Phantom Liberty apresenta Night City melhor do que o próprio Cyberpunk 2077 | Review

Expansão mostra que a CD Projekt Red aprendeu com os erros e é uma experiência concisa em tamanho, mas ampla em conteúdo

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Phantom Liberty apresenta Night City melhor do que o próprio Cyberpunk 2077 | Review Cyberpunk 2077: Phantom Liberty/CD Projekt Red/Divulgação

Pode não ter sido como muitos esperavam, mas Cyberpunk 2077 marcou a indústria de videogames. Agora, após quase três anos do conturbado lançamento, o jogo volta aos holofotes com sua primeira DLC de história, Phantom Liberty.

Com uma quantidade parruda de conteúdo, que varia entre 10 e 15 horas, a expansão é uma experiência concisa, mas rica principalmente em história e personagens, mostrando que a CD Projekt Red aprendeu com os erros — ou quase todos.

Liberdade nada fantasma

Phantom Liberty adiciona uma boa quantidade de conteúdo a Cyberpunk 2077, como uma nova linha narrativa, um distrito inédito, uma árvore extra de habilidades, veículos armados e várias missões secundárias, além de um final alternativo para o jogo base.

Logo de cara, é perceptível que os desenvolvedores não adicionaram apenas mais conteúdo, mas também ajustaram alguns parafusos soltos. E deu certo, apresentando o universo de Night City de uma maneira melhor do que o próprio game, anos atrás.

Ao todo, Phantom Liberty tem 13 missões de história e 17 missões secundárias (Imagem: CD Projekt Red/Captura de tela)

A história de Phantom Liberty é uma trama à parte, que coloca o protagonista V num emaranhado de intrigas e segredos no distrito Dogtown, que fica na redondeza sombria de Pacifica. Com vários rostos e organizações criminais, a narrativa envolve principalmente a trilha-rede Songbird e o ex-agente secreto Solomon Reed, interpretado por Idris Elba (Luther).

Elba rouba a cena como Reed, alguém experiente, cheio de princípios e de aspecto cansado (quem nunca), que carrega o peso do passado nos ombros. A construção do personagem é impecável por ser ambíguo: é possível entendê-lo logo de cara, mas ainda há mistérios o suficiente para saber que não podemos confiar tanto nele.

O mesmo pode ser dito de Songbird, outra peça crucial da expansão. Assim, chegamos ao ponto mais forte de Phantom Liberty: a construção da história e dos personagens. A trama é cuidadosa para sustentar a ideia de que não existe lado certo ou errado — e que suas ações sempre vão emputecer alguém!

O jogador precisa tomar decisões em alguns momentos que, apesar de serem poucos, são certeiros e afetam o rumo da história. As escolhas também não são apenas em diálogo, mas também em ação durante o gameplay. Agir furtivamente, por exemplo, pode render um desdobramento diferente, o que conversa com os temas de Phantom Liberty, que é uma expansão de suspense e espionagem.

Reed é apresentado em uma cena de tirar o fôlego, que está entre os melhores momentos de todo o Cyberpunk 2077 (Imagem: CD Projekt Red/Captura de tela)

O mesmo cuidado aparece em missões secundárias, brilhando até mais forte do que a própria campanha em alguns momentos. O principal conteúdo opcional é uma série de serviços para o Sr. Hands, que envolve assassinatos, um cartel cubano, obsessão por pop stars e até uma organização brasileira, para se ter uma ideia da variedade.

As missões são bem construídas com a ideia de que você não está lidando com o velho dilema entre “bem e mal”, mas com seres humanos que foram destruídos por Night City e têm diferentes motivações, problemas e ambições. Isso resulta em escolhas morais difíceis, que vão te deixar pensativo e rendem alguns dos melhores momentos da expansão.

Outros conteúdos opcionais são simples e repetitivos, como encontrar cartas de tarô e pacotes de suprimentos pelo mapa, além de fazer Contratos de Veículos, que basicamente são perseguições com carros equipados com armas de fogo — sim, tiroteio em quatro rodas.

Uma rua comercial é o primeiro lugar de Dogtown que você visita — e é literalmente a pontinha do que você encontra na expansão: NPCs inusitados e caos para todo o lado (Imagem: CD Projekt Red/Captura de tela)

O único ponto negativo em relação às missões é que, na maioria das vezes, o que acontece nelas não parece refletir no mundo aberto. Por exemplo, um medicânico foi espancado durante a história principal (por causa de escolhas que fiz, ops!), mas, após o término da missão, ele apareceu normalmente em Dogtown, sem nenhum ferimento ou até mesmo menção ao acontecimento.

Esses pequenos detalhes quebram a imersão e a profundidade, adicionando um toque de artificialidade ao mundo aberto — o que já era um problema em Cyberpunk 2077.

Mas isso não significa que não houve melhorias no mundo aberto. Apesar da estética manter o mesmo estilo e paleta de cores, Phantom Liberty acerta ao manter a história em Dogtown, o que faz com que todo o conteúdo (principal e secundário) fique concentrado, fazendo o jogador encontrar atividades e NPCs em quase toda rua, o que resulta em uma Night City que fervilha para todos os lados!

Visualmente, Dogtown impressiona com cenários coloridos e chamativos, além de personagens expressivos nas missões principais e secundárias (Imagem: CD Projekt Red/Captura de tela)

Em termos de jogabilidade, o destaque da expansão é para a adição da árvore de habilidades de Relic. Apesar de ter poucas opções, ela adiciona habilidades marcantes como invisibilidade, lâminas louva-a-deus e sensor para detectar vulnerabilidades de inimigos — satisfazendo, de forma inteligente, todas as classes em uma tacada.

A árvore é atualizada com “pontos Relic”, que podem ser encontrados em máquinas espalhadas por Dogtown. Encontrá-los exige um pouco de parkour, então fica a dica de equipar um implante cibernético de pulo duplo!

Phantom Liberty tem dublagem em português brasileiro, que melhora a qualidade em relação ao jogo base. Há muitos palavrões, sotaques condizentes e trocadilhos que fazem sentido na nossa língua (Imagem: CD Projekt Red/Captura de tela)

Minha experiência com Phantom Liberty, no entanto, não foi livre de bugs. Mas, calma, não é nada comparado ao que foi Cyberpunk 2077 no lançamento.

Alguns bugs eram puramente visuais, como V ficar careca, Reed desaparecer ao entrar em um carro e NPCs flutuarem ou atravessarem objetos sólidos. Outros problemas mais graves foram dois “crashes” (erro que força o fechamento do jogo) e um código não funcionar em uma missão (quando deveria funcionar).

Os bugs foram até relativamente frequentes, mas, com exceção dos “crashes” e do erro do código, não houve nada que prejudicou tanto a experiência como um todo. Fica apenas o alerta de que momentos do tipo podem acontecer.

Finalmente cyberpunk

A história e a estrutura de missões de Phantom Liberty mostram que a CD Projekt Red ouviu os jogadores e finalmente entendeu que, muitas vezes, qualidade supera quantidade.

Com aspecto mais conciso e focado em narrativa, a DLC entrega uma experiência cyberpunk que apresenta todas as complexidades, absurdos e maluquices por trás de Night City — além de uma trama engajante do início ao fim e personagens repletos de camadas.

Solomon Reed vai deixar saudades… (Imagem: CD Projekt Red/Captura de tela)

Apesar do preço um tanto salgado, a expansão justifica o modelo pago pela quantidade de conteúdo apresentado, com mudanças significativas não apenas na fórmula do jogo, mas também na essência da narrativa.

Ao terminar Phantom Liberty e testar vários de seus múltiplos finais (que, diga-se de passagem, são de desgraçar a cabeça) só consegui pensar que, demorou três anos, mas finalmente joguei o que esperava de Cyberpunk 2077.


Phantom Liberty é uma DLC paga para PS5, Xbox Series X|S e PC, que será lançada no dia 26 de setembro.

Cyberpunk 2077 está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC.

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