Crucible mistura gêneros para criar uma experiência desafiadora

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Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Crucible mistura gêneros para criar uma experiência desafiadora

Presente em várias áreas como e-commerce, audiobooks, serviço de streaming de vídeo e até mesmo com uma plataforma focada em transmissões de games,  a Amazon chega ao mercado de jogos AAA com Crucible, um game de tiro em terceira pessoa que mistura elementos de MOBA com battle royale e jogos de ação.

Juntar todos esses gêneros e elementos parece confuso no papel, mas a desenvolvedora Relentless Studios conseguiu fazer funcionar bem na hora do gameplay.

A curva de aprendizado inicial não é muito íngreme: você escolhe o personagem, abate monstros ou captura pontos e pega essência para subir de nível. No lançamento, estão disponíveis três modos de jogo com objetivos distintos — controlar pontos, derrotar chefões e sobreviver. Embora o caminho para a vitória seja diferente para cada um deles, há duas constantes que permeiam os três: a necessidade de trabalho em equipe e a mecânica de coletar essência.

Modos de jogo

Crucible coloca os jogadores no meio de um planeta que está lutando contra os personagens, que, por sua vez, lutam entre si. No lançamento, teremos os modos Harvester Command, Heart of the Hives e Alpha Hunters, voltados para times de diferentes tamanhos.

O primeiro deles, Harvester Command, coloca duas equipes de oito jogadores para controlarem pontos de extração de essência, e a primeira que chegar a cem pontos vence. São cinco pontos espalhados pelo mapa, que podem ser capturados pelo grupo oponente a qualquer momento, o que gera inúmeras estratégias sobre divisão de time e funções. Antes de entrarmos na sessão para testar o jogo, os desenvolvedores comentaram que imaginaram este como o modo mais casual, ideal para conhecer os personagens e o mapa antes de se jogar de cabeça em um dos outros dois, que são mais competitivos.

O mapa é amplo e os pontos são distantes uns dos outros, com vários perigos no meio do caminho — apesar de sua aparência por vezes amigável, até os animais coloridos do planeta Crucible são hostis, e atacam quem se aproxima demais. Os ataques não são extremamente fortes, mas a vida que você perde após tomar uma cabeçada de um dos monstros pode ser um fator decisivo na hora de escapar (ou não) de um inimigo.

A personagem Tosca (sim, é esse o nome mesmo) aparece enfrentando uma das criaturas, o Stomper

O modo Heart of the Hives é o que mais exige coordenação de equipe. Divididos em dois times com quatro pessoas cada, os jogadores devem derrotar o chefão e pegar seu coração, e a equipe que conseguir capturar três desses itens vence a partida. Apenas um chefe aparece por vez, o que significa que os times devem tomar cuidado com posicionamento e estar preparados para os ataques do monstro e também dos adversários. Qualquer um pode pegar o coração, mesmo que não tenha participado da luta contra o boss, o que abre espaço para excelentes momentos de furtividade e armadilhas.

Na minha partida, o jogo estava empatado e tanto o meu grupo quanto o inimigo estavam com dois corações. O chefão que decidiria o jogo apareceu, e ambas as equipes pareciam bem posicionadas, com exceção de um oponente, que estava muito próximo do nosso time. Parte dos meus companheiros resolveram caçar a personagem rival, e apenas alguns segundos de distração foram o suficiente para que nossos adversários conseguissem capturar o último item bem debaixo do nosso nariz.

O modo Alpha Hunters é, essencialmente, um battle royale em duplas, mas com um plot twist: se o seu companheiro é abatido durante a partida, é possível fazer um grupo temporário com outro jogador que esteja sem parceiro. A dupla é desfeita quando a partida se aproxima do fim: se o duo temporário estiver incluso nos últimos três sobreviventes, o contrato é desfeito e cada um deve lutar por si. Caso o trio final seja formado por um par original e um jogador sozinho, os dois amigos só precisam derrotar o oponente para vencer.

Ao todo, oito duplas lutam pela sobrevivência no mapa que fica progressivamente menor. Estratégias como capturar pontos de extração são extremamente vantajosas, pois, mesmo que seja um battle royale, quem coletar essência consegue mais níveis para fortalecer o personagem.

O gigante alien Earl e o pequeno robô Buggs podem parecer um time improvável, mas são uma boa combinação

Esse é um ponto que diferencia Crucible dos outros títulos. Além de se preocupar com estratégias e a execução das mesmas, é importante gerenciar essência para não ficar para trás nos níveis. A experiência é dividida entre todos os membros da equipe, evitando assim competitividade dentro do time.

Evoluir o personagem libera melhorias e até mesmo novos efeitos para as habilidades. Embora alguns desses bônus sejam fixos, alguns níveis possuem opções que podem ser escolhidas antes da partida para se adaptarem ao estilo do jogador ou até mesmo à composição do time, dando mais cargas de uma granada ou um efeito extra após a utilização de determinada habilidade.

Apesar de serem diferentes, todos os caçadores possuem uma habilidade para ajudar no deslocamento. Há também uma mecânica de reconhecimento, em que é possível identificar outros jogadores em movimento ou monstros que estejam próximos — tudo isso sem nenhum custo. Por isso, ser cauteloso em Crucible acaba sendo ainda mais importante, para não ser pego de surpresa ou entregar a estratégia do time sem querer.

Elenco diverso

Os personagens são visualmente interessantes e carismáticos, o que ajuda bastante na hora de aprender mais sobre suas habilidades e particularidades — tarefa que pode ser cansativa para quem não está acostumado, ou até mesmo para quem já teve que aprender sobre os heróis, lendas e agentes de tantos outros títulos.

O elenco de Crucible é diverso, e o fato de que o jogo se passa em outro planeta amplia as possibilidades ao infinito e além. Você pode encarnar Earl, um alien enorme que usa uma metralhadora misturada com um foguete ou Buggs, um minúsculo robô que planta sementes e as rega como forma de atacar. O game também usa algumas mecânicas diferentes: as balas da personagem Sazan só são recarregadas quando ela troca de arma, por exemplo.

Os Caçadores são de variadas raças e tamanhos

Tanta diversidade no elenco traz alguns desafios, como a variação no tamanho das hitboxes — a “caixa” que determina os lugares onde o personagem pode ser atingido. Quando comparamos Buggs e Earl, por exemplo, a diferença de tamanho é enorme. Um dos desafios de balanceamento do jogo é garantir que o gameplay seja satisfatório tanto com um, quanto com outro, e é por isso que o game terá atualizações constantes para se adaptar conforme os jogadores forem descobrindo novas maneiras de usar os personagens.

A história do game é contada de forma sutil, através de diários em áudio e pequenos textos na página de informações dos caçadores, e também nas conversas entre eles enquanto não estão no meio da ação. Parte da narrativa é contada dentro do mapa, nas construções e ruínas ao redor dos jogadores, como uma forma de apresentar informações através da ambientação.

Monetização e futuro do jogo

Crucible será gratuito para jogar, adotando o modelo de microtransações para itens cosméticos e battle passes — passes de temporada, que também poderão ser adquiridos com a moeda do jogo. A loja de skins possui promoções que mudam a cada 48h, descontos semanais, e alguns visuais de personagens serão recompensas exclusivas do battle pass.

Durante uma sessão de perguntas e respostas, os desenvolvedores revelaram que pretendem liberar atualizações de balanceamento e pequenas alterações para o game, caso necessário, a cada 15 dias. Também planejam trabalhar com temporadas de conteúdo, que devem ter a duração média de oito semanas. Não há previsão para novos caçadores, modos de jogo ou mapas.

Por se tratar de um jogo da Amazon, que também é dona do site de streaming Twitch, é de se esperar que o jogo tenha alguma interação com a plataforma, mas isso é algo para o futuro, segundo Colin Johanson, chefe da franquia.

Johanson contou que conversaram com streamers, cosplayers e jogadores num geral enquanto estavam desenvolvendo o jogo, e um dos principais pedidos dessa comunidade foi justamente que deixassem as possíveis interações com a Twitch em segundo plano. “Eles nos disseram ‘por favor, não foque nos bells, bits e coisas do tipo’, e decidimos nos assegurar de que teríamos um jogo excelente antes de pensar nisso”, comentou durante sessão de perguntas e respostas.

Com o lançamento confirmado apenas no computador via Steam, ao menos no lançamento, Johanson afirmou que há a possibilidade de uma versão para consoles no futuro, uma vez que “já tem suporte para controle”. Segundo ele, essa decisão pode ser influenciada pelo interesse da comunidade.

Para os jogadores brasileiros, uma boa notícia: o game será lançado com os textos localizados em português.

Crucible chega em 20 de maio de 2020 nos PCs, via Steam, de forma gratuita.