Crítica | X-Men: Apocalipse

Novo filme da franquia X-Men é uma escorregada notável em relação à qualidade que os fãs esperam

Marina Val Publicado por Marina Val
Crítica | X-Men: Apocalipse

X-Men: Apocalipse é o sexto filme dos X-Men nos cinemas (sem contar os filmes do Wolverine ou do Deadpool). A essa altura, a equipe de produção já sabe muito bem onde acertou e errou nos cinco primeiros longas.

Para provar que eles sabem do que os fãs não gostam e mostrar que superaram o passado, o roteiro inclui até uma piadinha com X-Men: O Confronto Final, quando Jean Grey (Sophie Turner) declara que “o terceiro [filme de uma franquia] é sempre o pior”.

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Mesmo assim, o novo filme da franquia X-Men é uma escorregada notável em relação à qualidade que os fãs esperam. Especialmente depois de longas como X-Men: Primeira Classe e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido.

Poderia ter sido melhor, mas…

Que fique claro, X-Men: Apocalipse não é um desastre total. Ele só fica muito aquém do que poderia ter sido.

O longa tem cenas de ação emocionantes, fanservice na medida certa e reapresenta personagens como Scott Summers (Tye Sheridan) e Jean Grey (Sophie Turner) de uma maneira revigorada e muito mais interessante. A mudança no elenco também ajudou bastante.

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Nas versões anteriores de X-Men, o Ciclope, apesar de ser um dos destaques, servia apenas como um galã bonitinho sem muito carisma. Agora, vendo o começo do desenvolvimento dos poderes dele e do relacionamento com os outros mutantes, é possível sentir alguma empatia nos momentos em que ele demonstra suas inseguranças.

Outros personagens, no entanto, não tiveram a mesma sorte. Noturno mal chega a ter a personalidade completamente desenvolvida e a religiosidade do rapaz, algo que está profundamente enraizado nele, aparece simplesmente jogada em uma cena, sem muita expressividade.

Quem tem medo do Apocalipse?

Apocalipse é um vilão que funciona muito bem… nos quadrinhos. Ele parece ameaçador… nos quadrinhos. Ele tem uma aura de indestrutibilidade… nos quadrinhos.

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Em X-Men: Apocalipse o vilão título tem um visual fraco – que parece com algo feito para uma série de TV e não para um filme de Hollywood – e poucas ideias além da já batida criatura-poderosa-que-vai-destruir-o-mundo. Nem mesmo Oscar Isaac consegue fazer com que o malvado se destaque.

A extensão dos poderes de Apocalipse não fica muito clara, assim como a real motivação (além de oprimir os humanos fracotes). Mesmo a traição que o vilão sofreu no passado, mostrada em uma sequência nos minutos iniciais, parece um motivo meio frágil para algo como a extinção da humanidade. Ele deveria ser alguém que todos deveriam temer, mas mesmo Trask, um mero humano, e vilão de outro filme da franquia, consegue impor mais medo e senso de urgência que ele.

Reutilizando ideias

Alguns momentos que estavam sendo antecipados pelos fãs conseguem ser divertidos apesar de serem reciclados do longa anterior. Em uma cena de resgate de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, Mercúrio corre tão rápido que todas as pessoas no ambiente parecem estar congeladas e com isso ele consegue vencer os inimigos.

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Há um momento similar no novo longa, mas não dá para colocar as todas as fichas em uma cena com a mesma ideia e esperar que ela tenha um retorno tão positivo quanto a primeira vez. O momento é empolgante, mas é bom que os roteiristas já comecem a pensar em outro truque para chamar atenção no próximo filme.

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A cena inicial de X-Men: Apocalipse é grandiosa e faz com que o público espere algo épico digno desse início, mas há muitos personagens novos para apresentar e a estrutura não aguenta esse peso.

Dois dos cavaleiros do Apocalipse, Psylocke e Anjo, não chegam a ser desenvolvidos. E mesmo figuras que tinham bastante peso em filmes anteriores acabam sendo mal aproveitadas. Magneto, por exemplo, acaba se perdendo entre dramas bobos e clichés com pouco impacto.

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X-Men: Apocalipse é um filme mediano, que segue uma fórmula previsível e está bem abaixo dos dois últimos longas da franquia. O roteiro é inconstante, com momentos hilários intercalados por melodrama digno de novela mexicana e cenas gloriosas atrapalhadas por um vilão que não consegue instigar tensão, mesmo considerando o histórico do Apocalipse em outras mídias.

Este não é o pior filme dos mutantes. Ele consegue entreter graças a algumas cenas que estimulam a plateia o suficiente para que as quase duas horas e meia da projeção não sejam de puro tédio. Porém, com um pouco mais de polimento, X-Men: Apocalipse  poderia ter pelo menos mantido a qualidade que vimos nos dois últimos longas da franquia.