E3 2016 | Microsoft aposta em um Xbox “sem fronteiras” que ainda tem muito o que provar

O futuro do console Xbox One deixa muitas dúvidas

Bruno Izidro Publicado por Bruno Izidro
E3 2016 | Microsoft aposta em um Xbox

Essa E3 poderia ter sido conhecida como a edição em que a Microsoft anunciou uma das mais fortes linhas de jogos exclusivos para o Xbox One. Só esse ano teremos Gears of War 4, ReCore e os anunciados na apresentação Forza Horizon 3 e Dead Rising 4. Para 2017 há Sea of Thieves e State of Decay 2. Isso sem esquecer também dos jogos indies do programa id@Xbox como Cuphead e We Happy Few, que foi demonstrado no palco.

É jogo pra caramba e a maioria deles empolga. Mas todos esses jogos foram ofuscados de certa forma, porque essa vai ser conhecida como a E3 em que a Microsoft anunciou novos hardwares e o que parece ser uma nova forma de encarar gerações de videogames.

O Xbox One S e o Project Scorpio foram, respectivamente, a primeira e a última coisa anunciada pela Microsoft na conferência pré-E3, como se eles fossem as duas fatias de pão que formam esse sanduíche de Xbox(es) com um recheio de jogos promissores. A empresa está nos oferecendo esse lanche, mas ainda falta a ela provar se isso tudo realmente é bom de experimentar.

Vamos, primeiro, saber o que há de informações sobre os dois novos hardwares.

Xbox One S

O Xbox One S é uma versão Slim do console original, sendo 40% menor, o que deixa ele mais do tamanho do PS4. O novo modelo suporta resolução 4K para vídeo, mas não para jogos. Terá uma nova versão do controle, com ergonomia melhor, e virá com versões de 500GB, 1TB e 2TB de armazenamento. Depois da conferência, ficamos sabendo também que o Xbox One S não terá suporte nativo para o Kinect, o que só será possível por meio de um adaptador para o console.

Xbox_S

Por fim, há indícios de que a versão slim também seja um pouco mais potente que a original, mas só o suficiente para que jogos não tenham queda de frame rate e de performance, ou seja, é uma melhoria para deixar que os jogos rodem “mais lisos” no novo aparelho, que vai sair em agosto nos EUA.

Project Scorpio

A surpresa da conferência, o Project Scorpio (um nome ainda provisório do console), também é um Xbox One, mas bem mais potente. Potente o suficiente para rodar não só vídeos como também jogos em 4K, além de suportar nativamente recursos de realidade virtual. Tudo isso estará disponível no fim de 2017.

A Microsoft ainda não confirmou nenhuma parceria com empresas de aparelhos VR, mas é provável que ela se una mais uma vez com a Oculus para trazer o Rift para o lado verde da força, competindo, assim, diretamente, com o PlayStation VR.

Phil Spencer, o chefão da divisão Xbox, fala que o Project Scorpio faz parte da “família Xbox One”, que ainda tem o console original e o novo Xbox One S como integrantes. Isso quer dizer que todos os jogos e acessórios que você já tem no Xbox One vão funcionar no novo aparelho. O executivo também anunciou que o Scorpio é como um Xbox sem barreiras e que vai além do conceito de geração de videogames que estamos acostumados.  “O console mais poderoso já construído”, falou Spencer no palco.

Isso dá a entender que O Scorpio é tanto uma nova versão do Xbox One como também o seu sucessor. Apesar de ser compatível com todos os jogos e acessórios do console que já estão aí, nada impede que ele possa receber games próprios no futuro e que utilizem todo o novo potencial dele.

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O grande problema é que tudo isso pode soar confuso para o jogador. Por que devo comprar um Xbox One S agora se daqui a pouco tempo vão lançar uma versão melhor? Será que vou ter que ficar gastando dinheiro de tempos em tempos pra me atualizar com os consoles, assim como faço com PC?

Por isso, a Microsoft tem que provar que vale a pena o investimento. Ela tem um bom tempo para isso, é verdade, e ainda vai acontecer outra E3 até o lançamento do Scorpio, mas, talvez anunciar o console assim, só com palavras e sem nada muito concreto para apresentar, tenha sido precipitado demais.

No final, o Scorpio – um produto que mais traz dúvidas do que empolgação, pelo menos por enquanto, acabou ofuscando o que a empresa teve de concreto e forte esse ano: os jogos exclusivos. Com essa gama de títulos fortes e já para sair, a feira mostrou que ainda vale a pena ser dono de um Xbox One agora, mas deixa uma preocupação lá no fundo, para saber o que vai acontecer no futuro.