Dolmen | Review

Jogo brasileiro é ambicioso e tem boas ideias, mas as muitas falhas o impedem de ser uma experiência marcante

Vítor Heringer Publicado por Vítor Heringer
Dolmen | Review

Dolmen é o novo RPG de ação da desenvolvedora brasileira Massive Work Studio, que ganhou o apelido de “Dark Souls no espaço” pela proposta de juntar características de um soulslike com a temática de ficção científica.

Desde a revelação, o projeto é aguardado por muitos jogadores do país que esperam uma experiência similar aos concorrentes de sucesso no gênero, mas será que faz jus à expectativa dos fãs?

Dolmen se baseia na alta dificuldade dos títulos da FromSoftware. No entanto, a progressão entre cada chefe e mapa funciona naturalmente, tornando o desafio equilibrado ao longo da aventura, ou seja, não é preciso subir de nível incessantemente para derrotar um inimigo que parece impossível de ganhar.

Fiquei preso em algumas ocasiões em uma área específica, ou morri mais vezes para um chefe desafiador. Mesmo assim, sempre tive a sensação de que bastava ter calma, respirar fundo e pensar na estratégia certa para ultrapassar. E acabou funcionando em todas as situações.

Para quem está acostumado com jogos no estilo, não será uma experiência de “arrancar os cabelos”. Digamos que seja um “soulslight”. O título conta com opção multiplayer, que apenas pude utilizar no chefão final, pois não tinham jogadores disponíveis (já que o game ainda não foi lançado), mas é possível terminar sozinho tranquilamente.

Imagem de um personagem do jogo Dolmen em um mapa do game
Dolmen é uma experiência “light” de um soulslike.

Gameplay tem boas ideias

A jogabilidade não chega a ser viciante, mas é atrativa, principalmente após cada vitória contra chefes e inimigos bem complicados, se transformando em um combustível para seguir ao próximo desafio.

Ela segue o básico de um soulslike, com ataque físico normal, um forte e uma barra de estamina. Todavia, como um jogo de ficção científica no espaço, traz diferenciais muito interessantes: barra de energia e armas de longa distância.

Os armamentos, sejam pistolas, metralhadoras ou espingardas, são aliados importantes para vencer o game, cada um tendo um elemento (fogo, ácido ou gelo), podendo explorar a fraqueza inimiga.

A alternância entre ataques físicos e tiros é um dos destaques da jogabilidade, pois garante mais dinamismo para as batalhas e até salva de derrotas. Está com pouca vida? Não sinta vergonha de usar coberturas e “apelar” com uma pistola.

Personagem no jogo Dolmen apontando uma arma para um monstro
Uso de armas de longa distância é extremamente eficaz.

As armas funcionam a partir da barra de energia, ou seja, possuem munição limitada para não tornar o gameplay desbalanceado. Além disso, a mesma fonte também é usada para curar o jogador. O que complica é que ela somente é restaurada após usar uma bateria que demora alguns segundos para ativar.

Esse tempo específico me irritou diversas vezes quando precisava recuperar vida — principalmente contra chefes mais apelões. Também senti que faz parte de uma ideia do estúdio em deixar as lutas mais estratégicas, sabendo o momento exato de utilizar o item.

Os chefes de Dolmen não são grandiosos como em Dark Souls ou Elden Ring (na verdade, a comparação é até injusta, por se tratar de um indie), mas são divertidos. Todos os grandes inimigos têm fases diferentes que desafiam os jogadores a mudarem a tática durante a luta ou melhorarem suas habilidades para avançar no jogo. Dessa forma, derrotá-los é garantia daquela boa sensação de recompensa.

Imagem de uma criatura do jogo Dolmen
Chefes são divertidos de derrotar

Problemas sérios afetam a jogabilidade…

O gameplay tem pontos positivos e realmente diverte, mas possui defeitos significativos. A imprecisão na esquiva e no contra-ataque causa incômodo, principalmente ao considerar o nível de desafio do jogo e a necessidade de reflexos afiado.

Em diversos momentos, senti ter tomado um golpe mesmo ao apertar o botão de esquiva na hora certa. Teve vezes que errei? Claro! Muitas, na verdade. No entanto, a sensação é que faltava um pouco de precisão.

Em um desses episódios, meu personagem se esquivou sozinho, abrindo minha defesa e dando a oportunidade de receber mais um ataque. E isso aconteceu em muitas ocasiões.

Essa situação só se resolveu quando me acostumei com a sequência de combos de um inimigo e também com a imprecisão dos comandos. Desisti de utilizar o contra-ataque logo no início do jogo, por conta da dificuldade em acertar o tempo.

Imagem de um personagem do jogo Dolmen usando um escudo
Falta de precisão é um problema sério do gameplay

O game, infelizmente, decepciona em um ponto fundamental: o design dos mapas. As áreas são pobres e com pouquíssimos lugares para explorar, é basicamente uma linha reta em todas as regiões, ou seja, quase impossível de se perder e não exige um senso de direção.

O problema no design de fases é agravado com a pouca quantidade de inimigos em certas áreas. Por exemplo, entrei em um setor, matei poucos adversários e, após andar bastante sem ter ninguém, me deparei com um chefe. Por que não adicionar mais oponentes até o boss? O jogo tem alguns vazios que realmente não tem explicação.

Personagem do jogo Dolmen de costas
Mapas do jogo são pouco criativos

História ficou em segundo plano

A história não é o foco de Dolmen. Sim, existe uma narrativa mais acessível do que Dark Souls, mas é bem rasa e com personagens desinteressantes. É possível entender mais sobre a trama lendo arquivos digitais espalhados pelos mapas, mas não empolgam.

Além disso, companheiros do protagonista surgem como “vozes fantasmas” em situações mais importantes da história, só que os diálogos são pouco criativos e não agregam para que o jogador seja atraído pelo andar da narrativa. A dublagem brasileira também não brilha nesses momentos e carece de emoção.

Imagem de um personagem do jogo Dolmen e um texto embaixo
Maior parte da história estão em textos e são pouco interessantes de ler.

A ambientação espacial se destaca por conta dos visuais que remetem à ficção científica, mas ficou faltando o prometido terror (e olha que sou medroso para esses títulos). Até mesmo a trilha sonora, que desaparece algumas vezes, poderia ajudar nesse sentido, mas não contribui para uma experiência marcante.

Os gráficos de Dolmen estão longe de serem chamativos, mas são ambiciosos para um indie. A direção de arte dos biomas do espaço se sobressai, todos eles com características únicas. Um baita acerto da produtora.

Imagem de um bioma do jogo Dolmen e um personagem de costas
Gráficos não se destacam, mas a arte dos biomas compensa

Dolmen é um passo ambicioso

Dolmen traz algumas ideias ótimas para o gameplay, se diferenciando dos concorrentes do mesmo gênero, mas falha em quesitos fundamentais para um soulslike que afetam a experiência, como a imprecisão nos comandos e mapas sem criatividade.

Além disso, o título também decepciona na história de ficção científica e não entrega uma narrativa que faça o jogador se interessar por cada acontecimento da trama, com diálogos bastante esquecíveis.

Ainda assim, o RPG de ação ainda é capaz de entreter os fãs mais apaixonados por Dark Souls que desejam uma aventura de menor escopo, com cerca de 10 horas de duração, principalmente pela satisfação de derrotar os chefes. No entanto, é preciso maneirar as expectativas, não se trata de um dos melhores do gênero, na verdade, está longe disso.

Dolmen já está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series e PC. O review foi feito com uma cópia de PlayStation 5 cedida pela Koch Media.

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