a sentir um empurrãozinho extra em testar e fuçar novas builds, espadas e magias.

Aquele frio da barriga ao se deparar com uma fumaça amarela (que indica a porta do chefe) é indescritível

Outra atualização futura será voltada para os brasileiros. Elden Ring foi lançado com uma localização em português brasileiro que deixou a desejar, com traduções de termos que não fazem sentido no contexto e até descrições de itens que cortam parte do conteúdo original.

Como boa parte da história do universo do jogo depende muito da interpretação de pequenos detalhes desse tipo, a tradução acaba prejudicando a experiência por emitir e até passar informações erradas.

No entanto, a boa notícia é que a Bandai Namco anunciou recentemente que a localização em português será atualizada no futuro, apesar de ainda não ter revelado uma data. A publicadora reconheceu a necessidade em reformular a tradução, o que os jogadores brasileiros estavam pedindo desde o lançamento.

Um Anel para todos governar

Não é exagero afirmar que a From Software chega ao seu ápice com Elden Ring, um jogo que consegue aprimorar uma fórmula já antiga e adicionar um frescor que nem mesmo os fãs sabiam que precisavam. Não apenas isso, mas também entrega um dos mundos abertos mais consistentes e densos dos últimos anos – e, talvez, até de toda a indústria! –, e uma das experiências mais memoráveis que já tive com um game.

Com conteúdo que facilmente passa das 150 horas, Elden Ring é aquele tipo raro de jogo que vão se passar meses ou até anos, e muitos ainda estarão pensando e falando sobre ele. E, com isso, me incluo também!

De forma simples e curta, o título é a experiência definitiva do “soulsborne”, que serve tanto como uma ótima porta de entrada para o gênero, quanto como aquele capítulo revigorante que os fãs precisavam. Saber que a From Software não quer parar por aí, só me deixa com mais expectativa para o futuro. Mas a parte boa é que existe uma vontade de não querer parar de jogar Elden Ring, só para aguentar a ansiedade até lá!


Esta análise foi feita com uma cópia cedida pela Bandai Namco.

Elden Ring está disponível para PC, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S e Xbox One.

Caso queira garantir, o jogo está à venda na Amazon e no Magalu. Se comprar, o Jovem Nerd pode receber comissão.

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