Doom Eternal | Review

O novo jogo da id Software potencializa tudo que a franquia construiu até então – e chega ao seu ápice!

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Doom Eternal | Review

Já faz quase 30 anos desde que o primeiro jogo de Doom foi lançado, mas o famoso lema “estripar e dilacerar até o fim” nunca fez tanto sentido quanto agora. Doom Eternal é um shooter tão brutal e visceral, que até deixou meus dedos doendo após finalizar a campanha.

Desenvolvido pela id Software, o título se passa depois dos acontecimentos do reboot de 2016 e se passa em uma Terra que está sendo consumida pelos demônios. O objetivo de Doom Slayer é simples: encontrar e aniquilar os Sacerdotes Infernais para colocar um ponto final no caos. Só que, como esperado, não é tão fácil assim — e até o passado do protagonista se torna um elemento importante.

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A qualidade gráfica do jogo conseguiu superar o reboot (e há um bom motivo para o rosto do Slayer voltar a aparecer através do capacete!)

A narrativa é relativamente simples e, por Doom ser conhecido por priorizar o gameplay, isso não é uma surpresa. No entanto, quem quer acompanhar o contexto dos rituais satânicos e dos desmembramentos de monstros, precisa ter jogado outros títulos da franquia para conseguir entender a história como um todo. As principais reviravoltas não funcionam para um novato.

O que não acaba sendo algo ruim, porque o que realmente foi feito para impressionar é o gameplay que manteve a fluidez e os comandos do jogo anterior, e o level design que é o elemento mais diferencial do título.

Isso porque as fases não estão focadas apenas no combate, mas também em exploração — o que já existia na franquia, mas foi potencializado para outro nível. Cada cenário tem elevações, plataformas, dispositivos e até obstáculos que afetam a movimentação do jogador, que precisa lidar com as dificuldades do ambiente enquanto enfrenta hordas e mais hordas de criaturas infernais (não à toa, meu dedão pede por uma trégua enquanto escrevo essas palavras). Entre as batalhas, ainda existem enigmas de travessia com pitadas de Metroidvania, que são desafiadoras na medida certa e um diferencial divertido para um FPS.

Já o combate é pura estratégia. Acredite, se você dar uma de Rambo sem pensar antes, é morte na certa. Cada inimigo tem seu próprio ponto fraco, o que força o jogador a trocar de armas constantemente e racionar a quantidade de munições, gasolina e granadas.

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Os cenários são feitos para ferrar com você, mas tente usar tudo que puder ao seu favor

É possível ainda matar os monstros de formas específicas para que eles derrubem espólios — por exemplo, matar com o Soco Sangrento dá pontos de vida, já queimá-los gera armadura. Então é preciso dosar cada movimento e ataque durante as lutas, que quase não dão tempo para o jogador respirar. E, obviamente, não poderia faltar sangue, tripas, cérebros e membros voando para todo lado no meio disso tudo.

A quantidade massiva de conteúdo opcional é outra consequência do level design bem pensado que, apesar de ter uma estrutura linear na maior parte do tempo, tem áreas ao estilo mundo aberto que forçam a exploração, seja para conseguir encontrar uma maneira de avançar ou encontrar algum dos coletáveis — que variam de disquetes antigos com cheats (que podem ser acionados!) até discos de vinil. Também existem pequenas arenas escondidas de batalhas mais difíceis, o Portão do Slayer e os Confrontos Secretos, que dão recompensas valiosas.

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Os coletáveis escondidos rendem vários easter eggs, como esse disco da música intro de Doom 64!

Tanta porradaria faz Doom Eternal parecer complicado, mas a quantidade de opções de dificuldade geram acessibilidade e sensação de desafio para todos os jogadores, independente se você escolhe jogar no Fácil ou no Difícil. O game ainda incentiva o jogador a melhorar ao decorrer da trama com batalhas mais extensas e trabalhosas, dando diversos upgrades de habilidades ligadas ao protagonista e à sua armadura. E nenhuma delas quebra o jogo deixando o Doom Slayer forte demais, tudo está bem balanceado.

O que não está tão equilibrado é a trilha sonora, que não acompanha o mesmo nível de qualidade do jogo e tem altos e baixos. Enquanto as músicas harmônicas com batidas mais lentas e sombrias condizem mais com o que a história propõe, a trilha heavy metal acaba ficando muito repetitiva e até enjoativa — tanto que, ao zerar Eternal, eu só queria dar um fim em todos os meus discos de rock pesado.

Estripar e… dilacerar ainda mais!

O jogo reúne as principais características da franquia e recicla os elementos do reboot que deram certo, potencializando essa mistura em um escopo maior e mais ambicioso, entregando uma experiência que supera a expectativa dos jogadores — que não estava nada baixa.

Doom Eternal acaba sendo um shooter quase indispensável para os fãs do gênero, por conseguir entregar tudo que havia sido prometido (e ainda mais). Quem diria que seria tão divertido visitar o Inferno?


Doom Eternal está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC. Este review foi feito com uma cópia do jogo cedida pela Bethesda.