Death’s Door | Review

Chegando em mais plataformas, o jogo indie é uma experiência profunda, encantadora e desafiadora

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Death's Door | Review

Desenvolvido pelo estúdio indie Acid Nerve, Death’s Door é um jogo de ação e aventura, que entrega uma experiência profunda e desafiadora — não apenas por conta do gameplay, mas também por abordar um dos maiores medos da humanidade: a morte.

O game coloca você para controlar um corvo, que trabalha como ceifador de almas em um escritório comandado por um líder misterioso.

No entanto, o universo está entrando em desequilíbrio. E, para desvendar o que está acontecendo, é preciso coletar três almas gigantes de criaturas que enganaram a Morte e estenderam suas vidas.

Esse é o pontapé inicial para inserir o jogador em um mundo cheio de mistérios, NPCs cativantes, inimigos desafiadores e muitas mortes (mas calma, não apenas as do jogador!).

A forma como o jogo brinca com as cores (ou a falta delas) é divertida

Com chefões e quebra-cabeças de ambiente, Death’s Door mostra uma forte inspiração em Zelda e Dark Souls em suas mecânicas e estrutura de mundo.

O jogo é dividido em três grandes áreas de exploração, que são interligadas por portas (levando ao escritório, que atua como base central) e cada uma esconde uma alma gigante. O objetivo é explorar esses locais — que são diversificadas e oferecem biomas, puzzles e inimigos únicos — para encontrar as criaturas que são chefes a serem derrotados.

O combate é simples, viciante e fácil de ser dominado, sendo baseado em timing. É preciso decorar os padrões de ataque do inimigo para saber a hora certa de atacar.

Há pouca variedade, no entanto: apenas uma esquiva como forma de defesa, armas brancas (como espada e machado) e quatro “feitiços” que são desbloqueados com a história: flecha, bomba, bola de fogo e gancho. Mas não há muita necessidade de tentar algo diferente nas lutas, já que a mesma tática sempre funciona (e se torna cada vez mais efetiva com o tempo). Eu, por exemplo, nunca cheguei a desequipar a arma inicial para tentar coisas novas. E não fez falta nenhuma.

Matar inimigos deixa várias manchas de sangue pelo chão, que adicionam um aspecto caótico aos cenários

Já a estética de Death’s Door segue um estilo cartunesco com toque sombrio, algo que lembra o clássico Grim Fandango.

O jogo ainda brinca com um visual quase monocromático para destacar certos elementos ligados à narrativa. Isso é algo que também acontece com a trilha sonora, uma vez que as músicas sempre mudam para ditar o ritmo e influenciar os sentimentos de quem está com o controle em mãos.

Esse visual cativante encaixa muito bem com o tom da história, que aborda temas sensíveis de forma leve e até com toques de humor nos diálogos em alguns momentos.

A localização em português brasileiro acompanha essa característica, resultando em diálogos bem escritos e trocadilhos divertidos com os nomes dos personagens, como um NPC com cabeça de panela que se chama Boncaldo e um coveiro chamado Epitáfio.

Lamento pelo meu corvinho derrotado, mas até as telas que aparecem ao morrer têm uma estética chamativa

Com uma média de 10 horas de conteúdo, Death’s Door é um jogo que encanta e surpreende, principalmente por oferecer uma experiência tão completa dentro daquilo que se propõe.

É aquele tipo de obra que consegue conversar com o jogador nos pequenos detalhes, seja se identificando com personagens, sendo tocado por algum diálogo ou envolvido por alguma trilha. Pessoalmente, foi difícil não me emocionar com a história do coveiro, por refletir sentimentos de perda que me foram familiares.

Agora, Death’s Door está chegando para mais plataformas, levando o pequeno corvo que maneja uma espada vermelha para alcançar mais jogadores. E acredite: se tentar dar uma chance ao jogo, com certeza terá uma experiência difícil de esquecer.


Este review foi feito com uma cópia cedida pela Devolver Digital.

Death’s Door está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch.

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